O calor das negociações esquenta em Roma. A Federação Italiana de Futebol (FIGC) tem um sonho: convencer Pep Guardiola a abandonar o Manchester City e assumir a Azzurra. O problema? Uma montanha de obstáculos que parece intransponível.

Segundo a La Gazzetta dello Sport, Guardiola demonstrou interesse nas primeiras sondagens italianas. O técnico catalão possui contrato com o City até 2027, mas já sinalizou publicamente o desejo de fazer uma pausa na carreira quando encerrar seu vínculo em Manchester. A mesma estratégia adotada em 2012, quando deixou o Barcelona e permaneceu um ano sabático antes de assumir o Bayern de Munique.

O cenário devastador da Itália no futebol mundial

Três ausências consecutivas em Copas do Mundo transformaram a Itália em pária do futebol internacional. A última participação aconteceu na Rússia 2018, seguida por fracassos nas eliminatórias de Qatar 2022 e agora 2026. O ex-presidente Gabriele Gravina renunciou após o último fiasco, levando consigo Gianluigi Buffon, que ocupava o cargo de chefe de delegação.

Leonardo Bonucci foi direto ao ponto durante o Prêmio Laureus na segunda-feira passada. O ex-zagueiro não poupou palavras sobre o futuro da seleção:

"Se houver um desejo real de recomeçar, eu começaria com Pep Guardiola, porque trazer alguém como ele significaria uma mudança completa em relação a tudo o que aconteceu no passado"

Guardiola e o dilema das seleções nacionais

Adaptar o estilo Guardiola a uma seleção representa um desafio monumental. Diferentemente dos clubes, onde possui meses para implementar sua filosofia tática, nas seleções o tempo é escasso. Apenas algumas semanas por ano para trabalhar com jogadores acostumados a sistemas completamente distintos em seus clubes.

O técnico espanhol nunca comandou uma seleção nacional, mas já manifestou esse desejo em entrevistas recentes. Sua experiência como jogador na Itália - defendeu Brescia entre 2001-2002 e Roma em 2002-2003 - pode ser um trunfo nas negociações, segundo apuração do SportNavo.

A gestão de elenco também preocupa especialistas. Guardiola é conhecido pelo controle absoluto sobre seus jogadores no dia a dia. Em seleções, essa proximidade inexiste. Os atletas chegam com diferentes níveis de forma física, mentalidades distintas e lealdades divididas entre clube e país.

Cronograma político complica ainda mais as negociações

A FIGC enfrenta um cronograma político apertado que pode inviabilizar qualquer acordo. Os candidatos à presidência serão anunciados apenas em 13 de maio, com eleição marcada para 22 de junho. Somente após essa definição institucional uma negociação oficial com Guardiola poderá começar.

O timing também esbarra na agenda do Manchester City. A temporada europeia termina em 24 de maio com a rodada final da Premier League, seguida pela semifinal da FA Cup contra o Southampton. Guardiola dificilmente abandonará o projeto Citizens no meio de uma disputa por títulos.

O peso da história e a pressão por resultados

Assumir a Itália significa carregar o peso de uma das maiores tradições do futebol mundial. Quatro títulos mundiais, dois Euros, incluindo o de 2021. A pressão por resultados imediatos seria brutal, especialmente com a proximidade da Copa de 2030.

Na avaliação do SportNavo, Guardiola precisaria reinventar completamente seu método de trabalho. Seus famosos treinos de posicionamento e automatismos dependem de repetição constante - luxo inexistente no futebol de seleções. A solução passaria por simplificar conceitos complexos em períodos curtíssimos de convivência.

A Itália aguarda ansiosamente as eleições da FIGC em junho, enquanto Guardiola foca na reta final da temporada do City. O sonho italiano pode virar realidade, mas os obstáculos nunca foram tão evidentes.