O suor ainda escorre pela testa quando Ferran Torres deixa o gramado do Camp Nou. Dezenove gols em 44 jogos — números que gritam excelência, mas que ecoam no vazio dos corredores administrativos do Barcelona. O atacante de 26 anos vive o auge da carreira, porém sua renovação contratual não está nos planos da diretoria blaugrana.

Segundo o jornal espanhol "As", o camisa 7 catalão ainda não foi procurado para discutir a extensão do vínculo, que se estende até junho de 2027. A partir de janeiro, Ferran pode assinar pré-contrato com qualquer clube europeu para sair gratuitamente ao final da próxima temporada.

A situação ganha contornos dramáticos quando analisamos os números. Ferran já igualou sua marca artilheira da temporada passada com sete jogos ainda pela frente na atual campanha. O espanhol transformou-se no homem de confiança de Hansi Flick, assumindo a centralidade do sistema ofensivo barcelonista.

Evolução sob comando alemão

O clima no vestiário mudou drasticamente desde a chegada do técnico alemão. Ferran passou de 12º jogador sob Xavi Hernández para titular absoluto na atual temporada. A confiança depositada por Flick rendeu frutos imediatos — o atacante disputou 28 partidas como titular em 44 jogos totais.

A transformação tática foi fundamental. Ferran migrou das pontas para o centro do ataque, ocupando o espaço deixado pela queda de rendimento de Robert Lewandowski. O polonês, aos 36 anos, viu seu protagonismo diminuir enquanto o espanhol florescia na posição de referência ofensiva.

Segundo apuração do SportNavo, pessoas próximas ao departamento de futebol indicam que a extensão contratual de Ferran "não deve se concretizar". Deco, diretor esportivo, não considera o atacante uma prioridade no planejamento futuro, apesar dos números impressionantes.

Comparação com casos similares

A situação de Ferran Torres ecoa outros casos de subestimação na história recente barcelonista. Alexis Sánchez marcou 47 gols em três temporadas (2011-2014) antes de ser negociado com o Arsenal por questões táticas. O chileno posteriormente brilhou na Premier League, evidenciando o erro de avaliação.

Pedro Rodríguez representa outro exemplo emblemático. O ponta formado em La Masia contribuiu com 99 gols em oito temporadas profissionais pelo Barcelona, mas foi considerado dispensável em 2015. Sua transferência para o Chelsea por apenas 30 milhões de euros gerou arrependimento posterior.

Mais recentemente, Carles Aleñá viveu situação similar em 2020. O meio-campista, após temporadas consistentes, não recebeu proposta de renovação e acabou emprestado ao Betis. Posteriormente foi vendido definitivamente, deixando lacuna no elenco catalão.

Evolução sob comando alemão Ferran Torres marca 19 gols mas Barcelon
Evolução sob comando alemão Ferran Torres marca 19 gols mas Barcelon

Contexto financeiro e estratégico

O Barcelona investiu 45 milhões de euros para contratar Ferran Torres do Manchester City em janeiro de 2022. Mateu Almeny, então responsável pelas negociações, estruturou a operação que trouxe o atacante espanhol ao Camp Nou durante a gestão de Joan Laporta.

A resistência da atual diretoria contrasta com o investimento realizado há três anos. Ferran registra duas assistências além dos 19 gols na temporada atual, números que justificariam renovação em qualquer clube europeu de elite.

A indefinição sobre o futuro de Lewandowski complica ainda mais o cenário. O polonês tem contrato apenas até junho e recebeu proposta com redução salarial para permanecer como reserva. Clubes da Arábia Saudita e da Itália demonstraram interesse no veterano centroavante.

Conforme levantamento do SportNavo, a eventual saída de ambos os atacantes deixaria o Barcelona em situação delicada para 2025-26. Ferran Torres volta aos gramados no próximo domingo, contra o Sevilla, em partida que pode definir matematicamente o título de La Liga para os catalães.