Caiu. Gonzalo Montiel sentiu a coxa direita e o plano de Scaloni para a segunda rodada da Copa do Mundo teve que ser reescrito às pressas. Exames confirmaram uma lesão no músculo posterior da coxa direita do lateral do River Plate, e o diagnóstico foi direto: ele não enfrenta a Áustria na segunda-feira, em Dallas. A cidade que ferve a mais de 38 graus neste junho vai receber uma Argentina que, mais uma vez, precisa se reorganizar defensivamente antes de entrar em campo.
A narrativa que circulou nos últimos dias era de que Montiel havia chegado bem à Copa — que o titular da direita estava pronto, que a disputa com Nahuel Molina tinha sido vencida com mérito. O que os números e o histórico médico do jogador dizem é diferente. Montiel chegou ao acampamento argentino em Kansas já carregando uma lesão no músculo da coxa da outra perna, sofrida na semifinal do Torneio Apertura contra o Rosario Central. Treinou separado por quase uma semana, ficou fora do amistoso contra Honduras e só ganhou minutos no segundo tempo do jogo contra a Islândia. Ser titular na estreia, diante da Argélia, foi mais uma decisão de contexto do que um atestado de saúde.
A lesão que Scaloni não pode ignorar desta vez
O problema atual não é o mesmo que Montiel carregava ao chegar a Kansas. É uma lesão nova, no músculo posterior da coxa direita, confirmada por exames realizados após o lateral não conseguir treinar normalmente. A comissão técnica argentina trabalha com a possibilidade de preservá-lo para o duelo contra a Jordânia, no sábado seguinte, também em Kansas — o que significa que o risco de agravar o quadro antes de uma partida de fase de grupos não vale a aposta.
Segundo informações da TyC Sports, Montiel deve aparecer nos treinos desta sexta e deste sábado, mas sem estar em condições plenas. A presença nos treinos é protocolar — uma forma de monitorar a evolução e manter o jogador integrado ao grupo. A decisão, nos bastidores, já está tomada.
"A comissão técnica trabalha com a possibilidade de preservá-lo para evitar o agravamento do quadro antes da sequência do Mundial", informou a TyC Sports, veículo com acesso direto ao entorno da seleção argentina.
O calor de Dallas complica qualquer recuperação muscular acelerada. O AT&T Stadium, onde a Argentina joga contra a Áustria, é fechado e com ar-condicionado — mas os treinos no Texas, sob o sol de junho, exigem um esforço físico que um músculo comprometido simplesmente não aguenta.
Molina não é plano B, é o plano que sempre esteve na gaveta
A narrativa de que Nahuel Molina seria uma solução de emergência também precisa ser desmontada. O lateral do Atlético de Madrid entrou no segundo tempo da estreia contra a Argélia e mostrou exatamente o que Scaloni esperava: mobilidade, chegada, presença ofensiva. Se Montiel foi escolhido como titular na primeira rodada, foi em parte porque Molina não havia atuado nos amistosos de preparação — uma questão de ritmo, não de hierarquia técnica.
Molina acumula 47 partidas pela seleção argentina e foi peça fundamental no título da Copa do Mundo do Qatar em 2022, inclusive marcando o gol que abriu o placar na final contra a França. Não é um substituto. É um titular com currículo.
"Molina é o favorito para assumir a vaga no time titular", confirmou a TyC Sports, descartando qualquer outra alternativa no setor direito da defesa.
Do ponto de vista de métricas ofensivas, Molina apresenta um xT (Expected Threat) — uma estatística que mede o perigo gerado pelos movimentos do jogador com e sem bola — consistentemente acima de 0,08 por 90 minutos na última temporada do Atlético de Madrid. Para o leigo: isso significa que cada vez que Molina avança pelo corredor direito, ele cria uma ameaça real ao gol adversário, não apenas presença decorativa na lateral.
Como a Argentina já normalizou o caos defensivo em Copas do Mundo
A Argentina tem um histórico bem documentado de chegar a torneios importantes com a defesa em estado de alerta. No Qatar, Scaloni também precisou improvisar e adaptar peças ao longo da campanha. O resultado foi o tricampeonato mundial. A capacidade de absorver desfalques sem desmontar o sistema é, talvez, a característica mais subestimada desta geração.
O Grupo J coloca a Argentina contra Áustria, Argélia e Jordânia. A estreia terminou com vitória sobre a Argélia, e o jogo de segunda-feira, em Dallas, é o momento em que a seleção pode praticamente garantir a classificação para as oitavas de final. Perder Montiel neste contexto dói menos do que doeria em um mata-mata.

Scaloni tem uma semana para recuperar o lateral antes do duelo contra a Jordânia, no sábado seguinte, também em Kansas. Se o músculo responder, Montiel volta. Se não responder, Molina já terá dois jogos de Copa no currículo desta edição — e a Argentina seguirá em frente do mesmo jeito que sempre seguiu.
Argentina e Áustria se enfrentam na segunda-feira, no AT&T Stadium, em Dallas, às 16h (horário de Brasília), pela segunda rodada do Grupo J da Copa do Mundo. Molina na direita. Montiel na fisioterapia. O jogo não espera.








