O murmúrio que varreu as arquibancadas da Arena da Baixada na noite desta quinta-feira (13) não era de decepção — era de incredulidade. O Athletico-PR, em casa, diante de sua torcida, terminou em 0 a 0 contra um Atlético-GO que ocupa a zona de rebaixamento da Série B. Um adversário que precisava da vitória para faturar cerca de R$ 3 milhões em premiação da Copa do Brasil. O Furacão não deu nem esse presente ao rival.

O que os números revelam sobre o vácuo tático do Athletico

O primeiro tempo foi um cancelamento mútuo: arbitragem travada em faltas sucessivas e criatividade zero dos dois lados. Na segunda etapa, o Atlético-GO optou por bloco baixo compacto — e o Athletico, com mais posse de bola, simplesmente não encontrou caminhos. O xG (gols esperados, métrica que calcula a qualidade das chances criadas) do Athletico no jogo ficou abaixo de 0.5, número que, para um time da Série A enfrentando lanterna da Série B, equivale a uma confissão tática. Quando uma equipe de divisão superior não consegue criar nem meia chance de gol por partida contra um bloco defensivo modesto, o problema não é operacional — é estrutural.

O que os números revelam sobre o vácuo tático do Athletico O silêncio constrange
O que os números revelam sobre o vácuo tático do Athletico O silêncio constrange
"Um time que não consegue quebrar um 4-5-1 de segunda divisão precisa olhar para dentro, não para fora. A crise não é de resultado, é de identidade", avaliou um comentarista da rádio esportiva local ao fim da partida.

Bruninho recusa viagem e o vestiário do Athletico acumula sinais de alerta

Nos bastidores, um episódio chamou atenção antes mesmo da bola rolar em Goiânia. O jovem de 17 anos Bruninho, uma das apostas do técnico Odair Hellmann para o setor ofensivo, pediu para não viajar e ficou em Curitiba. O motivo tem endereço certo: o atleta está encaminhado para o Shakhtar Donetsk quando completar 18 anos, e fontes próximas ao clube indicam que a negociação já está em fase avançada. Quando um jogador de 17 anos, com contrato praticamente acertado com clube europeu, opta por poupar-se de um jogo de Copa do Brasil, o sinal que isso emite ao grupo é corrosivo — independentemente da justificativa técnica. O SportNavo apurou que a situação gerou desconforto interno, com parte da comissão técnica questionando o precedente aberto pela diretoria ao aceitar a recusa sem contestação pública.

A torcida do Athletico e a pressão que já chegou ao banco de reservas

Nas redes sociais e nas imediações da Arena da Baixada, a palavra que mais circulou foi "vergonha". A torcida atleticana, que já vinha monitorando o rendimento irregular de Odair Hellmann no comando, encontrou no empate contra o Dragão goiano o gatilho para uma cobrança mais organizada e vocal. O fato de o Atlético-GO decidir a vaga em casa, no Estádio Antônio Accioly, em Goiânia, aumenta o peso do resultado — o Athletico terá que vencer fora para avançar, algo que o próprio desempenho desta quinta-feira sugere ser tarefa árdua para este elenco no momento atual.

Antes do jogo de volta, o Athletico ainda enfrenta o Vitória na próxima rodada do Campeonato Brasileiro, no domingo (26), às 18h30, na Arena da Baixada — partida válida pela 13ª rodada da Série A. Três pontos ali não apagam o vexame desta quinta, mas podem ao menos comprar tempo para que Odair reorganize um time que, hoje, não tem respostas quando o adversário simplesmente fecha os espaços e espera.