Sete gols e seis assistências em 17 jogos: esse é o cartão de visitas que Endrick vai apresentar ao Real Madrid quando retornar do empréstimo ao Lyon, em 2026. Segundo o jornal espanhol As, o clube já comunicou ao brasileiro a decisão de reintegrá-lo ao elenco, e ele está "muito satisfeito" com o desfecho.
O empréstimo ao Lyon e o que os números dizem
A passagem pela Ligue 1 nasceu de uma necessidade tática. Gonzalo García, ex-técnico do Real Madrid, não utilizava Endrick com regularidade, e a chegada de Xabi Alonso — que também escanteou o atacante de 19 anos antes de ser demitido em janeiro — aprofundou o problema. O empréstimo ao Lyon foi a solução negociada entre o clube e o próprio jogador.
Na França, os números mudaram o quadro. Uma taxa de 0,41 gols por jogo e participação direta em 13 dos 17 jogos disputados indica aproveitamento alto para um centroavante que também funciona como segundo atacante. A análise do SportNavo mostra que Endrick registrou índice superior ao de Rodrygo nos últimos seis meses completos pelo Real — o espanhol anotou 5 gols em 22 partidas antes de se machucar.

O próprio jogador, porém, manteve cautela pública. Em entrevista ao Canal+Foot, ele declarou:

"Vim para cá por empréstimo de seis meses. Se eu tiver que ir para o Real Madrid, voltarei com prazer, mas se tiver que ir para outro lugar, irei."
A fala revelava incerteza real — o retorno ao Bernabéu não estava garantido no momento em que ele falava. A decisão do clube veio depois, respaldada pelos dados do Lyon.
Análise tática: onde Endrick cabe no 4-3-3 de Ancelotti
O Real Madrid de Carlo Ancelotti opera predominantemente no 4-3-3, com Mbappé centralizado e Vinicius Júnior fixo na esquerda. A faixa direita é o ponto variável do sistema — e é exatamente ali que Endrick entra na equação.
Nessa posição, o atacante brasileiro precisa oferecer três funções simultâneas: pressão alta na saída de bola adversária, capacidade de inverter o jogo para Vini Jr., e finalização dentro da área quando Mbappé arrasta a marcação para o centro. No Lyon, ele executou movimentações similares no 4-2-3-1 de Pierre Sage — frequentemente operando como segundo atacante pela direita com liberdade para entrar na área.
- Compactação defensiva: Endrick mostrou comprometimento na pressão, com média de 4,2 pressões por jogo no Lyon — dado compatível com o perfil exigido no bloco médio-alto do Real.
- Transição ofensiva: velocidade acima de 33 km/h registrada em sprints curtos, útil nas transições rápidas que Ancelotti valoriza.
- Pivô e apoio: sua capacidade de segurar a bola de costas para o gol — pouco usada no Palmeiras, mais desenvolvida na França — amplia as opções de combinação com Bellingham pelo interior.
O ponto de atenção tático é a linha de pressão defensiva adversária. Contra equipes que jogam com linha alta, Endrick tende a se posicionar atrás do último defensor e explorar o espaço nas costas. Esse movimento funciona bem ao lado de Mbappé, que atrai dois marcadores e libera o corredor direito.
A concorrência e o peso do investimento
Endrick não chega ao Bernabéu para sentar no banco sem disputa. Rodrygo, que se recupera de lesão no joelho, é o titular histórico da posição — e deve estar disponível no início da temporada. Brahim Díaz e o jovem Franco Mastantuono também estão no radar para a mesma função.
O As avalia que o clube vê Endrick como, no mínimo, um reserva confiável para a posição de Mbappé — o que, em termos táticos, significa um atacante que pode operar centralizado em emergências, mas tem perfil mais natural pela direita.
O contexto financeiro pesa na decisão. O Real Madrid desembolsou cerca de 80 milhões de euros no projeto Endrick — incluindo o valor pago ao Palmeiras, bônus contratuais, salários e comissões. Um segundo empréstimo, sem Copa do Mundo para justificar, dificilmente seria bem visto internamente.
"Após demonstrar suas capacidades no Lyon, ele encara uma Copa do Mundo empolgante, onde terá a oportunidade de jogar. Ele poderá sair do torneio muito mais forte", escreveu o As em análise sobre o futuro do atacante.
A leitura do As é otimista, mas a avaliação do SportNavo aponta que o verdadeiro teste virá no início da pré-temporada de 2026, quando Ancelotti — ou seu eventual substituto — vai hierarquizar os atacantes. Com Rodrygo ainda em recuperação e Mastantuono ainda em adaptação ao futebol europeu, Endrick chega com a janela mais aberta do que há um ano. O Real Madrid inicia a pré-temporada de 2026 em julho, com amistosos nos Estados Unidos antes do início da LaLiga.








