A valorização de 35 milhões de euros no mercado europeu coloca Endrick entre os principais talentos brasileiros sub-20, mas episódios recentes levantam questionamentos sobre o impacto de sua personalidade provocativa nas decisões de Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira. O atacante do Lyon protagonizou nova polêmica no último domingo, ao comemorar de forma exuberante diante da torcida adversária na vitória sobre o PSG por 2 a 1.
Provocação gera reação imediata em campo
Após abrir o placar aos cinco minutos no Parque dos Príncipes, Endrick executou uma dança direcionada à torcida parisiense, gerando reação imediata de Achraf Hakimi. O lateral do PSG confrontou o brasileiro ainda durante a partida e manteve a crítica após o apito final, demonstrando incômodo com a atitude do adversário em momento de desvantagem da equipe francesa.
"Disse para ele se acalmar. São coisas que acontecem em uma partida. Queria que meu time se mantivesse concentrado e que ele parasse de fazer coisas direcionadas à nossa torcida"
A declaração de Hakimi ao jornal espanhol AS foi além da situação pontual. O jogador marroquino criticou diretamente o comportamento do brasileiro, questionando o foco esportivo da atitude. Segundo o lateral, situações como essa fogem do contexto do futebol e prejudicam o ambiente competitivo, especialmente em momentos decisivos da partida.

Histórico de polêmicas na Seleção Brasileira
A postura provocativa de Endrick ecoa casos históricos na Seleção Brasileira, onde o comportamento extra-campo influenciou decisões técnicas. Romário foi excluído da Copa de 1994 por questões disciplinares, enquanto Ronaldinho Gaúcho perdeu espaço em 2006 devido a críticas sobre seu comprometimento. Mais recentemente, Neymar enfrentou questionamentos similares durante as Copas de 2018 e 2022.
Carlo Ancelotti, conhecido por valorizar aspectos comportamentais além do talento técnico, tem histórico de dispensar jogadores por questões disciplinares. Durante sua passagem pelo Real Madrid entre 2021 e 2024, o técnico italiano priorizou atletas com perfil profissional exemplar, mesmo em detrimento de talentos individuais superiores.

Conforme levantamento do SportNavo, Endrick disputou apenas 17 partidas pelo Lyon desde sua chegada, marcando sete gols e distribuindo seis assistências. Os números representam melhoria significativa em relação ao período no Real Madrid, onde atuou em 40 jogos com sete gols e nenhuma assistência.
Valorização financeira em momento decisivo
Segundo dados do Transfermarkt, Endrick recuperou valorização no mercado europeu após período de desvalorização. O atacante chegou à Espanha cotado em 60 milhões de euros, valor que despencou para 25 milhões em dezembro passado. A recuperação para os atuais 35 milhões de euros coincide com as boas atuações na liga francesa.
Na última convocação de Ancelotti para os amistosos contra França e Croácia, Endrick figurava como sétimo jogador mais valioso do elenco, empatado com o zagueiro Bremer. O atacante participou da reta final da vitória por 3 a 1 sobre a Croácia, sofrendo pênalti e distribuindo assistência no resultado positivo.
Equilíbrio entre talento e disciplina
A proximidade da Copa do Mundo de 2026 intensifica a pressão sobre Endrick para demonstrar maturidade comportamental. Ancelotti tradicionalmente valoriza jogadores que combinam qualidade técnica com estabilidade emocional, características essenciais para competições de alto nível como o Mundial norte-americano.
O episódio com Hakimi representa mais um teste para o jovem atacante, que precisa encontrar equilíbrio entre expressão individual e responsabilidade coletiva. A manutenção de provocações desnecessárias pode influenciar negativamente as próximas convocações, independentemente dos números positivos em campo.
A Seleção Brasileira volta aos gramados em junho para a próxima Data FIFA, quando Ancelotti definirá a lista de convocados para os jogos das Eliminatórias Sul-Americanas contra Uruguai e Argentina.









