14 de janeiro de 2026. Matheus Silva Ferreira da Costa completou 39 anos com um desafio concreto nas mãos: conduzir o Guarani numa Brasileirão Série A que não oferece segundas chances para quem titubeia na gestão do grupo. Não é uma metáfora — é a realidade de um treinador jovem que precisou amadurecer rápido numa posição em que a autoridade se constrói dia a dia, treino a treino, decisão a decisão.

Nascido em 1987, Matheus Costa pertence a uma geração de treinadores brasileiros que cresceu assistindo futebol numa época de transição tática acelerada — da marcação por zona ao pressing alto, do 4-4-2 clássico ao futebol posicional europeu. Essa formação híbrida, absorvida num período em que o Brasil ainda debatia se copiava ou criava, deixou marcas no jeito como ele enxerga o elenco: não como uma lista de nomes, mas como um organismo com hierarquias invisíveis que precisam ser gerenciadas com precisão cirúrgica.

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Como ele lida com a estrela do elenco

Treinadores jovens têm um problema clássico com jogadores de status: ou cedem demais para não criar atritos, ou endurecem além do necessário para afirmar autoridade. Matheus Costa, pela trajetória que construiu até chegar ao Guarani, parece ter compreendido que nenhuma dessas extremidades funciona. O bom regente de orquestra — para usar a analogia que o caso pede — não impõe silêncio ao primeiro violino, mas também não deixa que ele determine o andamento da peça inteira.

No contexto da Série A de 2026, onde o Guarani enfrenta adversários com folhas salariais consideravelmente maiores, a gestão da estrela do elenco tem uma dimensão extra: ela precisa produzir acima da média sem acreditar que o time gira em torno dela. É um equilíbrio delicado, e a forma como Matheus distribui responsabilidades táticas — exigindo que o jogador de maior prestígio cumpra funções defensivas e de transição — sinaliza que ele não negocia esse princípio.

Como ele lida com o jovem em ascensão

O perfil de João Pedro Chermont, o zagueiro de 20 anos do Coritiba com 30 jogos acumulados na temporada, foi acompanhado de perto por observadores do futebol brasileiro e registrado em publicações especializadas, conforme noticiado pelo SportNavo em junho de 2026. O dado importa aqui não pelo Coritiba em si, mas pelo que ele representa como fenômeno: a ascensão de jovens defensores com minutagem real num campeonato de alto nível é um indicador de como os treinadores da Série A encaram a aposta em talentos em formação.

Matheus Costa, com 39 anos, tem uma proximidade geracional com jogadores de 20 a 25 anos que pode ser tanto uma vantagem quanto uma armadilha. A vantagem é a comunicação mais fluida, o repertório cultural compartilhado, a capacidade de entender as referências do vestiário moderno. A armadilha é confundir proximidade com ausência de hierarquia. O que se observa no trabalho dele é uma gestão que usa essa proximidade como ferramenta de confiança, mas mantém a linha clara de quem decide e quem executa.

Como ele lida com o veterano em queda

Num clube como o Guarani, com história construída ao longo de décadas no futebol paulista, os veteranos carregam um peso simbólico que vai além da capacidade física atual. Lidar com um jogador de 34 ou 35 anos que já foi titular absoluto e hoje disputa posição com um garoto de 22 é um dos testes mais difíceis para qualquer comissão técnica — e especialmente para um treinador jovem que ainda está consolidando sua identidade no cargo.

A história do futebol brasileiro está repleta de exemplos de como essa equação pode dar errado nos dois sentidos. Telê Santana, nos anos 1980, era reconhecido pela capacidade de usar a experiência dos veteranos sem deixar que o peso da carreira deles paralisasse a renovação do grupo. No extremo oposto, há casos em que treinadores jovens afastaram jogadores experientes cedo demais, perdendo liderança de vestiário num momento crítico. Matheus Costa, pelo que se observa da construção do seu trabalho no Guarani, parece entender que veterano em queda ainda tem função — desde que ela seja redefinida com clareza e sem constrangimento público.

O ambiente que ele cria no vestiário

A Série A de 2026 tem exigido dos clubes menores uma coesão interna que compensa a disparidade de recursos. O Guarani, clube com torcida apaixonada em Campinas e uma das histórias mais ricas do interior paulista, precisa de um ambiente que transforme limitação em identidade. Não é diferente do que o Santos fez em ciclos históricos com elencos modestos, ou do que o Guarani do próprio Ademir Fonseca construiu nos anos 1970 antes de surpreender o país.

Matheus Costa trabalha com um conceito que técnicos experientes levam anos para internalizar: o vestiário não é democracia, mas também não é ditadura — é uma república com regras claras e canais de comunicação abertos. Reuniões de análise tática, conversas individuais antes de decisões de escalação, e a consistência de critérios que não mudam conforme o resultado do último jogo. Quando um treinador jovem consegue manter esse padrão sob pressão — e a Série A gera pressão constante, rodada após rodada — ele começa a construir algo mais duradouro do que uma campanha.

A trajetória de Matheus Silva Ferreira da Costa ainda está sendo escrita com letras pequenas, sem títulos continentais ou ciclos longos que permitam julgamentos definitivos. Mas o que o trabalho no Guarani em 2026 revela é um treinador que entendeu antes do tempo que o cargo exige mais gestão humana do que genialidade tática — o esquema importa, mas o vestiário fechado importa mais. Está construindo. Falta a consagração.