A convivência entre Endrick e Carlo Ancelotti no Real Madrid transcendeu os gramados do Santiago Bernabéu e passou a alimentar especulações sobre uma possível revolução tática na Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026. O jovem atacante de 18 anos, que disputará sua primeira Copa, desenvolve sob o comando do técnico italiano uma relação profissional que pode definir os rumos da Canarinho nos próximos anos.

A metodologia Ancelotti aplicada ao talento brasileiro

Desde sua chegada ao Real Madrid em julho de 2024, Endrick participou de 23 partidas oficiais sob o comando de Ancelotti, marcando 4 gols e distribuindo 2 assistências. O técnico italiano, pentacampeão da Liga dos Campeões como treinador, adotou uma abordagem gradual com o brasileiro, similar ao método utilizado com Vinícius Júnior entre 2021 e 2022. Naquele período, o atual camisa 7 da Seleção evoluiu de 6 gols em 35 jogos na temporada 2021-22 para 22 gols em 52 partidas em 2022-23.

A metodologia Ancelotti aplicada ao talento brasileiro Endrick e Ancelotti testa
A metodologia Ancelotti aplicada ao talento brasileiro Endrick e Ancelotti testa

A escalação de Endrick no sistema 4-3-3 de Ancelotti revela adaptações táticas específicas. O brasileiro atua predominantemente como segundo atacante, posicionando-se entre as linhas quando Mbappé assume o papel de centroavante. Essa flexibilidade posicional ecoa estratégias históricas da Seleção: em 2002, Ronaldinho operava de forma similar ao lado de Ronaldo no esquema 3-5-2 de Felipão.

"Endrick tem qualidades únicas para sua idade. Ele entende o jogo de forma madura e se adapta rapidamente às nossas necessidades táticas", declarou Ancelotti em entrevista coletiva após vitória do Real Madrid por 3-1 sobre o Real Sociedad.

Paralelos históricos entre técnicos estrangeiros e a Seleção

A especulação sobre Ancelotti assumir a Seleção Brasileira encontra precedentes históricos significativos. O último técnico estrangeiro a comandar a Canarinho foi o argentino Filpo Núñez, entre dezembro de 1965 e julho de 1966, durante 8 jogos com aproveitamento de 62,5%. Desde então, apenas brasileiros ocuparam o cargo, totalizando 27 técnicos diferentes em 58 anos.

A experiência de Ancelotti com jogadores brasileiros, entretanto, é vasta. Durante sua passagem pelo Milan (2001-2009), comandou Kaká, Ronaldo, Ronaldinho e Cafú em 420 partidas oficiais. O aproveitamento com brasileiros em seu elenco sempre superou 70%: no Milan alcançou 72,4% de aproveitamento, no Real Madrid atual marca 78,9%. Esses números contrastam com técnicos brasileiros recentes da Seleção: Tite registrou 60,4% entre 2016 e 2022, enquanto Fernando Diniz acumulou apenas 50% em 6 jogos.

Projeção tática para a Copa de 2026

A análise das escalações de Ancelotti no Real Madrid sugere um possível 4-2-3-1 para a Seleção, formação que o italiano utilizou em 67% dos jogos na temporada atual. Endrick ocuparia a posição de meia-atacante, similar ao papel desempenhado por Bellingham, enquanto Vinícius Júnior atuaria pela esquerda e Rodrygo pela direita. Essa configuração maximizaria o potencial ofensivo brasileiro, historicamente eficaz: em Copas do Mundo, a Seleção marcou média de 2,4 gols por jogo quando utilizou três atacantes naturais simultaneamente.

O sistema defensivo de Ancelotti também se alinha às características do futebol brasileiro moderno. A pressão alta implementada no Real Madrid, com recuperação de bola no campo adversário em 34% das ações defensivas, espelha o estilo de jogo que caracterizou as vitórias brasileiras nas Copas de 1958, 1962 e 1970. Naqueles torneios, o Brasil recuperava a posse no terço final em média 38% das vezes.

Paralelos históricos entre técnicos estrangeiros e a Seleção Endrick e Ancelotti
Paralelos históricos entre técnicos estrangeiros e a Seleção Endrick e Ancelotti
"Trabalhar com Ancelotti me ensinou muito sobre posicionamento e leitura de jogo. Ele me ajuda a entender quando atacar o espaço e quando segurar a jogada", revelou Endrick em entrevista ao canal oficial do Real Madrid.

O fator experiência continental

A campanha brasileira rumo à Copa de 2026 iniciará oficialmente em março de 2025, com as primeiras convocações para as Eliminatórias Sul-Americanas finais. Ancelotti possui vasta experiência em competições continentais: venceu 5 Ligas dos Campeões, 1 Copa América (como jogador em 1991) e participou de 4 Copas do Mundo como assistente técnico da Itália entre 1990 e 2002.

Essa bagagem internacional contrasta com técnicos brasileiros recentes: dos últimos 5 comandantes da Seleção (Dunga, Mano Menezes, Tite, Adenor Bacchi e Fernando Diniz), apenas Tite possuía experiência prévia em competições sul-americanas de clubes. O aproveitamento médio desses técnicos em Copas do Mundo foi de 54,2%, enquanto Ancelotti registra 71% de aproveitamento em torneios eliminatórios continentais.

A Seleção Brasileira retorna aos gramados em março de 2025, nas últimas rodadas das Eliminatórias, já classificada para a Copa de 2026. Independentemente de quem assumir o comando técnico, a relação desenvolvida entre Endrick e Ancelotti no Real Madrid oferece um modelo tático promissor para maximizar o potencial da nova geração brasileira nos Estados Unidos, México e Canadá.