Não é a Argentina quem lidera a corrida ao título da Copa do Mundo 2026. Quem diz isso não é um analista europeu com viés continental — é Lionel Messi, o homem que ergueu a taça em Lusail em dezembro de 2022 e que, aos 38 anos, ainda carrega a faixa de capitão albiceleste. Numa entrevista publicada nesta sexta-feira a um canal do YouTube, o atacante do Inter Miami foi direto: França e Espanha chegam melhor ao torneio que começa em 11 de junho nos Estados Unidos, México e Canadá.

O diagnóstico de Messi antes do apito inicial

A declaração tem peso específico porque parte de dentro do vestiário campeão. Messi reconheceu que a seleção argentina enfrenta problemas de lesões e falta de ritmo em alguns jogadores, mas não descartou o sonho. A Argentina ocupa o terceiro lugar no ranking da FIFA, atrás justamente de França e Espanha — ordem que coincide com a hierarquia traçada pelo próprio craque.

JOÃO PEDRO FALA SOBRE FLUMINENSE, EXPECTATIVA PARA A COPA DO MUNDO, ANCELOTTI E MAIS! | ENTREVISTA
"Há muitos jogadores que estão se lesionando ou com falta de ritmo, mas quando o grupo está junto, ficou demonstrado que compete e sempre quer vencer. Mas sabemos que a Copa do Mundo é sempre complicada por causa das equipes que estão lá", disse Messi na entrevista.

A França foi a primeira na lista do campeão mundial. Messi afirmou que os franceses estão "muito bem novamente" e contam com "muitos jogadores de alto nível" — referência a um elenco que reúne Mbappé, agora no Real Madrid, e uma geração de meio-campistas e defensores que disputam as maiores ligas europeias. A Espanha, atual campeã europeia, ficou em segundo lugar na avaliação do argentino. Na sequência, Messi citou Brasil, Alemanha, Inglaterra e Portugal como seleções competitivas, descrevendo os lusitanos como detentores de "uma seleção muito competitiva".

"Temos que sonhar, como os argentinos sempre sonham toda vez que há uma competição oficial, seja a Copa América ou a Copa do Mundo, mas também sabemos que à nossa frente há outros favoritos, que chegam melhor como grupo", acrescentou o jogador.

Argentina no Grupo J e a sombra da sucessão

Quando o grupo está junto, como o próprio Messi sublinhou, a Argentina é capaz de qualquer coisa — e o caminho até a fase eliminatória parece favorável. Na primeira fase, os argentinos integram o Grupo J ao lado de Argélia, Áustria e Jordânia, adversários que dificilmente representam ameaça real para a bicampeã da América. O torneio vai de 11 de junho a 19 de julho, com a final marcada para o MetLife Stadium, em Nova Jersey.

O que pesa mais do que o grupo é a questão da continuidade. Messi completará 39 anos durante o torneio e evitou confirmar publicamente sua presença na convocação — na última rodada das eliminatórias, esquivou-se da imprensa. Mesmo assim, o ambiente argentino trabalha com a expectativa de que ele estará na lista do técnico Lionel Scaloni. Mais revelador foi o que Messi disse sobre o ciclo seguinte: deixou claro que não fará parte da próxima etapa da seleção após o Mundial, sinalizando que este será seu último torneio com a camisa albiceleste.

Quando fala do futuro da Argentina sem ele, Messi não esconde a preocupação com a exigência do torcedor. Quando descreve o desafio para o próximo técnico — seja Scaloni ou outro nome —, o tom é de alerta genuíno: "Será difícil também para quem vier... Somos um país que exige, que não quer nada além de resultados", afirmou. Como diz o ditado popular, quem não tem cão caça com gato — e a Argentina pós-Messi precisará encontrar líderes onde talvez ainda não os tenha.

O diagnóstico de Messi antes do apito inicial Messi vê França e Espanha na frent
O diagnóstico de Messi antes do apito inicial Messi vê França e Espanha na frent

O pedido por Neymar e o que ele revela sobre a Seleção Brasileira

No mesmo papo, Messi foi além das análises táticas e entrou no território afetivo. Perguntado sobre a Seleção Brasileira, o argentino declarou que torce pela convocação de Neymar, atualmente no Santos após retornar ao clube que o revelou. A fala é politicamente carregada: num momento em que Carlo Ancelotti ainda pondera a lista definitiva, a opinião do maior jogador em atividade — e rival histórico do Brasil — sobre quem deveria estar no elenco adversário funciona como combustível para o debate interno.

Neymar completou 34 anos em fevereiro e voltou a jogar pelo Santos no Brasileirão 2026 após um longo período de recuperação de lesão no joelho. O atacante ainda não somou minutos suficientes para convencer parte da comissão técnica sobre sua condição física ideal, mas o retorno aos gramados e o apoio público de Messi reacendem a discussão sobre seu papel no torneio. A Copa do Mundo começa em 33 dias — tempo suficiente para Ancelotti bater o martelo e para Neymar mostrar, dentro de campo, que o pedido do amigo argentino tem respaldo nos números.