— Cara, o gol foi legal ou não? Vi o VAR acender lá na tela do bar e achei que ia anular.
— Foi legal. Demorou uns 13 minutos, mas confirmaram. Waguininho estava no lugar certo.
— E o Sport fez alguma coisa depois disso?
— Nada que assustasse de verdade. Ficou só no amarelo.

O começo eufórico (ou tenso)

O Estádio Heriberto Hülse abriu a 16ª rodada da Série B de 2026 neste sábado com temperatura acima do esperado — e não pelo clima de Santa Catarina. Já aos 3 minutos, o árbitro exibiu o primeiro cartão amarelo da partida para Thiago Ramon Santos Modesto, lateral do Sport Recife que havia acabado de entrar no campo mental antes mesmo de o jogo encontrar ritmo. A entrada foi dura, o protesto foi imediato, e o tom da partida ficou definido naquele instante: o Leão viria para travar, o Tigre para pressionar.

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O Criciúma escalou seus homens em bloco médio, com saída rápida pelos flancos, buscando Waguininho como referência de velocidade no corredor esquerdo. O Sport, por sua vez, organizou linhas de quatro bem fechadas, apostando na transição para incomodar. O problema é que a transição dependia de recuperação de bola — e o meio-campo pernambucano estava sendo sistematicamente pressionado antes de conseguir girar.

O meio que decidiu o tom

Aos 16 minutos, o VAR foi acionado. A jogada que originou o pedido de revisão envolveu Waguininho em posição de ataque — e a checagem durou o tempo suficiente para elevar a tensão nas arquibancadas. A decisão do árbitro de vídeo foi pela validação da jogada, abrindo caminho para o que viria a seguir.

Aos 29 minutos, o gol saiu. Waguininho recebeu pelo lado esquerdo, ajeitou com o corpo, afastou o marcador e bateu com o pé direito, cruzado, sem chances para o goleiro. Um gol construído dentro do padrão que o Criciúma vinha executando: pressão alta, recuperação adiantada e finalização no primeiro espaço disponível. O placar marcava 1 a 0, e a Série B ganhou mais um capítulo da disputa catarinense pelo G-4.

O que se seguiu foi uma sequência de cartões que revelou o estado emocional das duas equipes. Aos 32 minutos, o próprio Waguininho foi amarelado — ironia de quem acabara de decidir. Aos 33, foi a vez de Marcelo Benevenuto, zagueiro do Sport, levar o segundo cartão da partida para o Leão. Aos 35, Pedro Martins completou o trio de advertências em sequência. Em três minutos, quatro cartões no total foram distribuídos. O jogo havia virado disputa de nervos.

O final que mudou tudo

O intervalo serviu de pausa cirúrgica para o técnico do Criciúma. No início do segundo tempo, três substituições simultâneas remodelaram o time catarinense: saíram Iury Castilho, Jean Irmer e Fábio Matheus Ribeiro Lima; entraram Carlos de Pena, Thiago Ramon Santos Modesto (que havia sido amarelado no começo, mas participou da segunda etapa) e Pedro Martins. As trocas foram feitas no limite dos 46 minutos, indicando planejamento prévio e não reação a lesão.

O Sport tentou responder com mais presença no campo ofensivo, mas a última infração do jogo veio do lado pernambucano. Aos 51 minutos, Chrystian Barletta foi amarelado — o quinto cartão da partida, distribuído entre os dois times em menos de 50 minutos de futebol. O jogo nunca voltou a ter qualidade técnica suficiente para ameaçar o placar. O Criciúma administrou com organização defensiva e o 1 a 0 resistiu até o apito final.

Do ponto de vista financeiro, a vitória tem peso direto nos bônus de campanha previstos nos contratos dos jogadores do Criciúma — cláusulas de desempenho vinculadas a posição na tabela ao fim de cada bloco de rodadas são prática comum nos contratos da Série B. Informações apuradas em matéria do SportNavo apontam que o clube catarinense opera com folha salarial na faixa de R$ 2,8 milhões mensais, dentro de um orçamento que depende diretamente da permanência na divisão de acesso — e, idealmente, do retorno à elite.

O que cada torcida levou para casa

Para o Criciúma, a vitória consolida uma sequência que começa a ganhar consistência na tabela da Série B 2026. O time somou três pontos em casa, diante de um adversário direto na briga pela parte de cima da classificação, e o fez com o mínimo de desgaste físico — a gestão das substituições na virada do intervalo foi precisa. O VAR, que poderia ter complicado, acabou validando a jogada e o gol.

Para o Sport Recife, o cenário é mais delicado. O Leão saiu de Santa Catarina com cinco cartões amarelos distribuídos entre seus jogadores e nenhuma finalização de real perigo registrada no segundo tempo. A equipe pernambucana apresentou dificuldade para construir saída de bola sob pressão e não criou volume suficiente para ameaçar o Tigre depois de levar o gol. A distância para o G-4 aumentou, e a próxima rodada — a 17ª da Série B — chega com urgência para o técnico rubro-negro.

  • Gol: Waguininho, aos 29' (pé direito, cruzado)
  • VAR: revisão aos 16', favorável ao Criciúma
  • Cartões amarelos: Thiago Ramon (3'), Waguininho (32'), Marcelo Benevenuto (33'), Pedro Martins (35'), Chrystian Barletta (51')
  • Substituições do Criciúma: Carlos de Pena, Thiago Ramon e Pedro Martins entraram no intervalo

O Criciúma tem estrutura para brigar pelo acesso — falta o momento em que os rivais diretos tropecem juntos.