Cento e quarenta gols e 56 assistências em 311 jogos. Esses são os números que Givanildo Vieira de Sousa, o Hulk, deixa registrados no histórico do Atlético-MG após cinco anos de vínculo encerrado oficialmente nesta sexta-feira, 1º de maio de 2026. A rescisão foi amigável, confirmada pelo próprio clube mineiro nas redes sociais, e abre caminho para o atacante de 39 anos assinar com o Fluminense — acordo já costurado entre o empresário do jogador e o presidente tricolor Mário Bittencourt, com contrato previsto até o final de 2027, sem cláusula de renovação automática.

A despedida e o peso do que ficou

O último jogo oficial de Hulk pelo Galo foi contra o Ceará, pela Copa do Brasil. Depois disso, ele foi preservado — deliberadamente cortado do duelo contra o Flamengo no Brasileirão para não ultrapassar o limite de 12 partidas disputadas por um clube na temporada, o que o impediria de atuar por outra equipe no mesmo campeonato. A cautela revela que a negociação com o Fluminense já estava avançada há semanas, antes mesmo do anúncio oficial. O clube ainda prepara uma festa de despedida na Arena MRV para o dia 10 de maio, antes da partida contra o Botafogo pelo Brasileirão.

"Eu nunca me preparei para esse momento de despedida, porque, no fundo, achei que algumas histórias não iam ter fim. Eu sou o Hulk Paraíba, mas aqui eu também virei o Hulk Mineiro", escreveu o atacante em mensagem publicada nas redes sociais, visivelmente emocionado.

A declaração sintetiza uma relação que vai além dos títulos — oito conquistas em cinco temporadas, incluindo a Libertadores de 2021. Mas o sentimentalismo da despedida não pode ofuscar a análise fria do que o Fluminense está contratando: um atacante de 39 anos com histórico recente de gestão de minutagem e carga física reduzida.

Os números que embasam — e os que preocupam

A média de Hulk no Atlético-MG ao longo dos cinco anos é impressionante no agregado: 0,45 gols por jogo. Mas a curva descendente importa mais do que a média histórica. Nos últimos 18 meses, o atacante foi utilizado de forma cada vez mais pontual pela comissão técnica atleticana, com participações concentradas em jogos de alto impacto emocional, não necessariamente nos de maior desgaste físico. A gestão de sua participação contra o Flamengo — cortado para preservar elegibilidade — ilustra que o próprio clube já o enxergava como peça de rotatividade, não de titularidade fixa.

A apuração do SportNavo junto a fontes ligadas ao mercado carioca indica que o Fluminense não espera um Hulk de 90 minutos por semana. A ideia do Tricolor é utilizá-lo como referência ofensiva em jogos de maior necessidade técnica e experiência, especialmente na Copa Libertadores, competição para a qual o clube se classifica diretamente por ocupar a terceira posição no Brasileirão 2026.

Encaixe tático no Tricolor das Laranjeiras

O Fluminense de 2026 opera predominantemente com uma linha de três na frente, com liberdade de movimentação para os extremos e um centroavante que prende a marcação adversária. Hulk sempre foi mais eficiente como segundo atacante pelo lado esquerdo ou como centroavante de área, e sua chegada obriga uma adaptação do esquema ou uma concorrência direta com os atacantes já titulares. Aos 39 anos, sua velocidade de aceleração está reduzida — dado observável nos últimos jogos pelo Galo —, mas o posicionamento, a finalização e a liderança dentro de campo permanecem como diferenciais reconhecíveis.

"Eu dei tudo. Meu corpo, minha mente, meu coração", afirmou o atacante na carta de despedida ao Atlético-MG, sinalizando o nível de entrega que promete replicar no novo desafio.

A questão financeira do contrato não foi divulgada oficialmente, mas o acordo até dezembro de 2027 sugere um vínculo de médio prazo para os padrões do futebol brasileiro nessa faixa etária — e indica que o Fluminense enxerga Hulk além de uma solução imediata, possivelmente como figura de transição para uma função de liderança técnica no plantel.

O impacto na corrida por títulos em 2026

Terceiro colocado no Brasileirão com o campeonato ainda em fase inicial, o Fluminense busca consolidar um elenco competitivo para brigar em duas frentes simultaneamente — tarefa que exige profundidade no banco, e não apenas qualidade no time titular. Nesse contexto, a contratação de Hulk tem lógica de gestão de elenco: ele não vem para substituir ninguém, vem para agregar numa fase do torneio em que experiência internacional e frieza nas decisões valem mais do que dinamismo físico.

A análise do SportNavo aponta que o maior teste para essa contratação virá nas fases eliminatórias da Libertadores, possivelmente a partir de agosto, quando o cansaço acumulado dos titulares e a pressão de jogos únicos criam o ambiente ideal para um veterano como Hulk entrar e decidir — exatamente o papel que ele exerceu nos momentos mais críticos da campanha atleticana de 2021. O Fluminense estreia na fase de grupos da Libertadores já na próxima semana, e Hulk, se regularizado a tempo, pode aparecer na lista de relacionados ainda no mês de maio.