Quando Lionel Scaloni ergueu a taça da Copa do Mundo no Qatar, em 18 de dezembro de 2022, a Argentina celebrava com um elenco que tinha idade média de 28,8 anos. Passados dois anos e meio, o técnico enfrenta o dilema clássico de toda seleção campeã: como renovar sem perder a essência que levou ao título. Para a Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México entre junho e julho, apenas uma pequena parcela dos 26 convocados do Qatar deve manter condições físicas e técnicas para defender novamente a Albiceleste.
Os veteranos na linha de largada
Aos 37 anos, Lionel Messi será o grande desafio de longevidade para Scaloni. O capitão argentino, que completará 39 anos durante a Copa de 2026, já admitiu que esta será sua última participação no torneio. No Inter Miami, o craque mantém números impressionantes: 20 gols e 16 assistências em 19 jogos na temporada 2024 da MLS, provando que ainda possui combustível para mais dois anos de alto nível.
Ángel Di María, aos 36 anos, encerrou oficialmente o ciclo com a seleção após a Copa América de 2024, disputada nos Estados Unidos. O veterano do Benfica anunciou a aposentadoria da Albiceleste após conquistar seu segundo título continental, deixando um legado de 145 jogos e 31 gols pela Argentina desde 2008.
"Sempre sonhei em terminar assim, ganhando algo importante com essa camisa. É o momento perfeito para dizer adeus", declarou Di María após a final contra a Colômbia, em julho de 2024.
A zona de risco etário
Nicolas Otamendi representa o maior dilema da renovação argentina. O zagueiro do Benfica, que terá 38 anos durante a Copa de 2026, foi peça fundamental na campanha do Qatar, atuando em seis dos sete jogos. Sua liderança defensiva e experiência em grandes competições fazem dele um dos últimos veteranos que Scaloni ainda considera para o próximo ciclo, apesar da idade avançada.
Rodrigo De Paul, meio-campista do Atlético de Madrid, enfrentará o desafio de manter-se relevante aos 32 anos. O jogador, que foi titular em todos os jogos da Copa de 2022, perdeu espaço na equipe de Diego Simeone na temporada 2023-24, disputando apenas 28 partidas na La Liga. Sua permanência na seleção depende diretamente da recuperação do protagonismo no clube espanhol.
Emiliano Martínez, aos 32 anos durante a próxima Copa, representa um caso particular. O goleiro do Aston Villa mantém desempenho consistente na Premier League e foi fundamental nas conquistas recentes da Argentina, incluindo a defesa decisiva na final contra a França. Sua posição específica permite maior longevidade, e Scaloni dificilmente abriria mão de sua segurança debaixo das traves.
A nova geração em ascensão
Alejandro Garnacho emerge como o principal candidato a herdar o legado ofensivo argentino. O ponta do Manchester United, de apenas 20 anos, já foi convocado por Scaloni e representa a renovação natural do ataque. Na temporada 2023-24, marcou 10 gols em 50 jogos pelos Red Devils, mostrando maturidade precoce para sua idade.
Valentín Carboni, meio-campista de 19 anos emprestado pela Inter de Milão ao Monza, figura entre as apostas de Scaloni para o meio-campo. O jovem argentino disputou 32 partidas na Serie A italiana na temporada passada, chamando atenção pela versatilidade tática e qualidade técnica refinada.
"Temos uma geração muito talentosa chegando. O desafio é integrá-los sem perder a identidade que nos trouxe até aqui", afirmou Scaloni em entrevista coletiva durante as Eliminatórias Sul-Americanas de 2024.
Facundo Buonanotte, meia-atacante do Brighton de 19 anos, representa outra opção para a renovação criativa. O jogador soma 28 jogos pela equipe inglesa na Premier League 2023-24, demonstrando adaptação rápida ao futebol europeu de elite.

O espelho histórico das renovações
A história das Copas do Mundo oferece precedentes interessantes sobre renovação de elencos campeões. A Espanha de 2014 manteve 18 dos 23 jogadores de 2010, mas fracassou na fase de grupos. A Alemanha de 2018 repetiu 15 nomes de 2014 e também caiu precocemente. O Brasil de 1966 convocou 16 veteranos de 1962 e não passou da primeira fase na Inglaterra.

Scaloni parece consciente destes precedentes históricos. Nas últimas convocações para as Eliminatórias, o técnico tem testado 12 jogadores que não estiveram no Qatar, incluindo nomes como Valentín Barco (Brighton), Giuliano Simeone (Atlético Madrid) e Thiago Almada (Atlanta United).
A Argentina ocupa atualmente a segunda posição nas Eliminatórias Sul-Americanas, com 22 pontos em 12 jogos. A próxima Data FIFA será em março de 2025, quando Scaloni terá nova oportunidade de observar seus jovens talentos antes das definições finais para a Copa de 2026.

