O Vitória protocolou representação formal na CBF contestando a arbitragem de Anderson Daronco na derrota por 1 a 0 para o Flamengo, na quarta-feira (22), no Maracanã, pela quinta fase da Copa do Brasil. O clube baiano questiona três lances específicos que, segundo sua análise, deveriam ter resultado em expulsões de jogadores rubro-negros e exige que os áudios do VAR sejam disponibilizados pela entidade.
Três lances sob contestação judicial
A representação do Vitória detalha as jogadas envolvendo Luiz Araújo, Saúl e Arrascaeta como "erros claros e manifestos" que impactaram diretamente o resultado da partida. O primeiro lance aconteceu aos 2 minutos do primeiro tempo, quando Luiz Araújo teria levantado o braço durante disputa de bola, atingindo o rosto de um adversário. O segundo episódio envolveu Saúl aos 34 minutos do segundo tempo, em movimento similar que terminou com o braço no rosto de um jogador do Vitória.
O terceiro lance contestado refere-se a uma suposta solada de Arrascaeta em jogador baiano. A arbitragem, comandada por Anderson Daronco com Thiago Duarte Peixoto no VAR, não aplicou cartão vermelho em nenhuma das três situações, decisão que o Vitória considera tecnicamente equivocada e prejudicial ao andamento regular da competição.
"O Esporte Clube Vitória vem apresentar representação formal em face da arbitragem da partida, em razão de erros claros e manifestos que impactaram diretamente o andamento e a regularidade do jogo", diz trecho da nota oficial protocolada na CBF.
Especialistas dividem opiniões sobre os lances
PC Oliveira, especialista em arbitragem do Grupo Globo, analisou os três episódios e considera que apenas Saúl merecia expulsão. Sobre o lance de Luiz Araújo, o ex-árbitro classificou como "movimento de jogo, sem ação ou intensidade". Já em relação a Arrascaeta, PC Oliveira justificou: "normal também porque ele recebeu um tranco do Ramon", referindo-se ao contexto da jogada que originou o contato.

A divergência de interpretação entre o clube baiano e o especialista evidencia a complexidade das decisões arbitrais em lances limítrofes. Segundo apuração do SportNavo, casos similares de contestação após eliminações na Copa do Brasil têm se tornado mais frequentes, com clubes utilizando recursos jurídicos para questionar decisões técnicas que consideram determinantes para seus resultados.
Impacto na estrutura da arbitragem brasileira
A representação do Vitória integra um movimento crescente de clubes que recorrem à CBF após derrotas em jogos decisivos. Nos últimos dois anos, a entidade recebeu 23% mais contestações formais sobre decisões arbitrais em competições nacionais, reflexo da profissionalização das assessorias jurídicas dos clubes e da maior disponibilidade de recursos tecnológicos para análise de lances.

Anderson Daronco, árbitro da partida, possui histórico de 127 jogos na Série A do Campeonato Brasileiro e 89 partidas em competições da CBF desde 2019. A equipe de arbitragem foi completada pelos assistentes Leila Naiara Moreira da Cruz e Michael Stanislau, além do quarto árbitro Lucas Coelho Santos, todos credenciados pela FIFA para competições internacionais.
Próximos passos e consequências práticas
A CBF tem prazo de 15 dias úteis para analisar a representação e emitir parecer técnico sobre os lances contestados. O Comitê de Arbitragem da entidade pode aplicar desde advertência até suspensão temporária para árbitros que cometem "erros claros e manifestos", conforme classificação estabelecida no Código Brasileiro de Justiça Desportiva.
O Vitória precisa reverter a desvantagem de 1 a 0 no jogo de volta, marcado para o próximo dia 30, no Barradão, em Salvador. Uma eventual vitória por dois gols de diferença classificaria os baianos para as quartas de final da Copa do Brasil, competição que distribui R$ 70 milhões em premiação total para os participantes desta edição.









