A última vez que um astro brasileiro entrou na Copa do Mundo em meio a uma guerra de opiniões entre ídolos estrangeiros foi em 1994, quando Romário precisou convencer o próprio Parreira de que estava pronto depois de meses fora dos gramados. Trinta e dois anos depois, Neymar revive um roteiro parecido — e os campeões mundiais se dividem exatamente como os jornalistas brasileiros se dividiam naquela época: metade apostando no talento, metade desconfiando do corpo.

O que Messi disse e por que isso importa

Em entrevista ao podcast Lo Del Pollo, publicada na sexta-feira, 8 de maio, Lionel Messi foi direto ao ponto sobre o atacante do Santos.

"Nas Copas, queremos que estejam os melhores, e o Ney, esteja como estiver, sempre vai ser um deles. Seria lindo vê-lo na Copa, pelo que significa para o Brasil e para o futebol mundial", declarou o camisa 10 do Inter Miami.
A fala não é só afeto entre amigos que dividiram vestiários no PSG por quatro temporadas. Messi também colocou o Brasil entre os principais favoritos ao título, ao lado de França, Espanha, Alemanha, Inglaterra e Portugal — o que significa que, na cabeça do maior jogador da história recente, a Seleção com Neymar pesa diferente na conta.

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O argentino ainda reconheceu a ausência de objetividade:

"Eu não consigo ser muito objetivo, Neymar é meu amigo. Obviamente eu adoraria que ele fosse, que coisas boas acontecessem com ele porque ele merece"
. Essa honestidade desarmou críticos que tentaram reduzir a declaração a lobby de compadre.

Ruggeri e o argumento do pontapé

Do lado oposto do vestiário imaginário, Oscar Ruggeri, campeão mundial pela Argentina em 1986 no México e hoje comentarista da ESPN Argentina, não economizou nas palavras. O ex-zagueiro resgatou um episódio específico — a vitória do Brasil por 4 a 0 sobre o Peru na Copa América — para ilustrar o que considera falta de código de conduta.

"O Neymar não tem quaisquer códigos de conduta em campo. Com o resultado de 4 a 0, faz uma finta, puxa para um lado, puxa para o outro. Com o Peru já destruído, ele continuava a brincar com os adversários. Se o Messi faz 4 a 0, você não vai saber que o placar está assim"
, afirmou Ruggeri.

O Cabezón foi além. Disse que, como era difícil de parar, "daria um grande pontapé" em Neymar se pudesse. A declaração gerou reação imediata nas redes, mas carrega um argumento técnico que merece ser analisado com seriedade: a diferença entre exibicionismo improdutivo e genialidade funcional. Ruggeri usa Messi como régua. É uma comparação que Neymar nunca venceu nos números de títulos — o argentino tem quatro Bolas de Ouro a mais e uma Copa do Mundo que Neymar ainda não tem.

A ausência no álbum e a lista do dia 18

O debate ganhou outro capítulo quando torcedores notaram que Neymar não aparece no álbum oficial da Copa do Mundo de 2026 — o único dos últimos quatro torneios em que isso acontece. Raul Vallecillo, CEO da Panini no Brasil, esclareceu que a escolha dos 18 atletas estampados no álbum não passa pela comissão técnica nem por Carlo Ancelotti. A definição é feita por uma equipe especializada da Panini na Itália, com base em probabilidades estatísticas de convocação. Ou seja, o algoritmo de Milão já calculou que Neymar tem menos chance do que os outros 18 nomes. Isso não é convocação, mas é sinal.

Segundo apuração do SportNavo, Neymar não é convocado pela Seleção Brasileira desde outubro de 2023 — quase três anos de ausência que atravessaram duas lesões graves no Al-Hilal e uma volta ao Santos ainda em fase de reconstrução física. A lista oficial de Ancelotti está prevista para o dia 18 de maio.

Ancelotti decide sozinho — e nem Messi muda isso

A opinião de ídolos pesa na opinião pública, não na prancheta técnica. Ancelotti tem histórico de tomar decisões impopulares — no Real Madrid, deixou Benzema fora de decisões e escalou jogadores ignorados pela imprensa. A questão central não é se Neymar merece emocionalmente, como Messi defende. A questão é se Neymar aguenta fisicamente 90 minutos contra Marrocos, Croácia ou qualquer adversário de mata-mata no ritmo de uma Copa disputada nos Estados Unidos, Canadá e México.

O atacante tem 34 anos, jogou menos de 400 minutos em campo desde setembro de 2023 e retornou ao Santos em 2026 com o objetivo declarado de recuperar ritmo. Os próximos jogos do Santos no Brasileirão — a equipe enfrenta o Fluminense no dia 17, véspera da lista de Ancelotti — serão o termômetro mais concreto que o técnico terá antes de bater o martelo. Vale gravar o jogo de sábado.