A noite de segunda-feira (27) em Manaus terminou com algemas. Melqui Galvão, 47 anos, um dos nomes mais reconhecidos do jiu-jitsu brasileiro, foi preso pela Polícia Civil do Amazonas na capital amazonense sob acusação de estupro de vulnerável, importação sexual, ameaça e invasão de dispositivo eletrônico. As vítimas são alunas menores de idade que frequentavam seu espaço de treinamento. A prisão sacudiu a comunidade de artes marciais do país e reacendeu o debate urgente sobre a segurança de crianças e adolescentes dentro de academias esportivas.

O ídolo que formava campeões — e as acusações que destroem uma carreira

Nas tatames, Melqui Galvão construiu uma reputação sólida ao longo de décadas. Treinador respeitado no circuito nacional de jiu-jitsu, ele era visto como referência técnica e figura de autoridade por alunos, pais e pela própria federação do esporte. O nome Galvão carrega peso no universo das kimonos — e foi exatamente essa posição de poder que, segundo as investigações da Polícia Civil do Amazonas, ele teria utilizado para cometer os crimes. A relação de confiança entre treinador e aluno, especialmente quando as alunas são menores de idade, está no centro das apurações.

Segundo apuração do SportNavo, as investigações apontam que os crimes ocorreram no contexto das atividades esportivas, dentro do ambiente que deveria ser de proteção e desenvolvimento das jovens atletas. A Polícia Civil do Amazonas conduziu a operação que resultou na prisão na noite desta segunda-feira, 27 de abril de 2026, após coleta de provas e depoimentos das vítimas.

As acusações e a investigação policial

A lista de crimes pelos quais Melqui Galvão responde é extensa e grave. Estupro de vulnerável — crime previsto no artigo 217-A do Código Penal, que enquadra relações sexuais com menores de 14 anos independentemente de consentimento — encabeça as acusações. A ele se somam importunação sexual, ameaça e invasão de dispositivo eletrônico, o que sugere que o investigado teria acessado celulares ou perfis digitais das vítimas, possivelmente para monitorá-las ou silenciá-las.

A tipificação de invasão de dispositivo eletrônico indica que a investigação encontrou evidências digitais relevantes para o caso, um dado que tende a fortalecer a acusação formal. A Polícia Civil do Amazonas, responsável pela operação, não divulgou o número exato de vítimas até o momento da publicação desta reportagem, mas confirmou que se trata de alunas menores de idade.

Segundo informações repassadas pela Polícia Civil do Amazonas às redações locais, a prisão foi realizada após investigações que reuniram depoimentos das vítimas e provas materiais suficientes para sustentar a detenção do acusado.

O impacto no jiu-jitsu brasileiro

O caso Melqui Galvão expõe uma ferida que o esporte de alto rendimento brasileiro insiste em ignorar: a vulnerabilidade de crianças e adolescentes diante de figuras de autoridade dentro de academias. O jiu-jitsu, esporte que acumula medalhas mundiais e olímpicas para o Brasil, forma atletas desde a infância em um ambiente de contato físico intenso e relação hierárquica forte entre mestre e aluno — um terreno que, sem supervisão e protocolos claros de salvaguarda, pode ser explorado por abusadores.

A repercussão na comunidade de artes marciais foi imediata. Nas redes sociais, atletas, faixas-pretas e ex-alunos manifestaram choque com a prisão de um nome tão estabelecido no cenário nacional. O caso levanta questionamentos sobre a existência — ou ausência — de mecanismos de denúncia e proteção dentro das federações estaduais e da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu.

Nas palavras de especialistas em direito esportivo ouvidos pela imprensa local, casos como o de Galvão evidenciam a necessidade urgente de protocolos de salvaguarda infanto-juvenil obrigatórios para academias e clubes em todo o território nacional.

Os próximos passos legais

Preso em flagrante ou por ordem judicial — a modalidade da prisão será confirmada durante a audiência de custódia, que deve ocorrer em até 24 horas após a detenção, conforme determina o Código de Processo Penal brasileiro. O caso será encaminhado ao Ministério Público do Amazonas, que decidirá pelo oferecimento da denúncia formal. Se condenado pelo crime de estupro de vulnerável, Melqui Galvão pode enfrentar pena de 8 a 15 anos de reclusão, podendo ser ampliada dependendo das circunstâncias e do número de vítimas reconhecidas pelo tribunal.

De acordo com o SportNavo, a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu ainda não se pronunciou oficialmente sobre a prisão do treinador até o fechamento desta edição. A audiência de custódia de Galvão está prevista para as próximas horas em Manaus, e o Ministério Público do Amazonas deve se manifestar formalmente sobre o caso ainda nesta semana.