Quando Eduardo Domínguez assumiu o comando técnico do Atlético-MG, trouxe consigo uma filosofia de trabalho que remonta aos grandes maestros argentinos que marcaram época no futebol brasileiro. Assim como Menotti no Huracán dos anos 1970 ou Bianchi em suas passagens vitoriosas, o treinador de 42 anos estabeleceu um código de exigências que vai além do aspecto técnico-tático.
A vitória recente do Galo evidenciou os frutos desse método rigoroso. Domínguez não esconde sua satisfação com a resposta do elenco, mas mantém o discurso de cobrança constante que caracterizou grandes técnicos sul-americanos em solo mineiro. Levir Culpi, em 2013, aplicava pressão similar sobre Ronaldinho e Bernard; Cuca, durante a conquista da Libertadores de 2013, exigia dos jogadores uma entrega total em cada treinamento.
Padrão físico elevado marca nova filosofia
A principal exigência de Domínguez recai sobre a intensidade física dos atletas. Dados do departamento de performance do clube revelam que o Atlético-MG passou a percorrer uma média de 112,4 quilômetros por partida nas últimas cinco rodadas, marca 8% superior ao início da temporada. Esta evolução coloca o time entre os três que mais correm no Campeonato Brasileiro atual.
O técnico argentino estabeleceu como meta que cada jogador de linha percorra no mínimo 10,5 quilômetros por jogo, padrão similar ao implementado por Jorge Sampaoli durante sua passagem pelo Santos em 2019. Hulk, aos 37 anos, tem correspondido às expectativas com média de 10,8 km por partida, enquanto Scarpa registra 11,2 km, números que impressionam pela consistência.
"A intensidade não é negociável. Quem não conseguir acompanhar o ritmo que exigimos, terá menos oportunidades", declarou Domínguez em entrevista coletiva recente.
Posse de bola como fundamento tático
Além da questão física, Domínguez cobra do elenco um cuidado especial com a posse de bola. O Atlético-MG registra 58,7% de posse média nos últimos dez jogos, percentual que representa aumento de 4,3 pontos em relação ao início do trabalho do argentino. Esta estatística aproxima o Galo dos padrões de grandes equipes sul-americanas como River Plate e Boca Juniors.
O meio-campista Zaracho tornou-se peça fundamental neste sistema, com 89,3% de aproveitamento nos passes na última partida. Esse desempenho lembra a precisão de Diego Tardelli durante a era dourada atleticana de 2013, quando o clube conquistou Libertadores e Recopa Sul-Americana com futebol de alto nível técnico.
Gustavo Scarpa, por sua vez, vem sendo utilizado em posição mais recuada para organizar o jogo, função que exercia com maestria no Palmeiras de Abel Ferreira. Suas 127 ações com bola por jogo demonstram a confiança depositada pelo técnico no meia-atacante.
Resposta do elenco gera otimismo
A adaptação dos jogadores às exigências de Domínguez tem sido gradual, mas consistente. Paulinho, artilheiro da equipe com 8 gols no Brasileirão, aumentou sua participação no jogo coletivo: de 2,1 desarmes por partida no início da temporada para 3,4 nas últimas rodadas. Esta evolução defensiva do camisa 10 remonta aos tempos de Ronaldinho Gaúcho, que também precisou se adaptar ao esquema mais intenso de Levir Culpi.
A lateral-direita, ocupada por Saravia, registra números defensivos impressionantes: 7,2 recuperações de bola por jogo, marca que o coloca entre os três melhores do campeonato na posição. Estes dados refletem diretamente a cobrança do técnico por maior participação de todos os setores nas ações defensivas.
"Cada jogador precisa entender que defendemos e atacamos juntos. Não existe mais espaço para individualismo", enfatizou o treinador argentino.
O próximo desafio do Atlético-MG acontece no domingo, contra o Fortaleza, no Mineirão, em confronto direto pela parte de cima da tabela. A partida servirá como novo teste para verificar se os padrões exigidos por Domínguez continuarão sendo cumpridos diante de um adversário que também prima pela intensidade física e organização tática.

