Vinte e cinco jogos. Um tendão de Aquiles. Um quadril. Esses três números resumem a temporada de Bukayo Saka pelo Arsenal em 2025/2026 — e o dilema que Thomas Tuchel carrega enquanto a Inglaterra se prepara para enfrentar a Croácia em Dallas, no AT&T Stadium, pelo Grupo C da Copa do Mundo.

O número que define a disputa entre Saka e Tuchel

Vinte e cinco partidas como titular na Premier League: é esse o rastro físico que Saka deixou numa temporada em que o Arsenal conquistou o primeiro título inglês em 22 anos e ainda chegou à final da UEFA Champions League. A gestão de minutos foi deliberada — o clube administrou o atacante de 24 anos como se administra um instrumento de precisão prestes a ser usado numa ocasião única. O resultado é um jogador que chegou ao Kansas City, base de treinamentos da seleção inglesa, tecnicamente disponível, mas com um histórico recente que justifica cautela.

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Tuchel sinalizou publicamente que Saka talvez não suporte 90 minutos completos de imediato. A afirmação não é gratuita: o técnico alemão acompanhou de perto a trajetória do jogador nos últimos meses, incluindo sua entrada como substituto na vitória por 3 a 0 sobre a Costa Rica, no amistoso realizado na Flórida na semana passada. Foi a primeira vez que Saka atuou pela seleção desde que o Arsenal encerrou a temporada europeia. A observação de Tuchel é técnica, não política — mas Saka não a aceitou em silêncio.

"Como jogadores, é a maior aposta, especialmente quando você não está no seu melhor nível. Você tem a escolha de não jogar ou de se expor sabendo que as pessoas vão te julgar do mesmo jeito. Estou feliz em aceitar essa aposta. Valeu a pena, eu diria. Vou continuar fazendo isso. No fim das contas, as pessoas não se importam com o que você está sentindo — elas esperam que você entregue. Mas estou me sentindo muito melhor do que em março e estou pronto para jogar", declarou Saka em entrevista coletiva no centro de treinamentos em Kansas City.

Como a temporada do Arsenal moldou o estado físico de Saka

Quando faz uma temporada completa sem interferência, Saka acumula números que o colocam entre os três ou quatro atacantes mais eficientes da Europa — dez gols e 14 assistências na Premier League em 2024/2025, por exemplo. Quando faz uma temporada gerenciada como a de 2025/2026, a produtividade segue elevada, mas a continuidade física deixa uma interrogação legítima sobre o pico de forma em curto prazo.

Quando chega a uma Copa do Mundo com restrições físicas, o atacante entra numa zona de ambiguidade que nenhuma estatística resolve completamente. O Arsenal optou por preservá-lo nas últimas semanas do campeonato inglês precisamente para que ele chegasse ao torneio com o máximo de integridade muscular possível. O plano funcionou na teoria — Saka chegou ao acampamento inglês na Flórida depois da final da Champions League, como um dos últimos convocados a se apresentar, mas sem nenhum agravamento das lesões anteriores.

"O foco principal agora é vencer a Copa do Mundo. E ser a melhor versão de mim mesmo para o time", disse o jogador, ao ser questionado sobre suas expectativas para o torneio.

O que a titularidade de Saka representa para o ataque inglês em Dallas

A disputa pela vaga na ala direita é concreta e tem nome: Noni Madueke, companheiro de Saka no Arsenal desde que o Chelsea o vendeu para o clube londrino, é o principal candidato a substituí-lo ou até iniciar no lugar dele. Os dois treinaram juntos durante toda a semana em Kansas City e, segundo o próprio Saka, a relação vai além da rivalidade por posição.

"É bastante único, dois jogadores que atuam na mesma posição serem tão próximos quanto nós somos. Noni é como meu irmão dentro e fora do campo. Nos pressionamos mutuamente e conversamos todos os dias. Temos respeito mútuo e queremos que o outro se saia bem", afirmou Saka, numa declaração que revela tanto a maturidade do jogador quanto a cultura interna que Tuchel construiu no grupo.

A questão tática, porém, é objetiva: Saka em plenas condições é um desequilíbrio diferente de qualquer outra opção disponível para a Inglaterra. Sua capacidade de conduzir, combinar e finalizar pela direita transforma a seleção num time capaz de criar situações de gol a partir de múltiplos ângulos. Sem ele, ou com ele limitado a menos de uma hora de jogo, Tuchel precisaria reorganizar o equilíbrio ofensivo de uma equipe que ainda busca sua identidade definitiva no torneio, conforme registrado pelo SportNavo ao longo da preparação inglesa para a Copa.

A estreia contra a Croácia está marcada para esta quinta-feira, em Dallas. Tuchel tem até o aquecimento para decidir se coloca Saka entre os onze iniciais ou o preserva como carta na manga para os 45 minutos finais. O atacante já deu sua resposta — está pronto para começar. Falta o técnico confirmar o palco.