Quando o árbitro Wilton Pereira Sampaio encerrou Santos 2 x 3 Fluminense na Vila Belmiro, os 14.179 torcedores presentes testemunharam algo que os números já vinham denunciando: o Peixe de 2026 está pior que o time rebaixado em 2023. Com 13 pontos em 12 rodadas, o Santos atual tem cinco pontos a menos que a equipe que protagonizou a queda inédita à segunda divisão.
Muitos argumentam que comparações prematuras podem ser precipitadas, considerando que o campeonato ainda está no início. Contudo, os dados estatísticos demonstram uma deterioração preocupante em todos os indicadores fundamentais. Em 2023, após 12 jogos, o Santos somava 18 pontos - aproveitamento de 50%. Hoje, com apenas 13 pontos, o aproveitamento despencou para 36,1%, colocando a equipe em rota direta para uma segunda queda consecutiva.

Defesa mais vazada agrava cenário crítico
O setor defensivo registra números alarmantes que superam negativamente a temporada do rebaixamento. Segundo levantamento do SportNavo, o Santos já sofreu 18 gols em 2026, contra 14 no mesmo período de 2023 - um aumento de 28,5% na fragilidade defensiva. A média atual de 1,5 gol sofrido por partida representa o pior desempenho defensivo da história recente do clube.
Gabriel Barbosa, que abriu o placar contra o Fluminense aos 8 minutos, não consegue mascarar as deficiências estruturais do time. A equipe cedeu a virada após estar em vantagem duas vezes, padrão que se repete desde o início da temporada. John Kennedy, reserva tricolor, definiu a partida aos 85 minutos, evidenciando a falta de consistência mental santista nos momentos decisivos.
"Fora todo mundo", gritaram as arquibancadas após o apito final, direcionando a revolta aos jogadores e ao presidente Marcelo Teixeira.
Vila Belmiro deixa de ser fortaleza
O retrospecto como mandante revela talvez o dado mais preocupante desta análise comparativa. O aproveitamento em casa despencou de 58% em 2023 para apenas 33% na atual temporada. Em números absolutos, isso representa uma queda de 43% na eficiência jogando na Vila Belmiro, historicamente o grande trunfo santista para escapar de situações adversas.
A derrota para o Fluminense marca a terceira em casa neste Brasileiro, igualando todo o retrospecto negativo como mandante de 2023 em apenas quatro meses de competição. Neymar, titular no confronto mas substituído no segundo tempo, simboliza a frustração de um projeto que prometia redenção mas entrega resultados inferiores ao ano da tragédia.
Gestão Marcelo Teixeira sob pressão máxima
Os protestos direcionados ao presidente Marcelo Teixeira ganham respaldo nos números. A comparação direta entre gestões mostra que, mesmo com investimentos superiores e a contratação de nome como Neymar, o rendimento técnico regrediu em todos os aspectos mensuráveis. O Santos 2026 está matematicamente mais próximo do rebaixamento que o time de 2023 no mesmo recorte temporal.
Na avaliação do SportNavo, três fatores explicam essa piora: instabilidade no comando técnico, com duas trocas já realizadas; elenco desequilibrado, priorizando nomes midiáticos em detrimento do equilíbrio tático; e pressão excessiva por resultados imediatos após o trauma do rebaixamento. A sequência de cinco derrotas em 12 jogos supera negativamente os indicadores do time que caiu à Série B.
O Santos volta a campo na próxima rodada contra o Palmeiras, no Allianz Parque, em clássico que pode definir matematicamente a permanência na zona de rebaixamento caso o resultado seja negativo.









