Confesso: eu subestimei a crise do Ceará quando o calendário de maio foi divulgado. Parecia um confronto administrável, com o Castelão como fator de equilíbrio natural. Hoje, olhando os números, vejo que errei feio na leitura.

O Vozão chega à noite desta quarta-feira (13) com três derrotas consecutivas — Série B e Copa do Nordeste incluídas — e sem marcar um único gol nesses três jogos. O adversário que espera na Arena Castelão, às 21h30, venceu o primeiro duelo por 2 a 1 na Arena MRV, com gols de Cassierra e Renan Lodi. Wendel Silva descontou para o time cearense, mas não evitou a desvantagem.

O que o Ceará precisa fazer esta noite para não ser eliminado

A aritmética é simples e impiedosa. O Atlético-MG avança com empate ou vitória. Ao Ceará, resta vencer por dois gols de diferença para garantir a classificação direta, ou por um gol para levar a decisão aos pênaltis. Qualquer resultado abaixo disso encerra a participação do Vozão na Copa do Brasil antes das oitavas de final.

O técnico Mozart tem diante de si um time que não balança as redes há três partidas. Montar um ataque funcional contra uma defesa que, mesmo sem o zagueiro Ruan Tressoldi — fora por entorse no pé esquerdo —, conta com os retornos de Lyanco e do volante Alan Franco, suspensos no empate por 1 a 1 contra o Botafogo no último domingo (10), não é tarefa trivial.

O treinador argentino Eduardo Domínguez também não terá o meia-atacante Gustavo Scarpa, com entorse no joelho direito desde o treino de sábado (9), nem o meia Victor Hugo, fora desde 26 de abril com edema na coxa esquerda. Dois desfalques ofensivos que, paradoxalmente, aliviam a pressão sobre a defesa do Ceará.

Ingressos a R$ 10 e a aposta do clube na pressão da Nação Alvinegra

A diretoria do Ceará adotou uma política de preços agressiva para tentar lotar o Castelão. O setor Inferior Norte tem entrada a partir de R$ 10,00 (meia-entrada) e R$ 20,00 (inteira). O Inferior Central custa R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia-entrada). O setor Premium vai a R$ 280,00 (inteira) e R$ 140,00 (meia).

Para a torcida atleticana, o clube mineiro disponibilizou o setor Entrada Superior Sul B a R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada), com vendas pelo site oficial do Galo. Os ingressos do Ceará estão disponíveis nas Lojas Vozão — Sede, RioMar Papicu, North Shopping Maracanaú, Shopping Eusébio, RioMar Kennedy, Shopping Parangaba, Iguatemi Bosque e Grand Shopping Messejana — e pelo site vozaotickets.com.

Há uma lógica financeira por trás do ingresso a R$ 10. Público vazio não pressiona adversário. Público cheio não garante resultado, mas eleva o custo emocional para o visitante. O Ceará está apostando na variável mais barata disponível — literalmente.

O que muda no mapa da temporada dependendo do que acontece no Castelão

Para o Atlético-MG, a classificação às oitavas seria o impulso que o clube busca depois de dois empates recentes no Brasileirão. Após o jogo contra o Ceará, o Galo tem dois compromissos seguidos em casa: contra o Mirassol, pelo Campeonato Brasileiro, e diante do Cienciano (PER), pela Copa Sul-Americana. Uma sequência de jogos em casa que pode definir o ritmo do clube na temporada.

Há ainda um dado histórico em jogo: se entrar em campo, o goleiro Everson se tornará o recordista isolado de partidas pelo Atlético na Copa do Brasil, superando o ídolo Victor. No jogo de ida, Everson havia igualado a marca de 35 jogos do ex-goleiro atleticano.

Para o Ceará, a eliminação significaria perder a única competição nacional de mata-mata em que ainda estava vivo. O clube disputa a Série B em 2026 e foi eliminado pelo Vitória nas quartas de final da Copa do Nordeste. A Copa do Brasil era o único torneio com potencial de receita extra relevante — premiações que impactam diretamente o caixa de um clube que precisa de recursos para montar elenco competitivo na segunda divisão.

A partida será transmitida pelo SporTV e pelo Premiere, com narração de Rodrigo Franco e comentários de Henrique Fernandes e Victor Bagy. Marta Negreiros e Maria Cláudia Bonutti cobrem o campo. A arbitragem fica com Matheus Delgado Candançan (SP), com VAR de Wagner Reway (SC).

O Ceará entrou em campo embalado por seis jogos sem perder quando enfrentou o Atlético na ida. Agora chega com três derrotas seguidas e zero gols marcados nesse período — o contraste não poderia ser mais brutal. Está em campo — falta saber se ainda está em pé.