Não, a Copa do Mundo 2026 ainda não eliminou ninguém oficialmente — mas na madrugada deste sábado, às 1h (de Brasília), no Levi's Stadium em San Francisco, um time vai sair do gramado praticamente fora do torneio. Paraguai e Turquia, dois derrotados na estreia, se enfrentam num jogo onde o critério de desempate é o confronto direto. Quem perder torce muito, e ainda depende de resultado alheio para continuar acreditando.
Como duas estreias fracassadas criaram esse pesadelo no Grupo D
O Paraguai foi engolido pelos Estados Unidos na abertura do grupo: 4 a 1, com apenas 35% de posse de bola e míseras 9 finalizações ao longo dos 90 minutos. Em termos de xG (gols esperados) — a métrica que mede a qualidade das chances criadas com base no ângulo, distância e tipo de finalização — o volume ofensivo paraguaio foi irrelevante. Nove chutes, a maioria de fora da área ou em posições desfavoráveis, geram xG próximo de zero. Não foi azar: foi falta de criação estruturada.
A Turquia viveu outro tipo de drama. Dominou a Austrália com 72% de posse de bola — terceira seleção com mais controle de bola em toda a primeira rodada — e liderou o torneio em finalizações com 30 chutes ao gol. Trinta. E perdeu 2 a 0. Arda Güler, o meia de 21 anos do Real Madrid, finalizou sozinho oito vezes sem converter nenhuma. Quando o xG é alto e os gols não saem, o problema geralmente está na eficiência e no posicionamento nas finalizações — e foi exatamente isso que aconteceu.
Como diria qualquer torcedor que já assistiu a um jogo do Inter no Beira-Rio num domingo de chuva em Porto Alegre: criar chance e não fazer gol dói de um jeito diferente. A Turquia sabe bem o que é isso agora.
O que os números revelam sobre o duelo de estilos que vem aí
Essa partida vai ser um estudo de contrastes táticos que merece atenção. Olha o que os dados da primeira rodada já indicam:
- Posse de bola: Turquia 72% vs. Paraguai 35% — provavelmente o maior contraste entre duas seleções na rodada inicial
- Finalizações: Turquia 30 vs. Paraguai 9 — a diferença em volume ofensivo é abissal
- PPDA (passes permitidos por ação defensiva): o Paraguai tende a bloquear linhas de passe e forçar o adversário a jogar longo — estilo reativo clássico que comprime o PPDA adversário
- Progressive passes (passes progressivos): a Turquia constrói pelo terço médio com passes que avançam o jogo em direção ao gol — Arda Güler e Kenan Yildiz são os principais condutores dessa progressão
Kenan Yildiz, o atacante da Juventus de 21 anos, ficou no banco na estreia enquanto se recuperava de lesão. Deve ser titular agora. Se Güler e Yildiz atuarem juntos desde o início — o que não aconteceu contra a Austrália, onde dividiram apenas o segundo tempo —, a Turquia vai ter o ataque mais qualificado do grupo em campo.
Do lado paraguaio, as atenções se voltam para os sete jogadores que atuam no Brasileirão: Balbuena (Grêmio), Junior Alonso (Atlético-MG), Gustavo Gómez, Mauricio e Sosa (Palmeiras), Bobadilla (São Paulo) e Isidro Pitta (Bragantino). Gustavo Gómez, capitão e zagueiro titular do Palmeiras, será o principal nome defensivo paraguaio tentando conter a pressão turca.
"A Turquia tem um estilo ofensivo e gosta de ter a bola, enquanto o Paraguai aposta em um jogo reativo e forte na defesa", resumiu a análise pré-jogo amplamente circulada entre as coberturas do torneio.
Os cenários de classificação que definem o que cada time precisa fazer
O critério de desempate do confronto direto transforma essa partida num mata-mata disfarçado. Aqui estão os cenários, sem rodeio:
- Paraguai perde: precisa torcer para a Austrália não pontuar contra os EUA. Se a Austrália vencer ou empatar, o Paraguai está fora matematicamente antes da terceira rodada.
- Turquia perde: precisa que os EUA não pontuem contra a Austrália. Mesma lógica — derrota turca combinada com vitória dos EUA encerra a Copa da Turquia na segunda rodada.
- Empate: os dois seguem vivos com 1 ponto cada, mas a classificação ainda depende da terceira rodada.
A partida EUA x Austrália acontece em paralelo — o que significa que os torcedores de Assunção e Istambul vão estar com um olho no Levi's Stadium e outro no segundo estádio, numa tensão dupla que só a Copa do Mundo consegue fabricar.

Levantado em matéria do SportNavo, o ponto central é que o sistema de critérios da FIFA transforma o confronto direto em trunfo ou sentença. Se Turquia e Paraguai empatarem e o outro jogo também terminar empatado, os quatro times chegam à última rodada com 1 ponto — e aí qualquer resultado é possível. Mas se alguém perder aqui em San Francisco esta madrugada, o trabalho de recuperação precisará ser quase perfeito.
A terceira rodada do Grupo D acontece no dia 26 de junho: Paraguai x Austrália e EUA x Turquia. Até lá, o resultado desta madrugada vai definir se ainda há Copa para todo mundo — ou se o primeiro eliminado já tem nome e bandeira.








