19 de abril de 2026. A bola entrou no canto esquerdo de Sánchez-Casal, Stamford Bridge emudeceu e Matheus Cunha correu em direção ao setor onde a torcida do Manchester United festejava fora de casa. Aquele gol solitário contra o Chelsea, pela 33ª rodada da Premier League, não era apenas o oitavo do atacante na temporada — era o resumo de um ciclo de transformação que o próprio Michael Carrick vem conduzindo desde que assumiu o comando dos Red Devils.
O que aconteceu
A história recente de Matheus Cunha no United se divide em três capítulos distintos. O primeiro foi na 22ª rodada, quando Carrick estreou no banco vermelho de Manchester com uma vitória por 2 a 0 sobre o City, em Old Trafford. Cunha entrou no segundo tempo e participou diretamente do segundo gol, fornecendo a assistência que selou o placar e interrompeu uma invencibilidade de 13 jogos do time de Pep Guardiola. O segundo capítulo veio contra o Chelsea: acionado por Bruno Fernandes com o adversário em desvantagem numérica — Fofana havia saído lesionado aos 40 minutos do primeiro tempo —, o paraibano mandou para o fundo das redes e garantiu os três pontos na visita a Stamford Bridge. O terceiro capítulo, mais amargo, aconteceu no duelo com o Liverpool: Cunha abriu o placar, mas o árbitro assinalou impedimento e o gol foi anulado. O United venceu assim mesmo, mantendo a invencibilidade de sete jogos sob Carrick.

Com esse resultado diante do Liverpool, os Red Devils acumularam 29 pontos na gestão do novo treinador e precisam de apenas mais dois para garantir uma vaga entre os cinco primeiros da Premier League. A equipe permanece na 3ª colocação faltando cinco rodadas para o encerramento do campeonato inglês.
Por que isso importa
Quando o Manchester United demitiu seu técnico anterior e apostou em Carrick — ex-volante da casa, sem grande currículo de títulos como treinador —, a movimentação foi recebida com ceticismo. O clube vinha de queda precoce na Copa da Inglaterra e de três empates consecutivos na liga. A questão que o torcedor fazia em voz baixa era direta: um técnico interino poderia reverter uma temporada agonizante?
Quem não tem cão caça com gato — e foi exatamente isso que Carrick fez ao apostar em Cunha como protagonista ofensivo. O atacante, que chegou ao United sem o glamour de um Mbappé ou a fanfarra de uma contratação milionária, acumula oito gols e participa de jogadas decisivas com regularidade crescente. Na avaliação do SportNavo, a relação entre técnico e jogador reflete uma dinâmica tática deliberada: Carrick posiciona Cunha entre linhas, aproveitando sua mobilidade para explorar espaços contra defesas organizadas.
A consistência do United em Old Trafford também chama atenção. Com exceção da derrota na estreia de Carrick, o time venceu seis partidas e empatou uma contra adversários da metade superior da tabela — retrospecto que inclui o Manchester City, o Liverpool e o Chelsea, três dos clubes mais poderosos da Premier League.
Quanto o impacto de Cunha pesa, de fato, nas decisões táticas de Carrick?
Os números por trás
Oito gols em uma temporada de Premier League já colocam Cunha entre os atacantes brasileiros mais produtivos na liga inglesa neste ciclo. O United, ao longo dos sete jogos sem derrota sob Carrick, acumulou 29 pontos na gestão do novo treinador — média superior a dois pontos por partida. O desempenho do Chelsea, adversário da 33ª rodada, foi comprometido logo aos 12 minutos, quando Estevão saiu lesionado; ainda assim, a vitória foi construída com eficiência e não dependeu apenas do infortúnio adversário.
O histórico contra o Liverpool merecia atenção especial: o United havia vencido apenas 3 dos últimos 19 confrontos diretos contra os Reds na Premier League antes desta temporada. A vitória por 2 a 1 no jogo de ida já havia sido uma quebra de paradigma; o resultado recente — com o gol de Cunha anulado pelo VAR — confirma que a equipe não depende de um único detalhe para sair com os três pontos. O Liverpool, por sua vez, venceu apenas uma das últimas 12 partidas contra times do top 3 nesta temporada e não somou nenhuma vitória fora de casa contra equipes da metade superior da tabela, dados que contextualizam a dimensão da série invicta do United.
Segundo apuração do SportNavo, a combinação de solidez defensiva em Old Trafford e produtividade de Cunha no setor ofensivo é o que diferencia este United do time errático que Carrick encontrou ao assumir o cargo. Casemiro, titular desde o início, e Bruno Fernandes, que participou diretamente dos gols contra City e Chelsea, compõem o eixo de criação que alimenta o atacante paraibano.
O próximo capítulo
Com 29 pontos sob Carrick e apenas dois pontos para assegurar matematicamente uma vaga entre os cinco primeiros, o Manchester United entra nas últimas cinco rodadas da Premier League em posição confortável, mas sem margem para relaxamento. A sequência de adversários e o aproveitamento dos concorrentes diretos definirão se o clube retorna à Champions League após temporadas de instabilidade. Para Carrick, a fase também serve de argumento concreto para uma negociação de contrato de longo prazo com a diretoria. Matheus Cunha, que já soma oito gols e pelo menos uma assistência decisiva nesta campanha, chega às rodadas finais como o nome mais relevante do ataque — e com uma chance clara de ampliar esse número antes do apito final da temporada 2025/26.









