O meio-campista Gerson moveu ação judicial contra o Flamengo por R$ 6,3 milhões em valores não pagos pelo clube. O jogador, atualmente no Al-Ahli da Arábia Saudita, afirma que o contrato firmado com o Rubro-Negro tinha como objetivo principal "driblar encargos e burlar a lei".
Acusação de irregularidades contratuais
A batalha judicial revela detalhes sobre supostas práticas irregulares na estruturação de contratos no futebol brasileiro. Gerson alega que o Flamengo utilizou artifícios jurídicos para reduzir o pagamento de impostos e encargos trabalhistas, prática que seria comum no mercado nacional.
O valor de R$ 6,3 milhões representa aproximadamente €1,15 milhão na cotação atual. A quantia engloba salários atrasados, direitos de imagem e bonificações por performance que teriam sido acordadas durante a passagem do atleta pelo clube carioca entre 2019 e 2023.
"O contrato servia para driblar encargos e burlar a lei", afirmou Gerson em depoimento judicial.
Repercussão no mercado e precedentes jurídicos
O caso Gerson se soma a outras polêmicas recentes envolvendo o Flamengo. Gabriel Barbosa (Gabigol) também mantém disputa contratual com o clube, enquanto o pai do atacante rebateu declarações do ex-presidente Rodolfo Landim sobre a saída do jogador.
Paralelamente, Allan, ex-Flamengo e atual jogador do Corinthians, enfrenta processo disciplinar após gesto obsceno no Maracanã. O clube paulista debate com o departamento jurídico sobre punição que impactará o salário do meio-campista.
Impactos financeiros e jurídicos para o Flamengo
A ação de Gerson pode gerar precedente para outros jogadores questionarem práticas contratuais similares. O Flamengo possui orçamento anual próximo a R$ 800 milhões, mas enfrenta pressão da Justiça Trabalhista em múltiplos processos.

O clube registrou receitas de R$ 1,2 bilhão em 2023, sendo 35% provenientes de patrocínios e naming rights. Os custos com folha salarial representam 65% do orçamento total, percentual considerado alto pelos padrões internacionais.
"Se honrasse a palavra", disse o pai de Gabigol sobre Landim, referindo-se às negociações frustradas para renovação contratual.
A defesa de Gerson sustenta que o modelo contratual adotado pelo Flamengo violava normas trabalhistas e tributárias. O processo tramita na 37ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, com audiência marcada para março de 2025. O resultado pode influenciar futuras negociações contratuais no futebol brasileiro e estabelecer jurisprudência sobre limites na estruturação de acordos entre clubes e atletas.

