Sábado, 13 de junho de 2026, 19h (horário de Brasília). O MetLife Stadium, em East Rutherford, recebe o jogo com maior procura de ingressos entre todos os duelos desta Copa — e o duelo dentro do duelo começa muito antes do apito inicial: Neymar está fora, e Achraf Hakimi sabe exatamente o que isso significa para Vinicius Jr.
Hakimi e o peso de marcar o companheiro de treino
Aos 27 anos, Hakimi chega à Copa do Mundo de 2026 vivendo o auge da carreira. Conquistou mais uma Liga dos Campeões pelo PSG e liderou Marrocos ao título da Copa Africana de Nações — currículo que o jornal espanhol Marca classificou como "trajetória extraordinária". Mas é justamente essa bagagem que torna o seu desafio de sábado ainda mais revelador: ele conhece Vinicius Jr. de dentro para fora, dos treinos no Real Madrid, e sabe que marcar o camisa 7 brasileiro exige muito mais do que um lateral qualificado.

"Todos conhecem a seleção do Brasil e a qualidade do Vinicius Jr. Já joguei com ele muitas vezes, é um grande jogador. Para defender o lado dele e os outros atletas brasileiros, que são de alto nível, teremos que trabalhar juntos. Acredito que nos preparamos muito bem para esse momento. Pessoalmente, me sinto preparado e confiante para fazer uma grande partida", declarou Hakimi em entrevista coletiva nesta sexta-feira.
A frase "teremos que trabalhar juntos" não é modéstia protocolar — é diagnóstico tático. Os dados de pressing intensity (PPDA, o número de passes permitidos por ação defensiva) do Marrocos na campanha do Qatar 2022 mostram uma equipe que sufoca adversários com bloco coletivo, não com marcações individuais de destaque. Quanto menor o PPDA, mais agressiva a pressão; os marroquinos registraram um dos melhores índices da competição naquele ano. Para o leigo: significa que Hakimi nunca precisou parar um craque sozinho — sempre teve uma rede de suporte. Contra Vini Jr., essa rede vai precisar funcionar desde o primeiro minuto.
Vini Jr. sem Neymar — e por que isso pode ser diferente do que parece
Carlo Ancelotti confirmou nesta sexta-feira que Neymar não estará disponível para a estreia. O camisa 10 sofreu uma lesão na panturrilha no dia 17 de maio, durante a derrota do Santos para o Coritiba, e segue em recuperação sem ainda ter treinado com chuteiras. A escalação projetada para o MetLife Stadium tem: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro; Casemiro e Bruno Guimarães; Lucas Paquetá, Matheus Cunha, Vinicius Jr. e Raphinha.
A ausência de Neymar concentra responsabilidade criativa em Vini Jr. — mas o próprio atacante rejeita o enquadramento de fardo. Em coletiva no MetLife Stadium, ele foi direto:
"É o momento mais especial da minha carreira. Chego no meu nível físico e técnico como sempre sonhei, não tive nenhuma lesão durante toda a temporada. Me preparei muito bem. E jogar com o Ancelotti me dá tranquilidade, porque ele me dá confiança para eu fazer na Seleção tudo que já fiz pelo Real."
O dado que sustenta essa confiança é concreto: Vini Jr. terminou a temporada 2025/2026 sem nenhuma lesão, algo raro para um atleta que atua em alta intensidade nos dois lados do campo. Nos últimos dois amistosos da Seleção, foi o jogador com maior número de conduções progressivas — movimentos com bola que avançam em direção ao gol adversário — e o que mais criou oportunidades qualificadas de finalização. Contra o Marrocos, o corredor esquerdo será o corredor mais disputado do jogo.
O que Ancelotti e Regragui precisam resolver antes das 19h
Do lado brasileiro, Ancelotti reconheceu que o Marrocos "é uma equipe muito bem organizada e tem qualidade em todos os aspectos do jogo — defensivamente, ofensivamente, nas transições e também na bola parada". A avaliação é pertinente: em março de 2024, os marroquinos venceram o Brasil por 2 a 1 em amistoso disputado no próprio Marrocos — resultado que mudou a percepção de equilibrio entre as seleções. No ranking FIFA atual, o Brasil figura na sexta colocação, distância bem menor do que a abissal diferença de 1998, quando o placar foi 3 a 0 para a seleção pentacampeã.
O técnico italiano não revelou a escalação definitiva, mas deixou claro o tom da preparação:

"Estamos confiantes nesta Copa do Mundo, não só para o primeiro jogo, porque é apenas o início da competição. Temos uma equipe que pode competir com todos", afirmou Ancelotti.
Do lado marroquino, o treinador Walid Regragui tem em Hakimi o principal vetor ofensivo — o lateral do PSG não é apenas marcador, é construtor. Suas subidas pelo corredor direito criam sobrecarga e obrigam o Brasil a decidir: Alex Sandro cobre e abre espaço por dentro, ou o meio-campo recua e perde transição? Essa pergunta tática, registrada como análise pré-jogo pelo SportNavo, define qual das duas equipes dita o ritmo nos primeiros 25 minutos.
Vini Jr. sintetizou o peso histórico do jogo com a frase mais direta da coletiva: "A gente está aqui para colocar o Brasil no lugar de onde ele nunca deveria ter saído, que é o topo." O Brasil não vence uma Copa do Mundo desde 2002. O MetLife Stadium tem capacidade para 80.633 torcedores e está com ingressos praticamente esgotados — o jogo lidera a venda de camarotes entre todos os duelos do torneio. Hakimi x Vini Jr. começa às 19h. O Brasil volta a campo no dia 19 de junho, contra o Haiti, quando Neymar deve estar integrado ao grupo.








