Se a janela de transferências fechasse hoje e você tivesse um único slot para um atacante do Brasileirão Série A 2026, o dilema seria este: Erick Pulga, 25 anos, €11 milhões, 13 gols e 2 assistências em 35 jogos pelo Bahia; ou Alesson, 27 anos, €1,4 milhão, 11 gols e 6 assistências em 35 jogos pelo Mirassol. A resposta não é óbvia — e é exatamente por isso que ela precisa ser construída com dados.
O primeiro passo é separar o que cada número representa taticamente. Pulga entrega volume de finalização e conversão direta. Alesson distribui produção de forma mais horizontal, somando gols e participações em gols de maneira quase equiparada. São perfis distintos, e confundir os dois é o erro mais comum nesse tipo de análise… e aí vem o problema.
Se você fosse comprar um, qual escolheria
A disparidade de valor de mercado é o dado mais impactante da comparação: €11 milhões contra €1,4 milhão. Uma diferença de quase 8x. Para justificar esse múltiplo, Pulga precisaria entregar uma produção proporcionalmente superior — e os números da temporada atual não sustentam isso de forma linear.
| Dimensão | Erick Pulga | Alesson |
|---|---|---|
| Idade | 25 anos | 27 anos |
| Jogos (temporada atual) | 35 | 35 |
| Gols (temporada atual) | 13 | 11 |
| Assistências (temporada atual) | 2 | 6 |
| Participações diretas em gols | 15 | 17 |
| Valor de mercado | €11,0 milhões | €1,4 milhão |
A coluna de participações diretas em gols — soma de gols e assistências — revela o dado mais incômodo para quem defende o diferencial de preço de Pulga: Alesson lidera por 17 a 15. O atacante do Mirassol entrega mais output combinado com um orçamento 87% menor.
Para um clube de orçamento médio no Brasileirão, a escolha de custo-benefício é Alesson sem margem de dúvida. Para um clube que opera na lógica de revenda e valorização de ativo, Pulga tem teto de mercado mais alto e margem de apreciação mais clara.
Quem entrega mais agora
No recorte estrito da temporada 2026, Pulga lidera em gols: 13 contra 11. Uma diferença de dois gols em 35 jogos — relevante, mas não dominante.
O que diferencia os dois taticamente é o perfil de movimentação. Pulga, com 169 cm e histórico de apelido ligado à velocidade e imprevisibilidade, opera como referência de ruptura em linha de pressão alta. Seu jogo é mais vertical, com menos envolvimento na construção. As 2 assistências em 35 jogos confirmam isso: ele finaliza mais do que conecta.
Alesson apresenta um padrão diferente. As 6 assistências em 35 jogos indicam maior participação no terço final, seja como pivô de segunda linha ou como atacante que recua para receber e distribuir. Em sistemas com dois atacantes ou em transições ofensivas rápidas de três corredores, esse perfil gera mais variáveis para o adversário processar.
É como comparar um velocista dos 100 metros com um atleta de provas combinadas: o primeiro é mais explosivo num eixo, o segundo pontua em mais disciplinas. A escolha depende do que o técnico precisa preencher no sistema.
Quem chega mais longe nos próximos 5 anos
Pulga tem 25 anos e, conforme registrado pelo SportNavo em cobertura do mercado do Brasileirão, acumula passagens por Ferroviário, Campinense, Ceará e agora Bahia — uma trajetória de evolução consistente entre divisões. O salto da Série B para a Série A com produção crescente (11 gols pelo Ceará na Série B 2024, 13 gols pelo Bahia na Série A em 2026) é o argumento mais sólido para seu potencial de valorização.
Alesson tem 27 anos e vínculo com o Torpedo Moscow, estando no Mirassol por empréstimo. O contexto contratual é um fator de risco: a janela de valorização já está mais estreita, e a dependência de renovação de empréstimo cria instabilidade para qualquer planejamento de longo prazo do clube que o utiliza.
Em termos de janela de desenvolvimento, Pulga está no pico de curva de aprendizado. Um atacante de 25 anos com 13 gols numa Série A ainda tem dois a três anos para consolidar um nível acima — o que pode significar interesse de mercado europeu ou de clubes brasileiros de maior expressão. Alesson, aos 27, já está no platô produtivo: o que você vê agora é, com alta probabilidade, o que você terá daqui a dois anos.
Isso não é depreciação de Alesson — é leitura de ciclo. Um jogador no platô de produção pode ser exatamente o que um projeto de curto prazo precisa. Mas para investimento com horizonte de 3 a 5 anos, a curva de Pulga ainda tem inclinação…
O voto final, com os critérios na mesa
A decisão depende do perfil do comprador, mas os critérios permitem uma hierarquia clara:
- Melhor momento imediato (forma na temporada): Pulga lidera em gols; Alesson lidera em participações totais. Empate técnico com leve vantagem de Pulga em finalização pura.
- Melhor custo-benefício operacional: Alesson, sem contestação. €1,4 milhão por 17 participações diretas em gols é uma das melhores relações do Brasileirão 2026.
- Maior potencial de valorização: Pulga, pela idade (25 anos), pelo contexto de evolução entre divisões e pelo valor de mercado que já sinaliza reconhecimento externo.
- Encaixe tático em sistemas verticais e de pressão alta: Pulga.
- Encaixe em sistemas que demandam conexão e distribuição no terço final: Alesson.
Se o critério for único — e o enunciado pede uma escolha — a resposta é Erick Pulga para quem pensa em 2027 e 2028; Alesson para quem precisa de resultado agora com orçamento enxuto. Mas se o orçamento for a variável mais restritiva, Alesson entrega mais output por euro investido do que qualquer métrica desta temporada consegue justificar para o múltiplo de Pulga. O dado está na tabela, e ele não mente.













