A lesão na coxa direita de Marcos Antônio durante a partida no Morumbis tornou-se apenas mais um capítulo de uma novela que se repete com frequência preocupante no São Paulo de 2025. O volante de 26 anos deixou o campo aos 34 minutos do primeiro tempo, aumentando uma lista que já conta com 11 casos de desgaste muscular no elenco principal desde janeiro - um número que supera as 8 ocorrências registradas em todo o ano de 2024.

Padrão histórico se repete no Morumbis

Quem acompanha o São Paulo desde os anos 90 lembra de períodos similares de surto de lesões. Em 1998, sob comando de Vanderlei Luxemburgo, o time perdeu simultaneamente Müller, Denílson e Edmundo por problemas musculares na reta final do Campeonato Brasileiro, comprometendo a briga pelo título que acabou nas mãos do Corinthians. A situação atual guarda paralelos inquietantes com aquele cenário, quando a preparação física foi questionada pelos próprios jogadores.

"Daqui a pouco volto", declarou Marcos Antônio após deixar o gramado, demonstrando otimismo que contrasta com a realidade dos números.

O meio-campista português, que chegou ao clube em 2024 vindo do Estoril, havia disputado 18 partidas consecutivas sem qualquer problema físico. Sua lesão ocorreu em um momento de disputa de bola aparentemente inofensiva, característico de fadiga muscular acumulada. O departamento médico tricolor estima 15 dias de recuperação, prazo que coincide com a pausa para a Data FIFA de março.

Calendário saturado ou preparação deficiente

O São Paulo disputa atualmente quatro competições simultâneas: Campeonato Paulista, Copa do Brasil, Libertadores e Campeonato Brasileiro. Desde o início de 2025, o time já acumulou 23 jogos oficiais, média de uma partida a cada 3,2 dias. Para comparação, em 2005, ano do tricampeonato mundial, o elenco comandado por Paulo Autuori disputou 19 jogos no mesmo período, com intervalo médio de 4,1 dias entre as partidas.

A comissão técnica atual trabalha com um sistema de rodízio que teoricamente deveria preservar os jogadores principais. No entanto, lesões como a de Marcos Antônio têm forçado o treinador a improvisar escalações e sobrecarregar atletas que deveriam estar em processo de recuperação. O lateral-direito Igor Vinicius, por exemplo, acumula 1.847 minutos em campo desde janeiro - 23% a mais que sua média da temporada anterior.

Gafe tecnológica expõe fragilidades estruturais

Enquanto o foco deveria estar na preparação para os próximos compromissos, o São Paulo viu-se obrigado a explicar uma gafe constrangedora: o telão do Morumbis exibiu Hernán Crespo como técnico atual do clube durante o intervalo da partida. O erro, que permaneceu no ar por 47 segundos antes da correção, gerou piadas nas redes sociais e revelou falhas de comunicação interna que espelham problemas mais profundos.

Crespo dirigiu o São Paulo entre fevereiro de 2021 e outubro do mesmo ano, conquistando o Campeonato Paulista após 16 anos de jejum. Sua saída conturbada, motivada por divergências sobre contratações e planejamento, deixou marcas na gestão que ainda hoje se refletem em detalhes aparentemente menores como a atualização de sistemas audiovisuais.

Comparativo preocupante com rivais

Enquanto o São Paulo enfrenta esta epidemia de lesões musculares, seus principais rivais paulistas apresentam números bem diferentes. O Palmeiras registrou apenas 4 casos similares no mesmo período, enquanto o Corinthians teve 6 ocorrências. O Santos, mesmo disputando a Série B com um elenco teoricamente inferior, acumula apenas 3 lesões musculares entre os titulares desde janeiro.

A discrepância sugere que o problema vai além do calendário saturado e aponta para questões relacionadas à metodologia de trabalho físico, qualidade do gramado de treinamento ou até mesmo aspectos nutricionais e de recuperação. Em 1992, quando o São Paulo conquistou a primeira Libertadores, Telê Santana implementou um protocolo rigoroso de preparação que resultou em apenas 2 lesões musculares ao longo de toda a temporada.

O próximo compromisso do São Paulo será contra o Red Bull Bragantino, sábado, às 16h30, no Morumbis, pela 8ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com Marcos Antônio fora de combate e outros cinco jogadores em processo de transição física, o técnico terá que encontrar soluções imediatas para evitar que a temporada 2025 se transforme em mais um capítulo de frustração na história recente do clube.