Caiu. Não de qualquer forma — caiu de uma lista que Alan havia conquistado com MVP de Copa do Mundo, com anos de entrega à amarelinha e com a resiliência de quem voltou a jogar depois de romper o tendão de Aquiles. Nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) divulgou os 30 atletas inscritos por Bernardinho para a Liga das Nações (VNL) 2026, e o nome de Alan simplesmente não estava lá.

O diagnóstico que Bernardinho não precisou explicar em voz alta

A ausência de Alan na lista da VNL 2026 não foi surpresa para quem acompanhou a Superliga Masculina 2025/26 com atenção estatística. Aos 32 anos, o oposto do Skra Bełchatów, da Polônia, carrega um histórico de interrupções que a comissão técnica brasileira não consegue mais ignorar: em 2022, a ruptura do tendão de Aquiles da perna direita o tirou da Liga das Nações e do Mundial; às vésperas de Paris 2024, uma lesão na panturrilha esquerda durante treino da Seleção o deixou de fora das Olimpíadas. Dois ciclos consecutivos comprometidos por problemas físicos pesam de forma objetiva no critério de convocação de qualquer treinador — e Bernardinho nunca foi conhecido por romantismo na hora de escalar.

Segundo apuração do SportNavo junto a fontes próximas à comissão técnica, o fator preponderante não foi apenas o histórico de lesões, mas a ausência de sequência competitiva em alto nível dentro do Brasil. Alan atuou na Europa nesta temporada, longe do radar da Superliga, enquanto dois opostos construíam argumentos sólidos dentro das quadras nacionais.

Oppenkoski e Bryan fizeram a Superliga virar um teste seletivo

A Superliga Masculina 2025/26 funcionou, na prática, como um laboratório de observação para Bernardinho. Oppenkoski, oposto do Cruzeiro, e Bryan, do Guarulhos, protagonizaram uma disputa de alto rendimento ao longo da temporada que convenceu a comissão técnica antes mesmo do encerramento do campeonato. Seria injusto chamar de era — mas é uma era em escala doméstica o que esses dois atletas parecem ter inaugurado na posição de oposto da amarelinha.

Nas avaliações técnicas por fundamento, os dois se destacaram especialmente no ataque de primeira tempo e no aproveitamento de bola rápida, métricas que Bernardinho prioriza no sistema ofensivo da Seleção. A eficiência de saque também figurou acima da média entre os opostos da competição, um dado que pesa diretamente na escolha do treinador, que historicamente valoriza opostos com capacidade de pressão no saque flutuante.

A trajetória de Alan e o peso de 2019 até hoje

Alan estreou na Seleção Brasileira em 2019, convocado emergencialmente após Wallace ficar fora da Copa do Mundo. A estreia não foi apenas satisfatória — ele foi eleito MVP do torneio, um feito que transformou sua posição no grupo de imediato. Nos anos seguintes, dividiu a titularidade com Darlan, seu irmão, numa alternância que gerou debates entre os analistas do circuito nacional sobre qual dos dois deveria ser o oposto titular fixo.

Nas palavras da própria comissão técnica, segundo relatos divulgados pela imprensa esportiva, o temor central era a falta de sequência: um oposto que não consegue disputar competições inteiras compromete o entrosamento com levantadores e liberos, funções que dependem de repetição de padrão para funcionar no alto rendimento. Alan, atualmente no Skra Bełchatów, jogou a temporada polonesa longe dos olhos da CBV e sem a regularidade física que Bernardinho exige dos seus convocados.

O que a ausência de Alan projeta para os próximos meses

A VNL 2026 começa a ser disputada em junho, com o Brasil inserido no grupo de favoritos ao título. A competição servirá como termômetro direto para Oppenkoski e Bryan — e o desempenho de ambos ao longo das semanas de torneio definirá quem entra como titular nos confrontos decisivos. Se um dos dois se firmar com números acima de 55% de aproveitamento no ataque e eficiência superior a 20% no saque, a posição de oposto da Seleção pode estar resolvida por mais de um ciclo olímpico.

Para Alan, o caminho de volta passa por uma temporada europeia sem lesões e, possivelmente, por um retorno ao vôlei brasileiro que lhe devolva visibilidade dentro do radar da CBV. O próximo grande ponto de corte será a convocação para o Mundial, previsto para o segundo semestre de 2026 — e a janela ainda está aberta, desde que o físico coopere.

Caiu. E agora a pergunta que fica não é sobre o passado de Alan, mas sobre o que Oppenkoski e Bryan farão com a oportunidade a partir de junho na VNL 2026.