A partida de Robert Arboleda para o Equador na madrugada de sábado, sem comunicação prévia com a diretoria são-paulina, evidencia um problema estrutural que vai além da indisciplina individual: o São Paulo não possui no elenco um substituto à altura das características técnicas e físicas do zagueiro de 33 anos. Com 17 pontos em 11 jogos disputados no Brasileirão, o Tricolor ocupa a quarta posição e não pode se dar ao luxo de improvisar na defesa durante a reta final da primeira fase.
Números comprovam importância do equatoriano
Arboleda disputou oito das 11 partidas do São Paulo no campeonato nacional, sendo titular absoluto quando disponível. Nas cinco vitórias conquistadas pelo time de Roger Machado, o zagueiro esteve presente em quatro oportunidades, participando diretamente de 70% dos triunfos tricolores. Sua média de desarmes por jogo (3,2) e interceptações (4,1) superam qualquer outro defensor do elenco atual.

A comparação com os demais zagueiros do plantel revela o tamanho do vácuo deixado pelo equatoriano. Diego Costa, com apenas 22 anos e formado nas categorias de base santistas, possui 1,8 desarme por partida em suas três aparições como titular. Sabino, de 28 anos, registra números ainda mais modestos: 1,4 desarme e 2,3 interceptações por jogo nas quatro partidas em que atuou desde o início.
Formação defensiva em xeque
O sistema tático preferido por Roger Machado, com linha de quatro defensores, depende fundamentalmente de zagueiros com capacidade de antecipação e jogo aéreo. Arboleda, com 1,87m de altura, vencia 68% dos duelos aéreos disputados no Brasileirão, índice que nenhum outro defensor são-paulino consegue replicar. Alan Franco, lateral convertido em zagueiro, alcança apenas 52% de aproveitamento nos duelos pelo alto.
A ausência do equatoriano também compromete a saída de bola do fundo. Seus 89% de passes certos, incluindo 12 lançamentos longos certeiros por partida, representavam uma válvula de escape importante para quebrar a pressão adversária. Diego Costa, principal candidato à vaga, acerta 76% dos passes e realiza apenas seis lançamentos longos por jogo.
Histórico de instabilidade preocupa
Esta não é a primeira vez que Arboleda gera instabilidade no elenco são-paulino. Em fevereiro, o então técnico Hernán Crespo liberou o zagueiro para resolver questões particulares no Equador, episódio que já demonstrava a relação contconturbada do jogador com o clube. Segundo dirigentes ouvidos pela reportagem, a diretoria tentou contato com representantes e familiares do atleta, mas ninguém soube explicar os motivos da partida repentina.
Roger Machado, que assumiu o comando técnico há seis semanas, vinha utilizando Arboleda com menor frequência em relação ao período Crespo. O equatoriano perdeu a titularidade em duas das últimas cinco partidas, situação que pode ter contribuído para sua decisão de deixar o país. Nos bastidores do CT da Barra Funda, fontes ligadas ao elenco admitem surpresa com a atitude do veterano defensor.
Mercado de transferências como solução
Com a janela de transferências brasileira aberta até setembro, o São Paulo avalia alternativas no mercado para suprir a eventual saída definitiva de Arboleda. O clube sondou zagueiros experientes que atuam na Série A, mas enfrenta limitações orçamentárias que dificultam contratações imediatas. A folha salarial já comprometida em 85% da receita líquida restringe as opções da diretoria.
Internamente, a comissão técnica trabalha com a possibilidade de adaptar Welington, lateral-esquerdo de 24 anos, para atuar como terceiro zagueiro em situações específicas. O jogador formado no Fluminense possui boa técnica e velocidade, características que poderiam compensar parcialmente a ausência de Arboleda em jogos contra equipes que priorizem contra-ataques rápidos.
O São Paulo volta a campo nesta quarta-feira, contra o Cruzeiro, no Morumbis, em partida que pode definir a permanência do time no G-4 do Brasileirão. Roger Machado terá pela primeira vez que montar a defesa sem sua principal referência, testando na prática a profundidade do elenco tricolor.

