A bolinha saiu da urna e o silêncio durou um segundo. Depois vieram os dois nomes, lado a lado, como se a Copa do Brasil estivesse reescrevendo um roteiro que já foi filmado seis vezes: Corinthians e Grêmio voltarão a se enfrentar nas oitavas de final da Copa do Brasil, com o primeiro jogo marcado para a semana de 31 de julho, na Neo Química Arena, e o segundo na semana de 7 de agosto, em Porto Alegre.
O retrospecto que o Tricolor guarda com orgulho
De 1991 a 2013, os dois clubes se cruzaram em seis fases eliminatórias da competição, somando 12 partidas. O Grêmio levou a melhor em cinco desses confrontos — nas quartas de final de 1991, nas oitavas de 1994, na semifinal de 1997, na final de 2001 e nas quartas de 2013, quando Dida defendeu cobrança de Alexandre Pato na disputa de pênaltis e classificou o Tricolor por 3 a 2. O placar agregado ao longo dessas décadas conta uma história de dominância gaúcha dentro desse torneio específico, independentemente do que acontece nos duelos fora dele — no retrospecto geral entre os clubes, que já soma 91 confrontos segundo o portal oGol, o Corinthians tem 35 vitórias contra 30 do Grêmio, com 26 empates.
Cinco eliminações e um vice. Esse é o balanço do Corinthians quando o assunto é Copa do Brasil e Grêmio do outro lado.

A única vez que o Corinthians virou o jogo
A interpretação dominante sobre esse confronto é simples: o Grêmio é o dono da história. E os números sustentam essa leitura. Mas há uma contra-leitura que muda o peso da narrativa. A única vez em que o Corinthians superou o Tricolor nessa sequência foi justamente na decisão mais importante: a final de 1995. Num confronto que definiu o título nacional da competição, o Timão venceu por 1 a 0 fora, empatou 0 a 0 em casa — placar que, pelas regras vigentes à época, foi suficiente para a conquista. O Grêmio ganhou cinco batalhas, mas o Corinthians levou a guerra que valia a taça. O que para o torcedor argentino é o título do torneio nacional que apaga eliminações anteriores, para o torcedor paulista é exatamente isso: uma final vencida em 1995 que transforma cinco derrotas em contexto, não em veredicto.
O SportNavo mapeou os seis confrontos e o padrão é claro: o Grêmio costuma ser mais eficiente nas fases intermediárias, mas o Corinthians historicamente eleva seu nível quando o jogo tem peso de título.
O que os dois times trazem para agosto
A síntese justa entre as duas leituras passa pelo momento atual de cada clube. O Grêmio chegou às oitavas após eliminar o Operário por 3 a 1 no placar agregado — resultado que consolida uma campanha consistente na competição, onde o Tricolor tem histórico robusto: em 26 participações nas oitavas, avançou em 21 ocasiões. O Corinthians, por sua vez, despachou o América-RN por 4 a 2 no agregado, mostrando eficiência ofensiva. Ainda sem a Arena do Grêmio disponível, o local do jogo de volta ainda será confirmado pela CBF, o que adiciona uma variável logística ao duelo.
Os jogos acontecem nas semanas de 31 de julho e 7 de agosto. Para o Corinthians, superar o Grêmio nessa fase seria mais do que uma classificação — seria reescrever o único capítulo da rivalidade que ainda pende para o lado gaúcho. Para o Grêmio, seria mais uma linha numa estatística que já é, por si só, um patrimônio histórico dentro da Copa do Brasil.









