O vestiário cheirava a derrota ainda antes do apito final. Quatro gols sofridos, uma eliminação que ainda não tem nome oficial mas já tem cara — e um grupo que, na segunda rodada, não perdoa. Esse é o retrato do Paraguai após o 4 a 1 para os Estados Unidos na estreia do Grupo D da Copa do Mundo 2026. Do outro lado do vestiário imaginário, a Turquia guarda um 2 a 0 para a Austrália que dói menos no placar, mas igualmente na tabela.

Não há tragédia: há contabilidade. Zero pontos, zero gols marcados pelos turcos, e uma equação simples — quem perder no Levi's Stadium, em Santa Clara, no sábado (21), à meia-noite (horário de Brasília), provavelmente não passa da fase de grupos.

O que os números da estreia revelam sobre os dois times

Antes de falar de esquemas táticos, os dados da primeira rodada já contam bastante. O Paraguai sofreu 4 gols, mas gerou transições ofensivas reais — o que sugere um bloco baixo com saídas rápidas, porém com linha defensiva exposta nas costas. O xG (expected goals) concedido foi alto: quando você leva 4 gols de uma seleção que joga em casa e tem a torcida empurrando, parte disso é qualidade do adversário, mas parte é organização defensiva que simplesmente não existiu.

A Turquia teve problema diferente. O desempenho ofensivo abaixo do esperado chamou atenção: zero gols marcados contra uma Austrália que não é das mais assustadoras do torneio. Em termos de progressive passes — aqueles passes que avançam pelo menos 10 metros em direção ao gol adversário — os turcos provavelmente ficaram muito abaixo da média de times que dominam a posse. O ataque não chegou, o meio-campo não conectou, e a equipe de Vincenzo Montella parece ter jogado com medo de errar.

  • xG concedido pelo Paraguai na estreia: estimado acima de 2.8 — linha defensiva exposta
  • Gols marcados pela Turquia em dois jogos da Copa: 0 — problema crônico de finalização
  • PPDA (passes permitidos por defensive action): a Turquia provavelmente deixou a Austrália circular com facilidade, indicando pressão alta ineficaz

O PPDA é uma métrica que mede a intensidade da pressão: quanto menor o número, mais agressivo o time pressiona. Uma equipe que cede 2 a 0 sem reagir taticamente costuma ter PPDA alto — ou seja, deixa o adversário jogar. Contra o Paraguai, a Turquia vai precisar mostrar outro número.

O que os números da estreia revelam sobre os dois times Paraguai e Turquia jogam
O que os números da estreia revelam sobre os dois times Paraguai e Turquia jogam

A mesa de decisão no Grupo D e o que acontece em Seattle

Enquanto Paraguai e Turquia se preparam para o confronto de sábado, Estados Unidos e Austrália se enfrentam nesta sexta (19), às 16h, em Seattle. O resultado dessa partida muda completamente o peso do jogo da meia-noite.

Se os americanos vencerem os australianos, o Grupo D praticamente se define: EUA e Austrália em vantagem, e o vencedor de Paraguai x Turquia ainda dependendo de uma combinação de resultados na terceira rodada. Se houver empate em Seattle, o quadro abre — e quem vencer à meia-noite ainda tem chance real de classificação direta.

Segundo análises táticas que circulam entre comissões técnicas, o Paraguai deve tentar compactar o bloco médio e explorar as transições — exatamente o que mostrou momentos de competitividade contra os EUA. A questão é que a Turquia não tem a velocidade de contra-ataque americana, o que pode tornar o jogo mais truncado e disputado no meio-campo.

"Contra o Paraguai, os turcos devem buscar uma postura mais agressiva, já que uma nova derrota pode praticamente encerrar as chances de classificação", apontam análises do portal NetFlu sobre a situação da seleção europeia.

O que cada seleção precisa mostrar em Santa Clara

Para o Paraguai, a correção defensiva é urgente. Quatro gols sofridos em um jogo de Copa não é só placar — é um aviso sobre as defensive actions mal posicionadas e a falta de cobertura nas segundas bolas. O técnico paraguaio precisa de um meio-campo que não só recupere a bola, mas que produza xA (expected assists) — ou seja, passes que realmente criem chances de gol. Na estreia, a criação foi insuficiente para sustentar qualquer pressão ofensiva.

Decidiu.

A Turquia, por sua vez, tem um problema de confiança que vai além da tática. Jogadores como Hakan Çalhanoğlu, que no Inter de Milão é um dos melhores no passe progressivo da Serie A, precisam aparecer. Um meia da qualidade dele com zero gols marcados pela equipe em dois jogos é o sintoma de um sistema que não está funcionando — seja pela pressão adversária, seja pela falta de movimentação dos atacantes.

"O desempenho ofensivo abaixo do esperado chamou atenção na estreia", registrou a cobertura da NetFlu sobre a atuação turca contra a Austrália.

O confronto tem transmissão ao vivo pela Globo, SporTV e Cazé TV — TV aberta, assinatura e YouTube, respectivamente. Quem sair de Santa Clara com os três pontos ainda vai precisar de um resultado positivo na terceira rodada, mas ao menos terá sobrevivido para disputar essa última chance. Quem perder, provavelmente faz as malas antes do fim de junho.