O que acontece quando uma seleção eliminada enfrenta uma das favoritas ao título, sem pressão de resultado mas com a memória de uma goleada histórica ainda viva? A pergunta não é filosófica — ela define exatamente o contexto do confronto entre Panamá e Inglaterra neste sábado, 27 de junho, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey, pela terceira e última rodada do Grupo L da Copa do Mundo 2026.

A Marea Roja chega ao jogo com duas derrotas — 1 a 0 para Gana e 1 a 0 para a Croácia — e zero pontos, sem qualquer possibilidade matemática de classificação. A Inglaterra, por sua vez, acumula quatro pontos após vencer a Croácia por 4 a 2 na estreia e empatar sem gols com Gana na rodada seguinte. Uma vitória neste sábado praticamente garante o primeiro lugar do grupo, independentemente do resultado paralelo entre Gana e Croácia.

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O único antecedente mundialista e o que ele ainda diz sobre os dois países

O único confronto entre Panamá e Inglaterra em Copas do Mundo aconteceu em 24 de junho de 2018, em Nizhny Novgorod, na Rússia. O placar final foi 6 a 1, com Harry Kane marcando três gols — o primeiro hat-trick internacional de sua carreira. John Stones e Jesse Lingard também balançaram as redes inglesas, enquanto Felipe Baloy descontou para o Panamá em um gol que entrou para a história do futebol centroamericano: o primeiro da seleção panamenha em Copas do Mundo.

Aquele 6 a 1 não foi apenas uma goleada. Foi o recorte de uma diferença estrutural entre duas federações em momentos completamente distintos de desenvolvimento. Oito anos depois, o Panamá chega à sua segunda Copa do Mundo consecutiva, mas ainda sem pontuar em nenhuma das cinco partidas disputadas entre Rússia 2018 e este Mundial. O técnico Thomas Christiansen reconheceu publicamente o objetivo mínimo da equipe: encerrar o torneio com o primeiro ponto da história do país.

"Jogamos sem pressão, e isso pode trazer surpresas", sinalizou o entorno da comissão técnica panamenha, segundo apuração de veículos especializados que acompanham a delegação.

Escalações prováveis e os dilemas táticos de Tuchel

O técnico Thomas Tuchel deve escalar a Inglaterra em um 4-2-3-1, com Jordan Pickford na meta — o goleiro do Everton soma 84 partidas pela seleção e disputa sua terceira Copa do Mundo. A defesa deve ter Nico O'Reilly na lateral esquerda, Ezri Konsa e Marc Guehi na zaga. No meio, Elliot Anderson, de 23 anos e com apenas nove jogos pela seleção até aqui, e Declan Rice formam a dupla de contenção. Jude Bellingham atua como meia-atacante, com Bukayo Saka e Marcus Rashford nas pontas. Kane lidera o ataque.

O contexto interno da Inglaterra, contudo, não é de total tranquilidade. Kane foi neutralizado pela defesa ganesa na segunda rodada e perdeu uma chance clara nos minutos finais. Bellingham protagonizou uma ação polêmica após o empate com Gana — uma jogada que gerou debate sobre a nova normativa da FIFA, mas que não resultou em cartão vermelho. Tuchel saiu publicamente em defesa do atacante do Tottenham após a partida, sinalizando que a confiança no camisa 9 segue intacta.

Do lado panamenho, a ausência mais relevante é a de Adalberto Carrasquilla, meia-armador considerado o principal criador da equipe, que não se recuperou de um desgarro muscular. Christiansen deve utilizar um esquema com cinco defensores — 5-4-1 — com Orlando Mosquera no gol, Michael Murillo e Andrés Andrade nas laterais, e Tomás Rodríguez como referência ofensiva. Yoel Bárcenas e Carlos Harvey têm liberdade para aparecer pelo meio, mas a estrutura é essencialmente defensiva.

"Carrasquilla não será arriscado. Só seria opção se chegássemos ao último jogo com chances de classificação", confirmou a comissão técnica panamenha, segundo relatos da imprensa local.

O que está em jogo além dos três pontos no MetLife Stadium

Para a Inglaterra, a matemática é direta: uma vitória garante o primeiro lugar do Grupo L e projeta os Três Leões para os oitavos de final em Atlanta — destino considerado mais favorável do que Toronto, onde o segundo colocado do grupo seguirá. A única forma de a Inglaterra terminar em segundo, mesmo vencendo, seria uma goleada histórica de Gana sobre a Croácia, cenário de baixíssima probabilidade estatística.

Para o Panamá, o jogo tem um valor simbólico que transcende o resultado. A seleção centroamericana busca seu primeiro ponto em cinco partidas mundialistas, e uma eventual pontuação — mesmo que improváveis — reposicionaria o país no ranking histórico da Concacaf, especialmente após as eliminações precoces de Haiti e Curaçao nesta edição. A Marea Roja competiu com disciplina defensiva nas duas primeiras rodadas, gerando ocasiões contra Gana, mas sem eficiência na finalização.

Em matéria do SportNavo, o histórico do confronto e as escalações prováveis foram analisados com base nas informações disponíveis até a véspera da partida. O jogo começa às 18h (horário de Brasília), com transmissão pelo canal SporTV no Brasil. O vencedor do Grupo L enfrentará o segundo colocado do Grupo K nas oitavas de final, em Atlanta, com data prevista para o início de julho.

Se Kane marcar novamente e a Inglaterra vencer com folga, o debate que ficará é outro: uma seleção que não consegue furar bloqueios compactos — como fez Gana — estará preparada para enfrentar equipes de alto nível no mata-mata? Ou o 6 a 1 de 2018 será apenas um número sem contexto para o que vem pela frente?