3 presidentes. Esse é o número de líderes que abriram pessoalmente a Copa do Mundo para seus países nas últimas três edições — Dilma Rousseff em 2014, Vladimir Putin em 2018, o emir Tamim bin Hamad Al Thani em 2022. Donald Trump, segundo fontes ouvidas pelo The Athletic, deve se tornar o primeiro mandatário-anfitrião a furar essa fila desde que a tradição se consolidou.
O jogo que abre a caminhada americana no Mundial é nesta sexta-feira (12), no SoFi Stadium, em Los Angeles: Copa do Mundo, fase de grupos, EUA x Paraguai. Pessoas ligadas à organização do torneio e fontes familiarizadas com a agenda presidencial confirmaram ao The Athletic que a presença de Trump não está prevista — embora mudanças de última hora não estejam descartadas.
O que Putin e Dilma fizeram que Trump não deve fazer
A lógica da presença presidencial na estreia da seleção anfitriã é quase um xG político: maximiza a probabilidade de retorno simbólico com custo baixo. Em Moscou, em 2018, Putin assistiu à goleada da Rússia sobre a Arábia Saudita por 5 a 0 ao lado de Mohammed bin Salman — e transformou aquele jogo numa vitrine geopolítica transmitida para o mundo inteiro. Dilma fez o mesmo no Itaquerão em 2014, mesmo sob vaias da torcida. O emir catari repetiu o protocolo em 2022.
Trump, curiosamente, não tem histórico de avesso a eventos esportivos. Desde seu retorno à Casa Branca, marcou presença no Super Bowl, na Daytona 500, em eventos do UFC, em torneios universitários e até na final da Copa do Mundo de Clubes. A ausência na estreia da seleção americana, portanto, não é questão de agenda cheia — é uma escolha que vai na contramão do que qualquer analista esperaria de um presidente que co-organizou o torneio.
Marco Rubio na arquibancada e a diplomacia paralela no SoFi Stadium
O governo americano não vai deixar o estádio vazio de representantes. O secretário de Estado Marco Rubio estará presente no SoFi Stadium e aproveita a ocasião para reuniões com autoridades paraguaias — pauta: segurança, comércio e cooperação internacional. É a clássica diplomacia de corredor que grandes eventos esportivos facilitam, mas com um peso simbólico diferente: é o número 2 do Executivo, não o número 1.
Sob o comando de Mauricio Pochettino, a seleção americana entra em campo mirando repetir ou superar o desempenho de 2002, quando chegou às quartas de final. O fator casa costuma ser um multiplicador real de performance — estudos de xG em Copas mostram que times anfitriões têm, em média, 12% a mais de finalizações por jogo na fase de grupos em comparação com edições fora de casa. Sem o presidente na tribuna de honra, esse capital simbólico fica pela metade.
Globo provoca CazéTV e repórter vira o shot de tequila
Enquanto a política aquece os bastidores fora de campo, a guerra de audiência dentro das transmissões ganhou dois capítulos em menos de 24 horas. A GeTV, plataforma digital da Globo, publicou um vídeo nas redes sociais ironizando o delay das transmissões via internet — uma referência direta à CazéTV, que registrou até 20 segundos de atraso em relação ao sinal aberto durante México x África do Sul (2 a 0 para o México, na quinta-feira).
A provocação foi explícita, conforme apurado em matéria do SportNavo:
"Copa de 2026. O evento onde todo mundo pode ser profeta. É porque Copa com delay esquece."
A frase é uma inversão do bordão da CazéTV — "Se tem Copa, é na CazéTV, esquece!" — e viralizou rapidamente. O grupo Globo e o SBT, em parceria com a NSports, mantiveram vantagem de cerca de 5 segundos sobre as plataformas de streaming durante a transmissão. A CazéTV, que exibe os 104 jogos do torneio — único veículo a fazer isso —, carrega o diferencial da cobertura total, mas paga o preço técnico do YouTube e do streaming.
No lado mais leve da cobertura, o repórter Tiago Medeiros, da Globo, estava ao vivo na Plaza Loreto, Cidade do México, quando uma torcedora apareceu com um shot de tequila. Cercado de brasileiros e mexicanos em pleno churrasco pré-Copa, ele ouviu o coro de "arriba, abajo, al centro, adentro" — e virou. A frase que veio depois virou meme instantâneo:
"Mãe, tô bem."
O que a ausência de Trump muda para a Copa
Do ponto de vista do torneio em si, nada muda no placar. Os PPDA (passes permitidos por ação defensiva) de Pulisic e companhia serão os mesmos com ou sem o presidente na tribuna. Mas Copas do Mundo são eventos que existem em duas dimensões simultâneas: a do campo e a da narrativa global. A presença de um chefe de Estado na estreia do país-sede é, historicamente, o maior amplificador dessa narrativa — transforma um jogo de grupo em declaração de intenção nacional.
Trump esteve na final da Copa do Mundo de Clubes. Se os EUA chegarem às fases decisivas do torneio em julho, as chances de ele aparecer aumentam consideravelmente. A estreia, porém, acontece amanhã — e o relógio não espera agenda presidencial. O SoFi Stadium tem capacidade para 70 mil pessoas, e elas vão comparecer de qualquer forma.








