Não, o artilheiro mais dominante do futebol europeu nesta temporada não é francês, não é norueguês e não joga em Madri. É um inglês de 32 anos que escolheu Munique para escrever o capítulo mais produtivo da própria carreira — e que deixou todos os rivais a uma distância que beira o constrangimento. Harry Kane encerrou a temporada 2025/26 com 58 gols em 50 partidas pelo Bayern de Munique, novo recorde pessoal e marca que nenhum outro jogador nas 19 principais ligas europeias sequer se aproximou. A pergunta que fica, porém, é outra: quem está ao redor dele nessa lista?
Kane redefine o teto ofensivo da Europa em 2025/26
A temporada anterior já havia sido notável. Em 2023/24, Kane liderou o continente com 44 gols — número que, à época, parecia difícil de superar. Neste ciclo, o centroavante simplesmente ignorou esse teto e adicionou mais 14 tentos à conta, chegando a 58. A diferença para o segundo colocado, Kylian Mbappé, do Real Madrid, é de 17 gols: o francês terminou com 41. Erling Haaland, do Manchester City, e o colombiano Luis Suárez, do Sporting, dividem o terceiro lugar com 37 gols cada. Nenhum deles chegou perto de tornar a disputa pelo topo em algo minimamente competitivo.

Segundo apuração do SportNavo, o levantamento considera jogadores que atuam na primeira divisão das 19 principais ligas nacionais do continente, conforme o coeficiente da Uefa — incluindo Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália, França, Portugal, Holanda, Bélgica, Turquia e mais dez países. A Rússia segue excluída do ranking por estar suspensa da entidade em razão da guerra contra a Ucrânia.
"Kane não teve números tão bons quanto os atuais" nem em sua melhor temporada anterior — a constatação é direta e aponta para uma evolução que vai além de qualquer expectativa razoável para um atacante que já passou dos 30 anos.
Anderson Talisca no Fenerbahçe e Igor Thiago no Brentford mostram força brasileira
Dentro do top 10 da artilharia europeia, dois nomes brasileiros se destacam com trajetórias completamente distintas — e igualmente legítimas. Anderson Talisca, meia-atacante baiano de 31 anos, ocupa a sexta posição com 27 gols pelo Fenerbahçe, na Süper Lig turca. O desempenho consolida a fase mais goleadora da carreira do jogador em solo europeu, em um clube que disputa a Liga dos Campeões e tem ambições continentais reais.
Na décima posição aparece Igor Thiago, 24 anos, centroavante que chegou ao Brentford sem holofotes e se tornou vice-artilheiro da Premier League com 25 gols na temporada. O feito é ainda mais expressivo quando se considera o contexto: o clube londrino não figura entre os gigantes da liga inglesa, o que torna cada gol marcado por Igor uma vitória tática e individual. Nenhum brasileiro havia encerrado uma temporada da Premier League com esse nível de produtividade recente.
Os dois representam perfis distintos do atacante brasileiro contemporâneo. Talisca é um jogador de criação e finalização, capaz de ditar o jogo com passes e arremates de fora da área. Igor Thiago é um centroavante clássico, que vive dentro da área e tem nos movimentos sem bola e na leitura de jogo suas principais armas. Juntos, somam 52 gols — quase o número que Kane fez sozinho, mas suficientes para colocar o Brasil em destaque numa lista dominada por europeus e sul-americanos de outras nacionalidades.
O que essa geração ofensiva brasileira representa para a Copa do Mundo 2026
A Copa do Mundo de 2026, com 48 seleções e sedes no Canadá, nos Estados Unidos e no México, começa em 11 de junho — menos de um mês após o encerramento da temporada europeia de clubes. Kane entra na competição como artilheiro do continente mais competitivo do mundo, com credenciais renovadas para liderar a Inglaterra. Talisca e Igor Thiago, por sua vez, chegam ao torneio com números que justificam espaço na convocação da seleção brasileira — e com argumentos concretos para disputar posição no setor ofensivo.
A temporada 2025/26 fecha seu ciclo principal em 30 de maio, com a final da Liga dos Campeões entre Arsenal e Paris Saint-Germain na Puskás Arena, em Budapeste. Nenhum dos dois brasileiros do top 10 participa desse jogo, mas ambos encerram o ano europeu com estatísticas que os colocam no mapa de qualquer discussão séria sobre poder ofensivo no futebol mundial.
Com Vinicius Jr. e Rodrygo frequentemente ocupando o centro das atenções da imprensa, Talisca e Igor Thiago construíram suas campanhas históricas em silêncio — e os números de 2025/26 tornaram impossível ignorá-los. Se Dorival Júnior vai aproveitá-los como titulares na Copa do Mundo, partindo do desempenho desta temporada, é a pergunta que o torcedor brasileiro precisa fazer agora.









