Três dados: 24 de maio de 2026, Gillette Stadium, Pere Guardiola ao lado do irmão. Tudo parte daí.

Foi nessa sexta-feira, 19 de junho, que Pep Guardiola apareceu nas câmeras da transmissão oficial da Copa do Mundo durante o duelo entre Escócia e Marrocos, válido pela segunda rodada do Grupo C, no Gillette Stadium, em Foxborough, Massachusetts. Ele estava no primeiro tempo, sentado ao lado do irmão e agente Pere Guardiola, sem crachá de imprensa, sem colete de delegação. Só olhando.

O número que antecede tudo: 26 dias sem clube Guardiola nas arquibancadas do Gil
O número que antecede tudo: 26 dias sem clube Guardiola nas arquibancadas do Gil

O número que antecede tudo: 26 dias sem clube

Guardiola deixou o Manchester City no dia 24 de maio de 2026, exatamente 26 dias antes de aparecer nas arquibancadas de Foxborough. Ele acionou uma cláusula de rescisão que encerrou seu vínculo um ano antes do prazo — o contrato ia até 2027. Em dez anos no clube inglês, foram 20 títulos: seis Premier Leagues, uma Champions League, um Mundial de Clubes, entre outros. Nenhum técnico na história do City construiu algo parecido. E agora ele está, tecnicamente, desempregado.

Sua assessoria de imprensa foi rápida. Segundo comunicado divulgado à imprensa, o treinador estava em Boston por compromissos comerciais com a família e não concederia entrevistas. A nota não mencionou Marrocos. Não precisava — o silêncio já era eloquente o suficiente.

Três seleções, uma proposta de até €90 milhões por temporada

O jornal espanhol Sport revelou no mês passado que Guardiola recebeu sondagens de três federações: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Marrocos. A proposta saudita, a mais agressiva financeiramente, chegaria a uma faixa entre 80 e 90 milhões de euros por temporada — incluindo salário e bônus. Em reais, isso representa entre R$ 465 milhões e R$ 523 milhões anuais. É um número que não precisa de adjetivo para causar impacto.

Marrocos, por sua vez, não tem esse poder financeiro, mas tem algo que as outras duas não oferecem da mesma forma: competitividade real em Copa do Mundo. A seleção marroquina chegou às semifinais do Mundial do Qatar em 2022, eliminou Portugal e Espanha no caminho, e hoje disputa o Grupo C ao lado do Brasil — o grupo mais observado do torneio. Treinar Marrocos seria, para Guardiola, a chance de disputar uma Copa do Mundo de verdade, algo que ele já declarou publicamente ser um desejo.

"Guardiola já afirmou em diferentes oportunidades ter o desejo de comandar uma seleção e disputar uma Copa do Mundo", conforme apurado pela CazéTV durante a cobertura do jogo.

O que a presença no Gillette projeta para o Marrocos

O técnico atual de Marrocos é Walid Regragui, o mesmo que conduziu a seleção à histórica campanha de 2022. Regragui tem contrato vigente e nenhuma declaração pública indica que sua saída está próxima. Mas o futebol de seleções opera em bastidores que raramente chegam às câmeras — e Guardiola no Gillette Stadium, assistindo especificamente ao jogo da seleção marroquina, não é um detalhe menor.

O estilo de jogo de Marrocos — pressão alta, organização posicional, transições rápidas — tem compatibilidade com o que Guardiola construiu ao longo de sua carreira no Barcelona, no Bayern de Munique e no City. Não é uma combinação óbvia no papel, mas tampouco é absurda. A seleção marroquina tem qualidade técnica no meio-campo e uma defesa que concedeu apenas dois gols em seis jogos eliminatórios para esta Copa.

Guardiola, por sua vez, já sinalizou que não pretende retornar ao trabalho imediatamente após uma década intensa no comando dos Citizens. A ideia declarada é uma pausa. Mas uma Copa do Mundo em andamento, com um jogo acontecendo a poucos quilômetros de onde ele estava por motivos comerciais, é o tipo de cenário que encurta pausas.

"Não temos nada a declarar sobre contratações futuras", disse a assessoria do técnico, segundo informações publicadas em matéria do SportNavo acompanhando o caso.

Marrocos enfrenta o Brasil na terceira rodada do Grupo C, no dia 23 de junho, em um duelo que pode definir a liderança da chave. Se a seleção do norte da África avançar às oitavas — e as chances são reais —, a conversa sobre o futuro técnico da equipe vai ganhar outro volume. Guardiola estará assistindo. Provavelmente de perto — a pergunta é se ainda como espectador.