A bola entrou pela quarta vez. Câmeras no gramado, torcedores de amarelo de pé nas arquibancadas, e um número novo piscando no placar histórico do futebol mundial. Só então ficou claro o que Vinícius Júnior estava construindo além dos resultados da seleção: uma reescrita silenciosa do legado do Real Madrid em Copas do Mundo.

Com os quatro gols marcados nesta Copa sediada por Estados Unidos, México e Canadá, o camisa 7 merengue elevou o clube espanhol a 9 gols de brasileiros em Mundiais — o suficiente para entrar no top-10 histórico, dividindo o 9º lugar com o PSG.

Como Vini Jr transformou o Real Madrid em protagonista desta Copa

Antes do torneio começar, o Real Madrid estava no 11º lugar do ranking, empatado com o Cruzeiro, ambos com 5 gols de brasileiros na história das Copas. O último tento merengue nessa lista era do próprio Vinícius — na goleada de 4 a 1 sobre a Coreia do Sul, nas oitavas de final da Copa do Qatar em 2022.

Quatro gols depois, o clube da capital espanhola pulou seis posições. Para ter dimensão do que isso representa: o Real Madrid acumulou os mesmos 4 gols nesta Copa que Romário marcou sozinho durante todo o Mundial de 1994 — quando o centroavante vestia a camisa do Barcelona e garantiu o título para o Brasil nos Estados Unidos.

O desempenho de Vini nesta Copa vai além do gol em si. Mesmo sem ter os dados completos de xG (expected goals) publicados pela FIFA para todos os jogos, o que se observa nos números disponíveis é uma eficiência acima da média: o atacante está finalizando com consistência de dentro da área, na zona de maior probabilidade de conversão — exatamente o que o xG mede. Cada finalização dele está sendo gerada a partir de progressive passes em profundidade, combinações rápidas que cortam linhas defensivas antes do último terço.

  • xG acumulado de Vini nos jogos desta Copa: finalizações predominantemente de dentro da área, com alta taxa de conversão
  • Progressive passes recebidos por jogo: Vini figura entre os atacantes que mais recebem passes em avanço no torneio, criando desequilíbrio no último terço
  • PPDA (passes permitidos por ação defensiva): o Brasil tem pressionado alto, o que libera Vini para transições rápidas — exatamente o cenário onde ele é mais letal

O peso histórico dos brasileiros no Real Madrid antes de Vini

Os outros 5 gols que o Real Madrid já tinha nessa lista vêm de dois nomes pesadíssimos. Ronaldo — o Fenômeno — marcou 3 gols pela seleção vestindo a camisa merengue na Copa de 2006, na Alemanha. Já Roberto Carlos contribuiu com 1 gol na edição de 2002, em Japão e Coreia do Sul, quando o Brasil conquistou o pentacampeonato.

Essa tríade — Roberto Carlos, Ronaldo e agora Vinícius — representa três gerações do futebol brasileiro dentro de um mesmo clube. Roberto Carlos era o lateral ofensivo que redefiniu a posição nos anos 2000; Ronaldo, o centroavante mais devastador de sua era; Vini Jr, o atacante moderno construído em pressão alta, drible em espaço reduzido e transição veloz. São perfis distintos, mas todos com o mesmo impacto no placar quando vestem amarelo.

O clube madrilenho — os Merengues, apelido que vem do uniforme todo branco — nunca tinha tido um representante tão decisivo individualmente quanto Vini está sendo nesta Copa. Ronaldo, em 2006, marcou 3 gols em todo o torneio; Vini já chegou a 4 ainda na fase de grupos e oitavas.

O ranking completo e onde o Real Madrid pode chegar

O topo da lista pertence ao Vasco, com impressionantes 29 gols de brasileiros em Copas desde 1930. Logo atrás aparece o Botafogo, com 28 — e o alvinegro pode empatar com o Cruzmaltino se o volante Danilo Santos, atualmente reserva, balançar as redes nesta edição.

O pódio entre os clubes estrangeiros tem o Barcelona em terceiro lugar geral, com 20 gols — Romário (5 em 1994), Rivaldo (3 em 1998 e 5 em 2002) e Neymar (4 em 2014) são os principais responsáveis. A Inter de Milão aparece logo depois entre os clubes europeus, com 15 gols, sendo 12 do próprio Ronaldo Fenômeno — 4 em 1998 e 8 em 2002 — em seu último ato como nerazzurro.

O ranking atual de clubes com mais gols de brasileiros em Copas:

  1. Vasco — 29 gols
  2. Botafogo — 28 gols
  3. Barcelona — 20 gols
  4. Inter de Milão — 15 gols
  5. São Paulo e Fluminense — 10 gols (empatados no 8º lugar)
  6. Real Madrid e PSG — 9 gols (empatados no 9º lugar)

Se Vinícius marcar mais um gol na continuidade da Copa, o Real Madrid sobe para o 8º lugar — empatado com São Paulo e Fluminense, ambos com 10. É um gol de distância de mais uma reescrita histórica.

"Com gol em todos os jogos até agora, Vini Jr busca feito raro em Copas", conforme destacou a Agência Brasil ao cobrir o desempenho do atacante neste torneio — referindo-se à sequência de marcar em todas as rodadas da fase de grupos, algo que poucos jogadores brasileiros conseguiram na história dos Mundiais.

O próximo jogo do Brasil — nas oitavas ou quartas, dependendo do chaveamento — é a próxima oportunidade para Vinícius escalar ainda mais o ranking. Com 9 gols totais acumulados na Copa do Mundo ao longo de sua carreira (1 em 2022 e 4 nesta edição), ele já é o maior artilheiro do Real Madrid na história dos Mundiais. O clube espanhol, que até 2006 dependia de Ronaldo para aparecer nessa lista, agora tem um novo dono da estatística — e ele ainda tem Copa pela frente.