Três coisas: um empate sem graça, um árbitro que virou assunto e uma Copa do Mundo que já produz polêmica antes de chegar à segunda rodada. Bélgica e Egito ficaram no 1 a 1 em Seattle nesta segunda-feira (15), mas o placar foi quase secundário no debate que se seguiu ao apito final — porque Ramon Abatti Abel, árbitro principal da partida, monopolizou as conversas nas redes sociais por razões que nenhum árbitro deseja.

O trio brasileiro em campo no Lumen Field

A FIFA escalou um trio 100% brasileiro para o duelo do Grupo G: Ramon Abatti Abel como árbitro central, com Danilo Martins e Rafael Alves nos postos de assistentes. O quarto árbitro foi o peruano Kevin Ortega. A delegação brasileira de arbitragem é a maior da Copa ao lado da argentina, com nove profissionais credenciados — e Ramon foi o segundo a entrar em campo, depois que Wilton Pereira Sampaio comandou a partida de abertura entre México e África do Sul, no dia 11, com três cartões vermelhos e alto nível de controle. O terceiro árbitro brasileiro convocado, Raphael Claus, ainda aguarda escalação.

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Os gols do empate vieram de Emam Ashour para o Egito e de Mohamed Hany, contra, para a Bélgica. Um placar justo para um jogo que nunca encontrou ritmo — e parte desse travamento, segundo a percepção de quem assistiu, foi responsabilidade direta da arbitragem.

Uma apitação que sufocou o jogo em vez de protegê-lo

Há uma distinção clássica na teoria da arbitragem de futebol, discutida desde os anos 1990 nos cursos da UEFA, entre o árbitro que gerencia e o árbitro que interrompe. O primeiro usa o cartão e a conversa para manter o jogo fluindo; o segundo apita cada contato, cada reclamação, cada disputa aérea que considera irregular. Ramon Abatti Abel, em Seattle, ficou perigosamente próximo do segundo perfil.

Para ter uma referência histórica concreta: na Copa de 1998, na França, o árbitro Kim Milton Nielsen ficou famoso por expulsar David Beckham contra a Argentina — mas a partida teve 90 minutos de futebol intenso porque Nielsen só intervinha quando havia razão clara. Já em 2006, a final entre Itália e França foi marcada por uma arbitragem excessivamente cautelosa de Horacio Elizondo, que acumulou 28 faltas no primeiro tempo e travou o espetáculo antes do incidente entre Zidane e Materazzi. Ramon, em Bélgica x Egito, evocou esse segundo estilo: o apito soou frequente demais para um jogo que, tecnicamente, não era dos mais violentos.

A reação das redes sociais não poupou o árbitro catarinense

As críticas vieram em quantidade e com vocabulário direto. Em matéria do SportNavo, os comentários de internautas capturam bem o tom predominante:

"Ramon Abatti Abel é insuportável, não deixa o jogo rolar."
"Ramon Abatti Abel tá conseguindo me irritar em um jogo Bélgica x Egito. Que arbitragem horripilante."

Houve ainda quem comparasse diretamente com o trabalho de Wilton Pereira Sampaio na abertura: "Por mais que tenha expulsado uma galera, a arbitragem do Wilton Pereira Sampaio foi boa. Essa do Ramon Abatti Abel tá irritante." A comparação é reveladora porque Wilton, apesar dos três vermelhos, foi elogiado pela consistência das decisões — o que sugere que o problema de Ramon não foi necessariamente o rigor, mas a falta de lógica perceptível nas intervenções.

A percepção de arbitragem intervencionista tem peso psicológico nos jogadores. Jeremy Doku, atacante belga do Manchester City que é uma das esperanças ofensivas dos Diabos Vermelhos no torneio, é exatamente o tipo de jogador que sofre mais com apitações excessivas: veloz, driblador, provoca faltas pela velocidade e não pela violência. Em um jogo onde cada contato vira paralisação, o futebol de Doku perde metade do valor. O atacante de 24 anos já enfrenta uma pressão paralela fora de campo — sua esposa Shireen tem previsão de parto na segunda semana de julho, período das quartas de final, e ele pode precisar deixar a competição momentaneamente para acompanhar o nascimento do primeiro filho.

O que a Copa espera dos árbitros brasileiros daqui em diante

A FIFA avalia o desempenho dos árbitros rodada a rodada antes de escalar para as fases eliminatórias. A delegação brasileira chegou a esta Copa com credencial sólida — Raphael Claus, por exemplo, apitou a final da Copa Libertadores de 2022 entre Flamengo e Athletico-Paranaense e tem reputação consolidada em jogos de alta pressão. Wilton Pereira Sampaio acumulou experiências em Mundiais anteriores. Ramon Abatti Abel, por sua vez, precisará demonstrar nas próximas escalações que Seattle foi um ajuste de calibragem, não um padrão.

O trio brasileiro em campo no Lumen Field Ramon Abatti Abel irrita torcedores e
O trio brasileiro em campo no Lumen Field Ramon Abatti Abel irrita torcedores e

A Copa do Mundo 2026 tem 104 jogos no total, espalhados por 16 cidades nos Estados Unidos, México e Canadá. Árbitros que passam pela fase de grupos sem manchas graves costumam ser promovidos às oitavas e quartas; os que geram controvérsia ficam de fora das fases decisivas. Ramon tem agora um número simples e concreto para pensar: são 9 brasileiros credenciados, e apenas os melhores chegam às eliminatórias.