Quatro gols marcados, zero sofridos e mais uma vítima ilustre na Arena MRV: o Flamengo atropelou o Atlético-MG por 4 a 0 no domingo (26), pela 13ª rodada do Brasileirão, e entregou a quem ainda duvidava a prova mais contundente de que algo estrutural mudou no rendimento rubro-negro como visitante. O aproveitamento de 61% fora de casa em 2026 — ante os 52% registrados na temporada passada — não é acidente. É o produto de um time que aprendeu a impor seu jogo longe de casa.
Os números que separam 2025 de 2026
A defesa do argumento de que a melhora é conjuntural costuma vir acompanhada de um raciocínio simples: adversários mais fracos, fase inicial do campeonato, calendário favorável. Esse argumento não resiste aos dados. Em 2026, o Flamengo acumula 4 vitórias, 1 empate e 2 derrotas como visitante na Série A, com média de 2,5 gols marcados por jogo fora de casa — índice que o coloca entre os mais eficientes do campeonato nesse recorte específico. A defesa complementa o quadro: menos de 1 gol sofrido por partida longe do Maracanã, marca que evidencia equilíbrio tático e não apenas explosão ofensiva pontual.
Em 2025, o aproveitamento de 52% como visitante colocava o Flamengo em posição mediana para um clube de suas ambições. A diferença de 9 pontos percentuais entre as duas temporadas, consolidada já na 13ª rodada, representa a transição de um time que sofria para administrar ambientes hostis para uma equipe que os domina. A goleada na Arena MRV, estádio onde o Flamengo permanece invicto em cinco partidas disputadas desde a inauguração — com quatro vitórias e um empate —, é o episódio mais simbólico dessa transformação.
Pedro, Plata e Arrascaeta como termômetro tático
A leitura da goleada sobre o Atlético-MG revela o mecanismo que sustenta esses números. No primeiro tempo, Pedro, Gonzalo Plata e Arrascaeta marcaram os três gols que sepultaram o jogo antes do intervalo. O equatoriano Plata se consolidou como personagem simbólico da Arena MRV ao ponto de o próprio Flamengo publicar nas redes sociais a provocação chamando o estádio de "Arena Gonzalo Plata". Pedro fechou o placar aos 40 minutos do segundo tempo, quando o Flamengo voltou a finalizar com objetividade após um período de gestão da vantagem.
"Pode chamar de Arena Gonzalo Plata", publicou o perfil oficial do Flamengo no domingo (27), em referência direta ao desempenho do atacante equatoriano no estádio mineiro.
Arrascaeta, eleito um dos destaques da rodada, foi descrito por analistas como o jogador que "faz o jogo fluir, encontra espaços, destrava defesas e ainda aparece na área com faro de gols apurado" — uma caracterização precisa do papel do uruguaio no esquema de Leonardo Jardim. O técnico português implementou um estilo mais vertical que potencializa justamente as características de quem termina as jogadas, e os resultados fora de casa são o reflexo mais claro dessa escolha.
O que explica a virada de chave
A análise do SportNavo sobre o desempenho rubro-negro nestas 13 rodadas aponta para três fatores que diferenciam a campanha como visitante em 2026 da registrada em 2025. O primeiro é a compactação defensiva: com menos de 1 gol sofrido por jogo fora de casa, o Flamengo de Jardim não abre os espaços que tornavam o time vulnerável em deslocamentos na temporada anterior. O segundo é a verticalidade — o modelo que beneficia Plata e Pedro encurta o tempo de chegada à finalização, reduzindo a dependência da posse de bola em campos adversários. O terceiro fator é o meio-campo: o volante escalado por Jardim como protetor da zaga marcou, desarmou e distribuiu com qualidade contra o Atlético-MG, entregando também uma assistência na partida.
Quem sustenta que o aproveitamento de 61% ainda está aquém do necessário para um candidato ao título tem um ponto parcialmente válido: líderes históricos de Brasileirão costumam superar os 65% como visitantes ao longo de uma temporada completa. Contudo, a trajetória ascendente — de 52% para 61% em um único ciclo — combinada com o calendário que se avizinha, coloca o Flamengo em posição de comprimir ainda mais esse índice. O clube ocupa a quarta melhor campanha fora de casa no Brasileirão, mas a qualidade dos gols marcados e a solidez defensiva sugerem que essa posição tende a subir.
Impacto direto na briga pelo título
A goleada sobre o Atlético-MG na 13ª rodada cumpriu uma função dupla: manteve o Flamengo entre os líderes da rodada e enviou uma mensagem aos demais concorrentes ao título sobre a capacidade rubro-negra de vencer em qualquer praça. Com mais de um terço do campeonato disputado, o clube que resolve jogos fora de casa com uma diferença de quatro gols está construindo uma campanha que vai além da consistência — está estabelecendo autoridade.
O próximo teste chega na quarta-feira (29), às 21h30, no Estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata, na Argentina, contra o Estudiantes pela terceira rodada da fase de grupos da Copa Libertadores. O Flamengo chega invicto também no torneio continental e carregando o momento mais positivo de seu desempenho como visitante nos últimos dois anos.









