Domingo, 3 de maio de 2026. Enquanto Igor Thiago, Luiz Henrique e Matheus Cunha construíam argumentos dentro de campo para pressionar por uma vaga na Copa do Mundo, Neymar produzia o argumento contrário a quilômetros de distância, num treino de campo reduzido no CT Rei Pelé, na Baixada Santista. O atacante do Santos teria dado uma rasteira em Robinho Jr., de 18 anos, após levar um drible do jovem — e o episódio saiu do vestiário, chegou à mídia internacional e agora está nas mãos da diretoria santista.
O que mudou
Robinho Jr. não ficou quieto. O filho do ex-jogador Robinho acionou seus empresários, enviou uma notificação extrajudicial ao Santos e solicitou ao clube acesso às imagens das câmeras do treinamento, além de uma reunião com a diretoria para discutir seu futuro no elenco. O Santos confirmou oficialmente que investiga o caso. Não é um rumor de bastidor: é um processo formal em andamento, com documentação. Para um atleta que disputou apenas oito jogos nesta temporada de 2026 — todos saindo do banco —, a decisão de formalizar a denúncia revela que o ambiente no CT está longe de ser saudável.
Há quem diga que brigas em treino fazem parte do futebol competitivo e que Neymar não deveria ser julgado por um lance isolado. O argumento tem alguma lógica histórica, mas ignora o contexto específico: o atacante não entrou em campo no último jogo do Santos alegando desconforto com o gramado sintético, foi excluído da relação de relacionados e, dias antes, havia sido ovacionado na Argentina durante partida contra o San Lorenzo pela Copa Sul-Americana. A oscilação entre o endeusamento externo e a instabilidade interna é o retrato mais fiel do momento de Neymar.
A repercussão ultrapassou as fronteiras. Veículos internacionais descreveram o comportamento do camisa 10 com uma frase objetiva:
"Perdeu a cabeça"— síntese que circulou em portais europeus e sul-americanos e que diz mais sobre a imagem atual do jogador do que qualquer estatística de passes certos.
Por que agora
A análise do SportNavo sobre o calendário da Seleção mostra que Ancelotti anunciará a lista oficial da Copa do Mundo em aproximadamente 14 dias. Nesse intervalo, o Santos ainda tem quatro jogos. Neymar precisa de minutos, de gols, de assistências — e, acima de tudo, de silêncio fora de campo. Conseguir as três coisas ao mesmo tempo tem sido, para ser preciso, algo próximo de uma raridade em escala histórica. Seria injusto chamar de maldição — mas é uma maldição em escala doméstica.
O técnico italiano tem um critério que vai além da qualidade técnica: ele busca jogadores com perfil de grupo, capazes de aceitar hierarquias dentro do elenco sem criar turbulência. O Santos acumula seis jogos sem vencer, vive crise de resultados e agora enfrenta um processo interno de investigação envolvendo seu jogador mais famoso. Neymar tropeça, literalmente, na própria perna em campo — e tropeça, figurativamente, em decisões fora dele.
Robinho Jr. se profissionalizou em 2025 e encerrou aquela temporada em alta. Em 2026, perdeu espaço para as novas contratações no setor ofensivo santista e sua última aparição em campo foi em 8 de abril, na derrota por 1 a 0 para o Deportivo Cuenca (Equador) pela Copa Sul-Americana. Seu contrato vai até abril de 2027, mas as conversas de renovação estavam travadas justamente pela baixa minutagem — o que torna o episódio ainda mais delicado para o clube, que agora precisa gerir dois atletas em situações fragilizadas simultaneamente.
O que vem em seguida
A questão central não é se Neymar merece ou não estar na Copa do Mundo pelo que já fez na carreira. A questão é se ele oferece, neste momento, mais do que custa — e o custo deixou de ser apenas físico. Igor Thiago, Luiz Henrique e Matheus Cunha têm menos renome, mas entregam consistência dentro de campo e não geram processos extrajudiciais em treinos. Ancelotti não precisa de um jogador que precise ser gerenciado emocionalmente a cada semana.
Segundo apuração do SportNavo junto a fontes próximas ao processo de convocação, o comportamento fora de campo tem peso real na avaliação do técnico italiano — e não é uma variável secundária. A lista da Copa do Mundo não é construída apenas com recortes de gols e assistências; ela carrega uma lógica de vestiário que Ancelotti leva a sério. Um jogador que reage com agressão física a um drible de um companheiro de 18 anos em treino não transmite o equilíbrio que um torneio de seis semanas exige.
O Santos entra em campo ainda nesta semana, e Neymar precisa aparecer — dentro do campo, com o placar a favor, sem novas polêmicas. Vale acompanhar a próxima rodada para entender se o atacante ainda tem condições de mudar a narrativa antes que Ancelotti feche a lista.









