Confesso: eu errei sobre a Suécia em 2022. Quando os suecos ficaram de fora da Copa do Catar — eliminados pela Polônia na repescagem europeia — apostei que a geração que havia chegado às semifinais da Rússia-2018 estava encerrada de vez. Hoje, às 14h (horário de Brasília) deste sábado, 20 de junho de 2026, vejo o porquê eu estava equivocado: a Holanda entra em campo no segundo jogo do Grupo F da Copa do Mundo precisando vencer uma Suécia que já mostrou que não veio para figurar.
Os holandeses saíram da estreia com um empate de 2 a 2 diante do Japão — resultado que dói mais pela forma do que pelo placar. Os neerlandeses abriram 2 a 0 e cederam a igualdade nos minutos finais, em um colapso defensivo que expôs fragilidades conhecidas de qualquer torcedor que acompanha a seleção desde a campanha de 2010, quando perderam a final para a Espanha (1 a 0, com gol de Iniesta na prorrogação) após dominar boa parte daquele torneio. A Holanda tem histórico de equipes tecnicamente superiores que tropeçam por descuidos pontuais.
A Suécia que goleou 5 a 1 e os números que mudam o prognóstico do Grupo F
A Tunísia foi desmontada em campo aberto. Cinco gols marcados na estreia colocam a Suécia entre as três seleções de melhor desempenho ofensivo da primeira rodada, ao lado da Alemanha — que aplicou 7 a 1 sobre Curaçao — e de outras equipes que fugiram do roteiro esperado. Para fins de comparação histórica: na Copa de 2018, a Suécia eliminou a Itália nas eliminatórias, chegou às quartas de final e foi eliminada pela Inglaterra por 2 a 0. Àquela altura, a geração liderada por Andreas Granqvist e Emil Forsberg já mostrava solidez tática que hoje parece ter amadurecido ainda mais.
O técnico sueco montou um 4-4-2 compacto contra a Tunísia, com transições rápidas e eficiência clínica no contra-ataque — um modelo que lembra, curiosamente, a estratégia de um maestro de jazz: cada músico sabe exatamente quando improvisar e quando segurar o compasso. A Holanda, ao contrário, improvisou demais no segundo tempo contra o Japão e pagou o preço.
Decidiu.
Aquele empate no final do primeiro jogo pode custar a classificação dos holandeses se a Suécia confirmar hoje o favoritismo construído na estreia. Com uma vitória sueca, a Holanda ficaria com apenas um ponto e precisaria vencer o Japão na última rodada — enquanto os suecos já poderiam garantir a vaga com tranquilidade.
O que a história das Copas diz sobre seleções europeias em grupos equilibrados
Nas últimas quatro edições do Mundial, nenhuma seleção europeia que empatou na estreia e perdeu na segunda rodada conseguiu avançar às oitavas de final. O dado não é coincidência: o formato de grupos penaliza quem perde pontos nos primeiros 180 minutos, especialmente quando o rival direto acumula seis pontos antes da última rodada. A Holanda de 2014, treinada por Louis van Gaal, é o contraexemplo claro: os neerlandeses chegaram a ser terceiros colocados após a primeira rodada, mas reagiram com vitórias sobre Austrália (3 a 2) e Chile (2 a 0) para avançar às quartas.
Segundo análise publicada em matéria do SportNavo antes do início da Copa, a Holanda desta geração tem em seu elenco jogadores de alto nível técnico em clubes como Liverpool, Bayern de Munique e Barcelona — mas carece de um organizador de jogo com a autoridade que Arjen Robben exerceu entre 2010 e 2014. Essa ausência ficou evidente contra o Japão, quando a equipe perdeu o controle do ritmo sem conseguir reestabelecer a estrutura defensiva.
A Suécia, por sua vez, não depende de um nome. Coletivo é a palavra que define a equipe: nos cinco gols contra a Tunísia, ao menos quatro jogadores diferentes participaram diretamente das jogadas de construção, algo que os dados de passes progressivos da primeira rodada confirmam.
O que está em jogo agora e o mapa da classificação até a última rodada
O Grupo F tem quatro seleções com características muito distintas: Suécia e Holanda brigam pela liderança nesta tarde, enquanto Japão e Tunísia se enfrentam na madrugada de domingo (21), à 1h de Brasília, em partida que marca o milésimo jogo da história das Copas do Mundo — um dado histórico que por si só já justifica atenção especial ao confronto.
Se a Holanda perder hoje, o cenário é matemático: precisará vencer o Japão por margem considerável na terceira rodada e torcer por um tropeço sueco. Se empatar, mantém chances, mas com aproveitamento de apenas dois pontos em dois jogos — o que, historicamente, classifica poucos entre 48 seleções no formato atual. Uma vitória holandesa, ao contrário, recoloca o grupo em aberto e transforma a última rodada em decisão direta.

A bola rola às 14h de Brasília. Holanda e Suécia definem hoje quem chega à terceira rodada com o destino nas próprias mãos — e quem dependerá dos outros para sobreviver na Copa do Mundo de 2026.












