Diz-se que o VAR tornou a arbitragem mais rápida e precisa desde a sua adoção. Na final da Libertadores de 2019, não foi bem assim — e o motivo importa muito para entender o que mudou em 2026.
58 segundos para encontrar uma imagem que já existia
O áudio divulgado pela Conmebol desta semana mostra a cabine do VAR durante os minutos finais de Flamengo 2x1 River Plate, em Lima. Depois que o árbitro chileno Roberto Tobar expulsou Gabigol, os operadores de vídeo levaram quase um minuto inteiro para localizar a imagem que comprovava o gesto obsceno — o atacante segurou e sacudiu os próprios órgãos genitais na direção do banco e da torcida do River Plate durante uma confusão envolvendo Bruno Henrique e Ezequiel Palacios.
"Gabriel Barbosa, vermelho" — um árbitro de vídeo anuncia a decisão e pergunta o motivo. O auxiliar responde: "Fez um gesto, fez um gesto obsceno, agarrou sua genitália."
Só depois disso os operadores voltaram a vasculhar os ângulos disponíveis. A confirmação final veio com a frase: "Confirmamos, vamos, seguimos." Quase um minuto de busca para validar algo que o árbitro de campo já havia visto ao vivo.
A Libertadores de 2026 e o protocolo que não existia antes
Seis anos depois, o cenário na mesma competição é outro. Na edição atual da Copa Libertadores, quando Gabigol foi expulso em partida pelo Santos, o VAR agiu em tempo real — sem a busca demorada de 2019. Os protocolos da Conmebol para gestos obscenos foram formalizados após a repercussão da final de Lima, que gerou milhões de interações nas redes sociais e expôs a falta de um fluxo claro de verificação para esse tipo de infração.
O Santos venceu a partida mesmo com a expulsão do camisa 9, resultado que acumulou forte engajamento digital: o nome do clube entrou nos trending topics brasileiros logo após o apito final, com mais de 180 mil menções nas primeiras duas horas no X (antigo Twitter).
O que os dois áudios revelam sobre a evolução do VAR
Comparar os dois episódios é quase como assistir a 2001: Uma Odisseia no Espaço e depois ver um smartphone — a tecnologia de base é a mesma, mas o protocolo humano que a opera mudou completamente. Em 2019, não havia um critério padronizado para gestos obscenos dentro do manual do VAR da Conmebol. A expulsão dependeu do julgamento do árbitro de campo, e a cabine de vídeo foi acionada de forma reativa, correndo atrás da decisão já tomada.
Em 2026, o regulamento da Conmebol prevê explicitamente que gestos obscenos são passíveis de revisão imediata pelo VAR, com câmeras dedicadas às áreas de comemoração e às zonas de conflito. A velocidade de processamento saltou de quase 60 segundos para menos de 15 segundos na média dos casos documentados nesta temporada da Libertadores.
"A tecnologia estava lá em 2019. O que faltava era o protocolo", resumiu um analista de arbitragem ouvido em matéria do SportNavo sobre o tema.
Gabigol, reincidência e o impacto nas redes
O histórico de Gabigol com expulsões em jogos decisivos da Libertadores virou tema recorrente no debate digital. Em 2019, o atacante havia recebido cartão amarelo por tirar a camisa na comemoração do segundo gol antes de ser expulso — ou seja, já estava pendurado quando cometeu o gesto. Em 2026, a punição chegou mais rápido e com menos ruído público, exatamente porque o torcedor foi informado quase em tempo real sobre o motivo.
O vídeo divulgado pela Conmebol com o áudio da cabine do VAR de 2019 ultrapassou 2,3 milhões de visualizações em 24 horas no YouTube e reacendeu o debate sobre transparência na arbitragem sul-americana — um tema que rende engajamento constante nas plataformas digitais, com pico de buscas no Google Brasil toda vez que um novo áudio é liberado.
Diz-se que o VAR tornou a arbitragem mais rápida e precisa desde a sua adoção. Em 2026, finalmente, essa afirmação tem mais evidências concretas para sustentá-la — ao menos quando o assunto é punir gestos obscenos em finais de Libertadores. O Santos, que venceu mesmo com um jogador a menos, volta a campo pela fase de grupos da competição na próxima semana, quando Gabigol cumprirá a suspensão automática decorrente da expulsão.










