John Textor quebrou o silêncio e admitiu, pela primeira vez, que pode deixar o Botafogo caso surja um investidor disposto a capitalizar a SAF alvinegra. A declaração histórica do empresário norte-americano, dada antes da vitória sobre a Chapecoense por 1 a 0 no Nilton Santos, expõe a crise financeira que atravessa o clube e abre caminho para especulações sobre quem poderia assumir o controle acionário da Estrela Solitária.
"Eu prefiro ser arrastado para fora do prédio chutando, gritando e meio morto antes de deixar esse clube. Mas estou tentando colocar o meu dinheiro aqui por muito tempo. Se eu não consigo fazer isso legalmente e outra pessoa quiser pagar... Não é sobre mim, é sobre Botafogo"
A pressão sobre Textor intensificou após a maioria dos membros do Conselho Deliberativo, em reunião realizada no dia 30 de março, manifestar preferência pela saída do norte-americano do comando da SAF. O empresário enfrenta dificuldades para injetar US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 127 milhões) de forma legal na empresa, situação que motivou o cancelamento da assembleia extraordinária marcada para 20 de maio.
Perfil dos investidores no futebol brasileiro
O mercado de SAFs no Brasil atraiu diferentes perfis de investidores desde a regulamentação em 2021. Fundos de private equity como a XP Inc., que controla o Bahia, e grupos empresariais tradicionais como a família Menin no Cruzeiro demonstram o interesse crescente em ativos esportivos. A análise do SportNavo revela que investidores internacionais representam cerca de 30% das SAFs aprovadas no futebol brasileiro, mas enfrentam barreiras regulatórias similares às de Textor.
A Cork Gully/Eagle Bidco, mencionada pelo próprio Textor como possível interessada, não enviou representantes à assembleia adiada. O empresário criticou a postura da empresa: "A Eagle Bidco não apareceu. Eles disseram que sim porque mandaram advogados, mas não é o que queremos. Queremos voz, uma pessoa que sente à mesa". A indefinição em torno dessa negociação deixa em aberto a questão sucessória no Botafogo.
Candidatos potenciais para a SAF alvinegra
Fontes próximas ao clube indicam que pelo menos três grupos empresariais brasileiros monitoram a situação do Botafogo. O primeiro seria um consórcio de empresários do setor de commodities, com patrimônio estimado em R$ 2 bilhões, que já manifestou interesse informal em clubes cariocas. O segundo grupo envolve investidores do mercado imobiliário fluminense, enquanto o terceiro representa um fundo de pensão com experiência em gestão esportiva.
A avaliação da SAF do Botafogo, segundo levantamento de mercado, oscila entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões, considerando ativos como o Centro de Treinamento em Eunápolis, contratos de jogadores e direitos de transmissão. Textor investiu aproximadamente US$ 200 milhões desde sua chegada em 2022, mas a necessidade de capitalização imediata torna o negócio atrativo para investidores com liquidez disponível.
Cenários para a transição
O cronograma apresentado por Textor estabelece nova assembleia para 27 de maio, prazo que pode definir o futuro da SAF. Caso a Eagle Bidco confirme interesse concreto com aporte financeiro, a transição poderia ocorrer ainda no primeiro semestre. A alternativa seria a aprovação do investimento de US$ 25 milhões proposto pelo próprio Textor através de emissão de novas ações, diluindo sua participação acionária atual.
"Se eles não me deixarem investir e outra pessoa puder, é o melhor para a torcida. Criamos um projeto, vivemos um sonho, mas queremos ganhar mais e o clube precisa de dinheiro"
A situação financeira do Botafogo exige solução urgente considerando compromissos da temporada 2024. O clube disputa Brasileirão, Copa do Brasil e Copa Libertadores, competições que demandam investimentos em contratações e manutenção do elenco. A próxima partida será contra o Internacional, em 25 de abril, às 18h30, quando Textor deve definir publicamente os próximos passos da negociação com potenciais investidores.









