Quantas vezes ainda vamos nos perguntar se Lionel Messi tem gasolina para manter esse ritmo? Na noite desta quarta-feira, 13 de maio, o argentino fez dois gols na virada do Inter Miami sobre o Cincinnati por 5 a 3, pela MLS, e chegou à marca de 909 gols oficiais na carreira. A pergunta não é retórica — ela carrega uma tensão real, porque o que Messi está fazendo em 2026 não é o que se esperava de um jogador de 38 anos numa liga de segunda prateleira global.
O jogo em si foi um caos organizado. O argentino abriu o placar aos 24 minutos do primeiro tempo, em lance que misturou intenção e sorte: De Paul tentou um passe para Messi, o zagueiro Matt Miazga tentou afastar e acabou desviando a bola no próprio camisa 10, que a mandou para a rede. O Cincinnati empatou aos 41, com Denkey convertendo pênalti. No segundo tempo, Bucha virou para os visitantes aos 4 minutos, mas Messi respondeu seis minutos depois com uma finalização de primeira na entrada da área — esse sim, um gol com a assinatura inconfundível de quem domina o espaço antes de receber a bola.
O que os números de Messi revelam sobre o Inter Miami em 2026
Evander, ex-Vasco, fez o terceiro do Cincinnati aos 29 minutos com um chute potente de fora da área — o tipo de gol que lembra por que o brasileiro foi contratado. Mas o Miami não cedeu: Silvetti empatou aos 34, em jogada iniciada pelo próprio Messi. Berterame aproveitou rebote de cobrança de falta aos 39 para virar. No último lance, um cruzamento para a área terminou em bola na rede com desvio de Messi em carrinho, mas a arbitragem registrou como contra do goleiro Roman Celentano — e Messi ficou a um gol de completar um hat-trick que, convenhamos, teria sido merecido.
Messi lidera o Inter Miami em gols e assistências nesta temporada. Segundo apuração do SportNavo, o argentino é o principal responsável pela vice-liderança do time na Conferência Leste, com 25 pontos — dois a menos que o Nashville SC, que soma 27. Para quem acompanhou a MLS nos anos 2000, quando o Beckham Effect trouxe glamour mas pouco resultado competitivo ao LA Galaxy entre 2007 e 2012, o que Messi está construindo em Miami tem outra textura: é influência direta no placar, não apenas na bilheteria.
O paralelo histórico que ninguém quer admitir sobre jogadores nessa fase
Há um precedente europeu que ajuda a calibrar a expectativa. Em 1994, quando Romário chegou ao Barcelona com 28 anos e fez 30 gols em 33 jogos pelo título espanhol, o debate era se ele teria fôlego para repetir aquela temporada. Repetiu — e ainda levou o Brasil à Copa do Mundo. O ponto não é comparar carreiras, mas lembrar que atletas de elite raramente declinam de forma linear. Messi, aos 38, ainda produz com consistência que jogadores de 25 anos na MLS não conseguem replicar. A diferença é que, em 1994, Romário tinha o Camp Nou. Messi tem o Chase Stadium — e ainda assim os números são absurdos.
A questão técnica que separa Messi do campo é a leitura de jogo. Ele não corre mais como em 2011, quando o Barcelona de Guardiola somou 96 pontos na La Liga com um saldo de gols de +89 — recorde histórico da competição. Mas Messi nunca dependeu exclusivamente da velocidade. Ele sempre dependeu do posicionamento, e esse atributo não envelhece da mesma forma que a explosão muscular. O gol de finalização de primeira contra o Cincinnati é a prova mais recente disso.
O que ainda falta para o Inter Miami garantir os playoffs
A vitória por 5 a 3 mantém o Inter Miami na cola do Nashville SC, mas a Conferência Leste da MLS é traiçoeira. O formato de playoffs da liga americana não premia apenas os primeiros colocados — ele distribui vagas de forma que times com campanhas irregulares podem se classificar. O Miami precisa de consistência, e essa é a variável que Messi não controla sozinho.
"Messi é o melhor jogador que já vi jogar futebol", disse o técnico Javier Morales em entrevista após a partida, sintetizando o que boa parte da MLS pensa sobre o argentino — mas que raramente diz em voz alta por questão de protocolo competitivo.
O Inter Miami volta a campo ainda nesta semana para sequência da MLS. O time de Beckham sabe que dois pontos de distância para a liderança são administráveis, mas qualquer tropeço reabre o debate sobre a dependência excessiva do camisa 10. Com 909 gols na carreira e dois a mais no banco de reservas desta quarta-feira, Messi ainda não deu sinais de que vai parar de responder perguntas com os pés.









