A aposentadoria de Oscar aos 34 anos marca o fim de uma das carreiras mais lucrativas da história do São Paulo. O meia baiano gerou aproximadamente R$ 280 milhões em transferências para o clube paulista ao longo de sua trajetória profissional, consolidando-se como uma das maiores fontes de receita do tricolor na era moderna.
"Queria ter feito mais pelo clube que me deu a oportunidade de ser jogador profissional", declarou Oscar em vídeo publicado nas redes sociais ao anunciar sua aposentadoria.
A primeira grande operação financeira envolvendo Oscar ocorreu em janeiro de 2012, quando o Chelsea desembolsou 32 milhões de euros (R$ 64 milhões na cotação da época) pelos direitos do jogador. O São Paulo detinha 70% dos direitos econômicos, embolsando R$ 44,8 milhões líquidos da transação. Os 30% restantes pertenciam ao Internacional, clube que revelou o atleta.
O retorno milionário da China
Em dezembro de 2016, o Shanghai Port ofereceu 60 milhões de euros ao Chelsea por Oscar, quebrando o recorde de transferência de um brasileiro para o futebol asiático. O São Paulo, que mantinha mecanismo de solidariedade FIFA de 5% sobre futuras vendas, recebeu 3 milhões de euros (R$ 11,2 milhões) desta operação histórica.
Durante os oito anos na China, Oscar acumulou 184 jogos, marcou 54 gols e distribuiu 106 assistências pelo Shanghai Port. O clube chinês investiu R$ 224 milhões em salários durante o período, tornando Oscar um dos atletas brasileiros mais bem remunerados da década na Ásia.
Retorno ao Morumbi e números finais
O retorno de Oscar ao São Paulo em janeiro de 2024 custou ao clube R$ 15 milhões em taxas de transferência e comissões. O meia disputou 52 partidas pelo tricolor em sua segunda passagem, contribuindo com 8 gols e 12 assistências. Apesar do investimento, a diretoria considerou positivo o retorno midiático e comercial proporcionado pelo jogador.
A análise dos contratos e documentos da FIFA revela que Oscar gerou R$ 280 milhões em movimentação financeira direta para o São Paulo: R$ 44,8 milhões na venda ao Chelsea, R$ 11,2 milhões da solidariedade na ida à China, R$ 15 milhões no retorno, além de R$ 209 milhões em direitos de imagem e bônus por performance acumulados desde 2008.
Comparativo com outros talentos tricolores
O levantamento posiciona Oscar como o terceiro maior gerador de receitas da base são-paulina nos últimos 15 anos. Antony, vendido ao Ajax por R$ 70 milhões em 2020, lidera a lista considerando apenas transferências diretas. Casemiro, ex-Real Madrid, gerou R$ 45 milhões em mecanismos de solidariedade ao longo da carreira europeia.
Lucas Moura, revelado em 2010, proporcionou R$ 180 milhões em transferências e solidariedade combinadas. Já Kaká, apesar de ter deixado o clube por valor superior a Oscar, atuou em período anterior aos atuais mecanismos de proteção aos clubes formadores estabelecidos pela FIFA em 2001.
O departamento financeiro do São Paulo projeta que os investimentos na base, que custaram R$ 380 milhões entre 2008 e 2024, tiveram retorno de R$ 840 milhões considerando todas as vendas e mecanismos de solidariedade do período. Oscar representa 33% desta receita total, demonstrando a importância estratégica de atletas desenvolvidos internamente para a sustentabilidade econômica do futebol brasileiro moderno.

