O ginásio Pedrocão, em Franca, estava tomado pela torcida antes mesmo das 11h deste domingo quando o Sesi Franca e o Pinheiros pisaram na quadra para o Jogo 1 da final do NBB 2025/2026. A atmosfera era de ritual conhecido para os anfitriões — quinta final seguida, sétima na história do clube — e de território completamente novo para os visitantes, que chegavam à sua primeira decisão nacional. Dois mundos distintos, uma série melhor de cinco, e no centro da disputa uma questão que transcende os números do placar: qual dos dois técnicos mais vitoriosos do basquete brasileiro vai sair daqui com a mão no troféu?
Helinho Garcia e a construção de uma hegemonia em escala doméstica
Seria injusto chamar de era — mas é uma era em escala doméstica. Helinho Garcia chegou ao Pedrocão neste domingo empatado com José Neto no topo da lista de técnicos mais vencedores do NBB, ambos com quatro títulos. Uma vitória na série contra o Pinheiros colocaria o treinador do Franca sozinho no alto dessa galeria. A trajetória até aqui já impressiona pelos números: 32 vitórias e apenas seis derrotas na temporada regular, com 84,2% de aproveitamento — melhor campanha do campeonato. Nos playoffs, o Franca despachou Botafogo (3-0), Mogi (3-2) e Brasília (3-2, com o jogo decisivo terminando em 68 a 66) para chegar à decisão.
O estilo de Helinho tem uma leitura clara para quem acompanha o basquete com atenção mais cirúrgica: ele valoriza o spacing ofensivo, o three-point shooting como arma estrutural e a experiência como antídoto para momentos de pressão. O elenco que construiu reflete essa filosofia — Georginho, MVP da temporada regular, Lucas Dias, Rafael Mineiro e Cristiano Felício formam um grupo que já sabe o que significa viver dentro de uma final do NBB. Segundo a Liga Nacional de Basquete, Georginho chega à quarta final consecutiva pelo Franca transformando ambição em combustível competitivo. É pressing alto com memória muscular.
Gustavinho De Conti estreia em uma final com três títulos na bagagem e o melhor técnico da temporada no currículo
Do outro lado da quadra, Gustavinho De Conti acumula três títulos de NBB — um pelo Paulistano, dois pelo Flamengo — e foi eleito o melhor técnico da temporada 2025/2026. Chega à sua primeira final pelo Pinheiros com um grupo construído sobre intensidade e juventude: Pedro Pastre, Cauã Pacheco, Felipe Gregate e Yan Djalo são os rostos de uma geração que eliminou Rio Claro (3-0), Paulistano (3-0) e Corinthians (3-1) para chegar aqui. Nas palavras do próprio clube, o Pinheiros consolidou sua melhor campanha histórica no NBB com 30 vitórias em 38 jogos e 78,9% de aproveitamento na fase regular.
O que torna o confronto tático especialmente interessante é que os dois treinadores operam dentro de filosofias ofensivas convergentes — ambos valorizam o three-ball como ferramenta central e constroem sistemas que dependem de movimentação sem bola e de leituras rápidas no perímetro. A diferença está no repertório de gestão de momento. Helinho tem cinco finais de referência para calibrar decisões; Gustavinho está calibrando em tempo real, pela primeira vez neste palco específico. Na Copa Super 8 desta temporada, o Pinheiros chegou a vencer o Franca por 82 a 79 na semifinal — sinal de que o gegenpressing ofensivo dos paulistanos funciona contra o sistema do rival quando a intensidade está no pico.
O histórico entre os clubes e o que muda na série final
O Franca venceu os dois confrontos diretos na fase regular — 87 a 69 no primeiro turno e 95 a 81 no segundo — o que estabelece uma vantagem psicológica, mas não necessariamente uma vantagem tática. Séries de playoff têm lógica própria: o volume de informação que os comissões técnicas acumulam sobre o adversário ao longo de cinco jogos transforma cada partida num exercício de ajuste incremental. Aqui é onde a experiência de Helinho pode pesar mais do que qualquer estatística de temporada regular.
O calendário da série coloca os dois próximos jogos no Ibirapuera — Jogo 2 na terça-feira (2/6) às 20h e Jogo 3 na quinta-feira (4/6) às 17h — o que significa que o Pinheiros pode virar o mando de quadra rapidamente se perder o Jogo 1 no Pedrocão. Conforme registrado pelo SportNavo ao longo dos playoffs, o Pinheiros opera melhor quando consegue impor ritmo desde o início, pressionando a saída de bola adversária e forçando erros no perímetro. Frente a um Franca que tem Georginho e Lucas Dias como válvulas de escape em situações de pressão, isso exige uma execução próxima da perfeita.
O Jogo 2 acontece na terça-feira, dia 2 de junho, às 20h, no Ibirapuera, em São Paulo. Se o Franca vencer o Jogo 1 no Pedrocão, Gustavinho precisará de uma resposta imediata em casa para manter a série viva — e Helinho Garcia, que já conhece esse roteiro de cor, sabe exatamente como dificultar essa resposta.










