R$ 840,17. Esse é o preço do corselet de couro verde e amarelo da Maison Exclusive que Duda Santos e Gabriely Miranda usaram simultaneamente no primeiro jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo — sem combinar, ou pelo menos sem admitir que combinaram. Esposa de Rayan e esposa de Endrick, respectivamente, as duas apareceram nas redes sociais com a mesma peça no mesmo dia, gerando um dos maiores momentos de visibilidade das WAGs brasileiras neste mundial. A coincidência, real ou calculada, sintetiza o que está acontecendo fora dos gramados americanos: as companheiras dos jogadores da Seleção transformaram o ato de torcer em um exercício de construção de marca pessoal com alcance e sofisticação crescentes.
O corselet que uniu duas influenciadoras e expôs uma rede invisível
A peça da Maison Exclusive não estava sozinha nos looks das duas influenciadoras, mas foi ela que roubou a cena. Gabriely combinou o corselet com calça jeans pantalona decorada com uma bandeira do Brasil e fotos polaroid de Endrick — uma produção declaradamente personalizada, com referência afetiva explícita ao marido que defende o Olympique Lyonnais na França. Duda Santos foi na direção oposta: shortinho curto, bolsa verde e sandálias minimalistas. Dois estilos distintos, uma peça em comum, e a internet fez o resto. Outras famosas foram vistas usando o mesmo corselet durante o jogo, incluindo a influenciadora Menina Veneno e Amanda Araújo, mulher de Richarlison do Tottenham, ampliando o alcance espontâneo de uma marca brasileira em escala global.
Esse tipo de fenômeno tem nome no marketing de influência: organic clustering, quando múltiplos criadores de conteúdo adotam o mesmo produto sem campanha paga coordenada, criando um efeito de tendência que nenhum budget publicitário convencional consegue replicar com a mesma autenticidade percebida. Não há dado público sobre o quanto a Maison Exclusive faturou após a repercussão, mas a lógica do mercado indica que o esgotamento do produto no e-commerce seria o resultado mais provável de uma exposição desse porte.
O grupo de WhatsApp que organiza a Copa das WAGs
A sincronia dos looks não é acidental em um sentido mais amplo: há uma infraestrutura de relacionamento entre as companheiras dos jogadores que funciona em paralelo à logística da CBF. Gabriely Miranda entregou os bastidores ao programa Elas Que Jogam, confirmando que a comunicação entre as mulheres dos convocados está ativa desde antes do torneio.
"Normalmente a gente faz [um grupo no WhatsApp], mas acho que como está no comecinho ainda, [não criamos]. Quando chegar lá [nos EUA], a gente faz", afirmou Gabriely, descrevendo como as WAGs se articulam para organizar viagens, hospedagem e datas de embarque.
A influenciadora ainda detalhou que os encontros durante jogos preparatórios da Seleção serviram de pré-planejamento logístico: "Nesse último jogo, a gente já foi conversando. 'Ah, amiga, vai qual dia? Vai ficar onde?'" Essa rede de apoio mútuo tem impacto direto na presença coletiva nos estádios — e, por consequência, no volume de conteúdo gerado que amplifica a visibilidade da Seleção em plataformas como Instagram e TikTok, onde o engajamento de familiares dos atletas frequentemente supera o das contas oficiais da CBF em alcance orgânico.
Quem prefere o sofá ao estádio e por que isso também é estratégia
Nem todas as companheiras dos jogadores optaram pela arquibancada. No jogo contra o Japão, Duda Fournier, esposa de Lucas Paquetá, e Natália Belloli, mulher de Raphinha, assistiram à partida à distância — mesmo estando nos Estados Unidos. Belloli acompanha os jogos remotamente desde que Raphinha saiu de campo por lesão e deixou de ser escalado. Fournier não explicou publicamente a ausência no estádio, mas compartilhou imagens na piscina com os filhos e registrou o apoio ao marido com a frase "Mesmo de casa, sempre pelo papai, sempre pelo Brasil".
A escolha de Fournier e Belloli revela uma dimensão menos glamourosa e mais humana do fenômeno das WAGs na Copa: a presença nos estádios é uma decisão que envolve logística com filhos, rotina familiar e, no caso de Belloli, o peso emocional de ver o marido lesionado fora das convocações. Esse conteúdo de bastidor doméstico, paradoxalmente, gera engajamento alto porque contrasta com a estética polida dos looks de arquibancada — e porque o público identifica autenticidade onde há vulnerabilidade visível.
Vintage, Hermès e o estilo que foge do óbvio
Se Duda Santos e Gabriely Miranda protagonizaram o momento mais comentado da Copa em termos de moda, quem roubou os elogios da crítica de estilo foi Marilia Nery — e ela nem estava nos Estados Unidos. Casada há mais de 10 anos com Everton Ribeiro, que atua pelo Bahia e não foi convocado para o mundial, Nery usa o Instagram para compartilhar produções que resgatam peças históricas do futebol brasileiro: a jaqueta da Copa de 1994, o mesmo modelo usado por Zagallo na função de coordenador técnico naquela edição, e uma camisa da Seleção de 1993. Na rede X, internautas destacaram justamente o que ela não usa: as bolsas Birkin e Kelly da Hermès, onipresentes nos looks das WAGs mais convencionais. Em vez disso, Nery aposta em modelos clássicos de Chanel e Jacquemus em versões coloridas — uma linguagem de moda que comunica sofisticação sem recorrer aos símbolos de status mais óbvios do universo das esposas de atletas.
Esse movimento de individualização estética das WAGs brasileiras dialoga com uma tendência maior documentada por portais como Elle Brasil, onde influenciadoras passaram a incorporar as cores verde, amarelo e azul ao próprio estilo pessoal em vez de montar produções em torno da camisa da Seleção. O resultado são looks que funcionam tanto para o estádio quanto para circular pela cidade — o que amplia o tempo de vida do conteúdo nas redes, já que a peça não fica datada ao contexto do jogo. Do ponto de vista de métricas de influência, posts com maior versatilidade estética tendem a gerar saves — uma das métricas mais valorizadas pelo algoritmo do Instagram porque indica intenção de retorno ao conteúdo — em proporção superior ao engajamento imediato de curtidas.
A Copa do Mundo de 2026 segue com o Brasil ainda vivo na competição. Enquanto Ancelotti ajusta a equipe para os próximos confrontos do mata-mata, Gabriely Miranda já avisou: quando o grupo de WhatsApp das WAGs for criado de vez, a torcida organizada nas arquibancadas americanas vai ganhar coordenação. O corselet verde e amarelo da Maison Exclusive, enquanto isso, continua esgotado.










