Onze anos dentro do mesmo clube antes de completar 21 anos de idade. Esse é o dado que antecede qualquer estatística de Viery Fernandes Santos Lopes — e é exatamente esse dado que a maioria dos analistas ignora ao avaliar o zagueiro do Grêmio.
O dado que ninguém olha mas explica tudo
Diz-se que zagueiros jovens no Brasileirão Série A precisam de ao menos duas temporadas no profissional para estabilizar rendimento. Na prática, Viery desafia essa premissa — e o motivo importa mais do que o clichê.
O defensor de 187 cm e 85 kg nasceu em Ubá, Minas Gerais, em 2 de janeiro de 2005. Chegou à base do Grêmio em 2015, com dez anos de idade. Quando estreou pelo time principal, em 27 de janeiro de 2025, em vitória por 4 a 0 sobre o Caxias no Campeonato Gaúcho, já acumulava uma década de formação dentro do mesmo sistema de jogo. Não havia adaptação de cultura tática a fazer. O clube era a única referência profissional que ele conhecia.
Esse dado — dez anos de base no mesmo clube antes da estreia — é o que separa Viery da maioria dos zagueiros jovens que chegam ao profissional por transferência e precisam de meses para assimilar dinâmicas de vestiário e esquema defensivo.
Como ele chega a esse número
A trajetória de Viery dentro do Grêmio seguiu uma progressão linear, sem saltos bruscos. Após percorrer as categorias de base, o zagueiro passou pelo sub-20 e atuou pelo time B do clube durante a Copa FGF de 2023. Em 15 de junho do mesmo ano, o clube renovou seu vínculo contratual até 2027 — sinal claro de que a diretoria enxergava potencial de longo prazo no atleta então com 18 anos.
A estreia no profissional, em janeiro de 2025, foi discreta: entrou como substituto de Mayk nos minutos finais de uma goleada. Mas a sequência foi diferente. Na temporada 2026, Viery já soma 13 jogos pelo time principal, incluindo um gol marcado — número expressivo para um zagueiro de 21 anos em sua primeira temporada completa na elite.
O contrato vigente até 2027 garante ao Grêmio controle sobre o ativo. Para referência de mercado: zagueiros brasileiros de 21 anos com perfil físico similar — acima de 1,85 m, formados em clubes da Série A — costumam ter valores de mercado estimados entre R$ 8 milhões e R$ 15 milhões dependendo de minutagem acumulada. Viery ainda está construindo esse número.
Os outros números que falam o mesmo idioma
Dois títulos constam no currículo do zagueiro: a Recopa Gaúcha de 2025 e o Campeonato Gaúcho de 2026. São conquistas regionais, mas com peso simbólico relevante para um atleta que ainda não completou 22 anos e disputa sua primeira temporada integral no profissional.
Os 13 jogos em 2026 representam participação consistente num elenco que compete na Série A, onde a disputa por posição na zaga envolve atletas com muito mais experiência acumulada. Para efeito de comparação: a diferença de minutagem entre um titular absoluto numa equipe da Série A e um jogador em desenvolvimento equivale, em termos de exposição tática, à distância entre Recife e Porto Alegre — longa o suficiente para que cada quilômetro percorrido faça diferença real no rendimento.
O gol marcado na temporada atual, embora isolado, reforça a capacidade de participação ofensiva em bolas paradas — característica cada vez mais valorizada em zagueiros modernos que precisam ser ameaça nos escanteios e faltas.
Conforme registrado pelo SportNavo, o perfil físico de Viery — 187 cm de altura e 85 kg — o posiciona acima da média dos zagueiros titulares do Brasileirão 2026, onde a altura média da posição gira em torno de 183 cm.
O risco de confiar só nesse dado
A formação longa no mesmo clube é uma vantagem estrutural, mas também carrega um risco específico: jogadores com esse perfil tendem a ter dificuldade de adaptação quando precisam mudar de ambiente. A mobilidade tática e a capacidade de assimilar sistemas diferentes são qualidades que só se testam fora do ambiente de origem.
Viery ainda não foi testado nesse sentido. Seu contrato vai até 2027, o que significa que, salvo cláusula de rescisão antecipada ou proposta que justifique negociação antes do prazo, o Grêmio mantém o controle sobre sua trajetória pelos próximos 18 meses. Esse período é suficiente para consolidar — ou não — o status de titular absoluto na Série A.
Os 13 jogos em 2026 ainda não provam regularidade de longo prazo. Um zagueiro de 21 anos com essa minutagem está no início do processo de construção de confiança técnica e física para sustentar uma temporada inteira como titular. A consistência ao longo de 30, 35 rodadas do Brasileirão é um patamar que Viery ainda não alcançou — e esse é o único dado que falta para completar o argumento.
Em 2 de janeiro de 2027, Viery completa 22 anos com o contrato ainda vigente e, potencialmente, uma temporada e meia a mais de Série A no currículo. Até lá, saberemos se a formação mais longa do que a maioria foi, de fato, a vantagem que os números de 2026 começam a sugerir.








