— Você viu o Kannemann ontem? Cara, 35 anos e ainda comanda o setor defensivo inteiro.
— Eu sei. Fico esperando ele desaparecer, e ele não desaparece.
— É, como diz o ditado: quem não tem cão caça com gato — e o Grêmio claramente prefere ter o cão.
Walter Kannemann não é o tipo de jogador que domina manchetes de mercado. É o tipo que aparece nas estatísticas de duelos aéreos vencidos, nas linhas de pressão que o treinador desenha no quadro branco — e que o Grêmio simplesmente não abre mão.
Onde ele está no jogo global
Nascido em 14 de março de 1991 em Concepción del Uruguay, Argentina, Kannemann chega à temporada 2026 com 35 anos e um perfil raro no Brasileirão Série A: zagueiro estrangeiro veterano que mantém regularidade de titular absoluto em clube da elite nacional.
Seus 184 cm e 86 kg formam um físico equilibrado para a função. Não é o zagueiro mais alto do campeonato, mas compensa com posicionamento e leitura de jogo — atributos que só o tempo consolida.
Na temporada atual, o argentino acumula 28 jogos, 1 gol e 2 assistências. Para um zagueiro de 35 anos, a participação ofensiva — mesmo que pontual — indica presença em bolas paradas e capacidade de construção pelo alto, algo que o Grêmio utiliza como recurso tático nos escanteios e faltas laterais.

O que os números dizem na comparação
Zagueiros com mais de 34 anos que mantêm sequência de 28 jogos em uma única temporada da Série A são estatisticamente escassos. O desgaste físico da posição — divididas, saltos, sprints defensivos — tende a reduzir a disponibilidade de veteranos nessa faixa etária.
O histórico de Kannemann no clube reforça essa consistência. Em 2023, foram 27 jogos na Série A com nota média de 6,76 nas avaliações de desempenho. Em 2021, 21 partidas na primeira divisão com média de 6,84. Mesmo em 2022, quando o Grêmio disputou a Série B após rebaixamento, Kannemann esteve presente em 8 jogos antes de encerrar a participação.
Em 2024, disputou 15 jogos na Série A e 5 na Copa Libertadores, com nota 7,10 na competição continental — sua melhor avaliação registrada nas temporadas disponíveis. O dado sugere que, em jogos de maior pressão e intensidade, o argentino eleva o nível.
A comparação com pares na mesma posição no Brasileirão 2026 esbarra na ausência de dados públicos consolidados de rivais diretos neste recorte. O que os números do próprio Kannemann permitem afirmar: 28 jogos em uma temporada aos 35 anos é volume de titular, não de reserva.
Onde ele se distingue dos rivais
A longevidade de Kannemann no Grêmio não é acidental. O clube atravessou o rebaixamento de 2021, a Série B de 2022 e o retorno à elite — e o zagueiro esteve presente em cada fase. Isso cria um ativo intangível que o mercado raramente precifica: o conhecimento institucional.
Zagueiros que chegam por empréstimo ou transferência precisam de tempo para assimilar o estilo de jogo, os companheiros de zaga e as exigências táticas do treinador. Kannemann elimina essa variável. Ele já sabe o que o Grêmio espera dele — e o Grêmio já sabe o que pode cobrar.
Nas competições continentais, sua nota 7,10 na Libertadores de 2024 supera as médias registradas em competições nacionais no mesmo período. O dado indica adaptação ao ritmo de jogos eliminatórios, onde o erro tem custo imediato e irreversível.
Sua participação em Copa do Brasil, Copa Libertadores, Copa Sudamericana, Campeonato Gaúcho e Série A ao longo dos anos no clube mostra versatilidade de calendário — capacidade de render em competições com formatos, adversários e pressões distintos.
A trajetória que aponta o teto
Kannemann chegou ao Grêmio como aposta em um zagueiro argentino com potencial de crescimento. Hoje, é o veterano que ancora o setor defensivo. O arco é claro: de peça com futuro a peça com presente.
A questão para os próximos 12 meses é objetiva. Aos 35 anos, o contrato vigente e a disposição física serão os fatores determinantes. O Grêmio não tem histórico recente de renovar contratos de veteranos acima dessa faixa etária por períodos longos — o que coloca 2026 como uma temporada de definição.
Se o ritmo de 28 jogos se mantiver até o final da Série A 2026, Kannemann terá entregado uma das temporadas mais completas de sua carreira no clube em termos de volume. Isso fortalece o argumento por renovação. Se o físico recuar no segundo semestre, o cenário muda.
No mercado sul-americano, zagueiros experientes com passagem por Libertadores e Série A têm demanda em clubes chilenos, equatorianos e colombianos que buscam liderança defensiva sem pagar os valores exigidos por atletas em ascensão. Essa é a rota mais realista caso o Grêmio não renove.

Por ora, o argentino segue em campo. Aos 35 anos e 28 jogos na temporada atual, o número que resume tudo é simples: ele ainda está lá.








