13 de maio de 2026. Nesta quarta-feira à noite, o Santos enfrenta o Coritiba no Couto Pereira, às 19h30, pela Copa do Brasil — e Neymar entra em campo com cinco dias para mudar a história da sua quarta convocação para uma Copa do Mundo. Carlo Ancelotti anuncia a lista no dia 18, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O que separa Neymar de estar nela, segundo o próprio treinador, não é talento — é a resposta do corpo.
O padrão de Neymar antes de cada convocação
Revisitar os três ciclos anteriores revela um protagonista que nunca chegou a uma Copa do Mundo em estado comum. Em 2014, atuando pelo Barcelona na sua primeira temporada no clube catalão, Neymar somou 15 gols e 12 assistências em 41 jogos — números sólidos, mas as duas partidas imediatamente anteriores à lista de Felipão, divulgada em 7 de maio, foram de apagão: derrota por 2 a 1 para o Real Madrid e por 1 a 0 para o Granada, sem participação em gol. Foi convocado sem hesitação e se tornaria o centro de um Brasil que chegou às semifinais antes do colapso contra a Alemanha.
Em 2018, o roteiro foi mais dramático. No PSG, Neymar vinha de uma temporada espetacular — 28 gols e 17 assistências em 30 jogos —, mas fraturou o quinto metatarso do pé direito em fevereiro, meses antes da convocação de Tite, no dia 14 de maio. Suas últimas duas partidas antes da lesão foram contra o Strasbourg, com gol e assistência, e o Marseille, com assistência. Ainda assim, foi convocado e disputou a Copa já operado, com risco real de recaída — risco que se materializou na eliminação para a Bélgica nas quartas de final, após derrota por 2 a 1.
Em 2022, Neymar chegou à convocação de Tite, em 7 de novembro, em sua melhor forma recente. Nas duas partidas anteriores ao anúncio, pelo PSG, participou de quatro gols — um gol e uma assistência nas vitórias contra Troyes e Marseille. Naquela fase da temporada, acumulava 15 gols e 11 assistências. A Copa do Catar, porém, reservou nova lesão: torção no tornozelo direito na estreia contra a Sérbia, ausência de dez dias, retorno e eliminação dramática nas quartas de final contra a Croácia, nos pênaltis.
Ancelotti e o critério que coloca Neymar na berlinda
A posição do técnico italiano é precisa e não deixa margem para romantismo. Em entrevista ao jornal The Guardian nesta quarta-feira, Ancelotti foi direto:

"Com a maioria dos jogadores, é preciso avaliar o talento e a condição física. Com Neymar, precisamos avaliar apenas a condição física, porque seu talento é indiscutível. Depende dele, não de mim."
A declaração é ao mesmo tempo um elogio e uma sentença. Neymar, maior artilheiro da história da Seleção com 79 gols, não precisa provar que sabe jogar futebol. Precisa provar que consegue jogar futebol por 90 minutos, duas vezes por semana, durante um mês, em três países diferentes — Estados Unidos, México e Canadá — sem desabar. Foram seis convocações de Ancelotti desde que assumiu o cargo em maio de 2025 e dez partidas disputadas pela Seleção. Neymar não esteve em nenhuma delas. Ficou de fora até da Data Fifa de março, contra França e Croácia, por insuficiência física.
O que muda agora é o volume de minutos acumulados. Ao longo de abril e maio, Neymar encadeou partidas pelo Santos e aparece na pré-lista dos 55 nomes escolhidos por Ancelotti. Nos jogos mais recentes, marcou contra o Recoleta pela Sul-Americana e contra o Red Bull Bragantino pelo Brasileirão. Dois gols em sequência, com três meses de inatividade ainda relativamente frescos na memória médica.
O que os números de carga dizem sobre o risco físico
Aqui entra um dado que vai além da tabela de gols e assistências. Em ciência do esporte, o índice de carga aguda-crônica — que mede a relação entre o esforço das últimas semanas e a carga acumulada ao longo dos meses — é um dos principais indicadores de risco de lesão muscular. Jogadores que retornam de longos períodos sem atuar e aumentam rapidamente a carga de jogos apresentam risco elevado de recaída nas primeiras quatro a seis semanas de competição intensa. Neymar está exatamente nessa janela. Isso não é especulação pessimista — é o mesmo critério que fez Ancelotti segurá-lo fora das últimas convocações.
A questão que o SportNavo acompanha de perto é se dois jogos a mais — Coritiba nesta quarta e novamente o Coritiba no domingo, pela 16ª rodada do Brasileirão, na Vila Belmiro — seriam suficientes para Ancelotti concluir que o risco foi reduzido a um nível aceitável. A resposta do treinador, pela forma como tem se comunicado, parece ser: depende do que ele ver em campo, não do que os médicos disserem nos laudos.
"A convocação de Neymar depende apenas dele, do que o jogador demonstrar em campo. Esse é um critério muito claro e não se aplica apenas a Neymar", reforçou Ancelotti ao The Guardian.
Nenhuma das três Copas anteriores teve Neymar em condição física plena ao longo de toda a competição. Em 2014, levou uma joelhada de Zúñiga que o tirou das semifinais. Em 2018, jogou operado. Em 2022, torceu o tornozelo na estreia. O padrão é suficientemente consistente para ser levado a sério como variável estratégica — não apenas médica.
A convocação sai na segunda-feira, dia 18. Antes disso, Neymar joga nesta quarta, no Couto Pereira, e no domingo, na Vila Belmiro. Ancelotti assiste, avalia e decide. Quatro Copas, quatro histórias de lesão — a quinta capítulo começa no dia 18, às 17 horas, no Rio de Janeiro.









