O ar em Kansas City estava pesado nesta segunda-feira. Não pelo calor — embora o sol batesse forte no gramado de treinos da seleção norueguesa. Era outra coisa. Uma tensão antiga, acumulada em 28 anos de ausência, que finalmente encontrou seu ponto de ebulição. No centro de tudo, com a camisa azul escuro e os olhos fixos na bola, estava o homem que carregou esse peso desde que calçou a chuteira pela seleção pela primeira vez. Erling Haaland tem 25 anos. Nunca viu a Noruega disputar uma Copa do Mundo. Até amanhã.

A geração que cresceu sem saber o que era uma Copa norueguesa

Nascido em 2000, Haaland tem uma relação particular com o torneio. Sua primeira memória de Copa do Mundo não é norueguesa — é sul-africana. Ele lembra do jogo de abertura de 2010, entre África do Sul e México, com dez anos de idade, sentado em algum lugar de Leeds, onde o pai Alfie jogava. Quatro anos depois, ficou encantado com James Rodríguez, o colombiano que virou símbolo da Copa de 2014 no Brasil. A Noruega, naquelas duas edições, estava em casa.

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Isso moldou algo nele.

Quando entrou para a seleção principal, a pressão não era só de artilheiro — era de redentor. O que para o argentino é a missão de manter uma hegemonia continental, para o norueguês é provar que seu país existe no mapa do futebol mundial. Haaland absorveu esse peso sem reclamar, mas não sem sentir.

"Foi muita pressão. Ainda é muita pressão agora, mas sim, eu sentia isso desde que comecei na seleção, a pressão para chegar a uma Copa do Mundo. Quanto mais tempo passo lá, mais pressão, claro, fica sobre meus ombros. Mas, novamente, é ainda melhor que tenhamos conseguido, e é uma sensação incrível", disse o atacante.

A Noruega ficou de fora da Copa de 2022 no Catar e também da Eurocopa de 2024. Dois torneios, dois tombos na classificação, dois momentos em que Haaland precisou olhar para a televisão em vez de para o campo. Cada eliminação adicionava uma camada a mais à cobrança — interna e externa.

O atacante mais letal do mundo chega ao maior palco

A temporada 2025/2026 foi mais uma prova de força. Haaland terminou como artilheiro da Premier League e da Champions League — dois títulos de artilharia no mesmo ano, algo que pouquíssimos centroavantes conseguem combinar. Enquanto o Manchester City ajustava seu sistema ao redor de outros jogadores, o norueguês continuou sendo o ponto fixo, o número absoluto, a referência que adversários estudam durante semanas e mesmo assim não conseguem parar.

Na seleção, o papel é parecido — só que amplificado. Não há Bernardo Silva para criar o espaço. Não há Kevin De Bruyne para lançar na profundidade. Há Haaland, e há uma equipe que constrói o jogo em função dele. O técnico Ståle Solbakken montou uma estrutura que parte da premissa simples: coloque a bola perto do centroavante e deixe a física fazer o resto.

Funciona. A Noruega chegou à Copa do Mundo de 2026 com Haaland marcando mais gols do que jogos disputados pela seleção — uma estatística que diz tudo sobre a dependência e, ao mesmo tempo, sobre a genialidade do atacante.

"Vai ser incrível. Finalmente. Sentimos falta disso em 2022 no Qatar e também na Eurocopa de 2024. Então agora finalmente aconteceu, e já estava na hora", afirmou Haaland, em declaração reproduzida em matéria do SportNavo.

Iraque na estreia e o que vem depois no Grupo I

A estreia acontece nesta terça-feira (16), às 19h (horário de Brasília), contra o Iraque, pelo Grupo I. É um adversário que, no papel, deveria ser o mais acessível do grupo — mas Copa do Mundo não respeita papel. O Iraque classificou-se de forma surpreendente e chega ao torneio com uma identidade tática definida, baseada em blocos compactos e transições rápidas. Para Haaland, que precisa de espaço para trabalhar, pode ser uma tarde de paciência antes da explosão.

O grupo ainda conta com França e Senegal — duas seleções que transformaram o Grupo I em uma das chaves mais equilibradas do torneio. Para a Noruega, os três pontos contra o Iraque não são apenas um bom começo: são praticamente obrigatórios para que a campanha faça sentido. Uma derrota ou empate na estreia colocaria a equipe de Haaland numa posição delicadíssima antes dos confrontos mais pesados.

O jogo terá transmissão ao vivo pela CazéTV, disponível no Disney+. Quem quiser ver Haaland finalmente em uma Copa do Mundo — depois de 28 anos de espera norueguesa — terá onde assistir. O atacante já avisou que quer fazer parte dos momentos que ficam na memória do torneio. A partir de amanhã, ele tem a chance de começar a escrever essa história.