O Santos não passou de um empate por 1 a 1 diante do Cremonese na noite desta terça-feira, no Estádio Pedro Bidegaín, em partida válida pela terceira rodada da Série A do Brasileirão 2026. Alexis Cuello abriu o placar para o time da casa aos 27 minutos, e Gabriel Barbosa empatou para os visitantes apenas cinco minutos depois, aos 32. O resultado deixa o Santos ainda sem vitória na competição.

Os gols e a dinâmica do primeiro tempo

O primeiro tempo foi o coração da partida. Aos 27 minutos, o argentino Alexis Cuello aproveitou passe preciso de Facundo Gulli e finalizou com categoria para abrir o placar para o Cremonese. A jogada mostrou a capacidade do setor criativo do time da casa em construir triangulações rápidas pelo meio e explorar os espaços entre as linhas do Santos. Gulli, peça central no sistema do Cremonese, encontrou Cuello em posição privilegiada e o camisa do time local não desperdiçou.

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A resposta do Santos veio rápida, quase cirúrgica. Aos 32 minutos, Benjamín Rollheiser lançou Gabriel Barbosa em profundidade e o centroavante, com a frieza que o caracteriza, não errou na conclusão. O gol de Gabigol foi um sinal claro de que o Peixe tem capacidade ofensiva de alto nível — o problema é a consistência ao longo dos noventa minutos. Em apenas cinco minutos, o Santos saiu do 0 a 1 para o 1 a 1, demonstrando repertório para reagir, mas não para sustentar pressão e sair com os três pontos.

As mudanças táticas e o segundo tempo sem gols

O intervalo trouxe movimentações imediatas. Logo no início do segundo tempo, o Santos promoveu a entrada de Willian Arão no lugar de João Schmidt — uma troca que sinalizou a necessidade de maior controle e presença física no meio-campo. Ao mesmo tempo, Luan Peres recebeu cartão amarelo aos 46 minutos, o que condicionou sua atuação no restante da partida e adicionou um risco defensivo considerável para os visitantes.

Os gols e a dinâmica do primeiro tempo Santos empata com Cremonese em 1 a 1 e s
Os gols e a dinâmica do primeiro tempo Santos empata com Cremonese em 1 a 1 e s

O Cremonese também mexeu na equipe aos 56 minutos, com a saída de Nahuel Barrios e a entrada de Matías Reali, buscando frescor nas pontas para forçar o Santos a recuar. A segunda etapa, contudo, transcorreu sem grandes emoções: nenhum gol, nenhuma explosão de jogo. As alterações indicam que ambos os técnicos priorizaram a manutenção do empate a arriscar uma derrota, o que revela o quanto esse ponto tinha peso diferente para cada lado — para o Cremonese, um ponto contra um time que se reforçou para a Série A tem valor estratégico; para o Santos, é mais um resultado insuficiente.

A análise tática do empate

Na avaliação do SportNavo, o Santos apresentou um padrão recorrente neste início de Série A: eficiência pontual no ataque combinada com fragilidade na manutenção do resultado. O setor ofensivo, com Rollheiser criando e Gabigol finalizando, tem qualidade comprovada — mas a equipe não conseguiu transformar o controle momentâneo após o empate em pressão sustentada. O Cremonese, por sua vez, jogou de forma organizada e funcional, apostando em saídas rápidas em transição e explorando a dupla Cuello-Gulli como eixo de desequilíbrio.

O Santos sofreu nos momentos em que o Cremonese estabeleceu pressão alta. A saída de bola pelo setor defensivo apresentou instabilidade, e a ausência de uma linha de passe segura no meio-campo foi evidente até a entrada de Willian Arão. A substituição de Schmidt por Arão mudou o perfil do time — mais consistência defensiva, menos mobilidade progressiva —, o que explica a estagnação ofensiva no segundo tempo. Para um Santos que precisa de pontos, essa equação ainda não está resolvida.

O contexto e o que esse empate representa para o Santos

Há quem defenda que três rodadas são cedo demais para qualquer conclusão — e esse argumento tem algum fundamento histórico, já que equipes grandes frequentemente decolam após um início titubeante. O problema é que os números do Santos neste início de Série A não permitem otimismo fácil: apenas dois pontos em três jogos, sem nenhuma vitória. Isso coloca o Peixe em situação delicada na parte baixa da tabela, longe dos primeiros colocados e pressionado por rivais que somaram pontos nesta rodada.

A combinação de um elenco com nomes de peso — Gabigol, Rollheiser, Arão — e um aproveitamento de 22% nos três primeiros jogos é uma contradição que o clube precisará resolver rapidamente. Segundo dados acompanhados pelo SportNavo ao longo da rodada, equipes que não vencem nenhum dos três primeiros jogos da Série A raramente conseguem terminar a primeira metade do campeonato entre os oito primeiros sem uma sequência reabilitadora imediata.

Na próxima rodada, o Santos terá a chance de quebrar o jejum de vitórias, mas precisará de uma performance mais consistente — especialmente no segundo tempo, onde a equipe mostrou claros sinais de queda de intensidade. Gabigol com cinco minutos de gols e Rollheiser com assistências já comprovaram que a qualidade existe. O desafio agora é transformar lampejos em domínio de jogo por 90 minutos, antes que o calendário corrido da Série A torne a recuperação ainda mais difícil.