Se McGregor e Holloway trocassem históricos sem trocar nomes, a narrativa seria outra completamente. O lutador com 10 combates nos últimos cinco anos, cinco deles pelo cinturão, seria o favorito natural. O que passou os mesmos cinco anos sem entrar num octógono seria o ponto de interrogação. Pois é exatamente esse o cenário marcado para 11 de julho — e o nome do interrogado é Conor McGregor.
A revanche com Max Holloway foi confirmada para o peso-meio-médio (170 libras), uma categoria que nenhum dos dois habita naturalmente. O primeiro duelo aconteceu em agosto de 2013, num card de preliminares, quando ambos eram desconhecidos na divisão dos penas. McGregor venceu por decisão unânime depois de três rounds. O irlandês tinha 25 anos, Holloway tinha 21 e um cartel de 3 vitorias e 3 derrotas. O mundo era outro.
O que McGregor acumulou em cinco anos de silêncio
A última vez que Conor McGregor pisou num octógono foi em julho de 2021, no UFC 264, quando quebrou a tíbia numa queda contra Dustin Poirier no primeiro round. A imagem da perna cedendo tornou-se, involuntariamente, a última cena de sua carreira ativa por tempo indeterminado. Desde então: nenhuma luta, nenhum resultado, nenhuma vitória. A suspensão médica se estendeu, e o irlandês ficou de fora do esporte até março de 2026. Para efeito de comparação, sua última vitória havia sido em janeiro de 2020, contra Donald Cerrone, em 40 segundos.
Cinco anos. O número tem peso próprio no MMA, onde o corpo de um atleta de elite envelhece em tempo acelerado. McGregor hoje tem 37 anos. Quando quebrou a perna, tinha 32. Quando venceu o cinturão dos penas, em 2015, tinha 27. Não há tragédia: há contabilidade.
Holloway acumulou 10 lutas enquanto McGregor descansava
Enquanto o irlandês estava fora, Max Holloway construiu um dos períodos mais ativos entre os principais nomes do UFC. Nos últimos cinco anos, o havaiano disputou dez combates, venceu sete, e participou de cinco lutas pelo cinturão. Conquistou o título BMF ao nocautear Dustin Poirier no UFC 300, em abril de 2024 — o mesmo Poirier que derrotou McGregor duas vezes consecutivas em 2021. Holloway tem 33 anos, dois a menos que McGregor, mas com uma diferença brutal de ritmo competitivo entre eles.
Joe Rogan, comentarista oficial do UFC e apresentador do podcast mais ouvido do mundo, foi direto ao ponto ao analisar o confronto:
"Essa luta do Conor McGregor em julho vai ser insana, vai ser insana. As pessoas vão enlouquecer com o retorno de Conor McGregor porque ele é uma personalidade gigante. Mas como a gente pode esperar o mesmo Conor? Ele não lutou por cinco anos. Cinco malditos anos. E o Max Holloway ficou em competição de alto nível o tempo todo."
Rogan também recuperou uma observação do próprio Holloway sobre a tendência de McGregor — e de lutadores como José Aldo — de perder o gás nos rounds finais:
"Ele falou abertamente sobre por que caras como o Conor e o Aldo perdem o fôlego. Ele disse: 'Eles têm poder demais, cara, e eu não tenho esse tipo de poder.'"
A teoria de Holloway tem respaldo histórico. McGregor nunca foi um lutador de cinco rounds. Suas vitórias mais icônicas — contra Aldo, Alvarez, Cerrone — vieram por finalização precoce. Quando as lutas se estenderam, como nas revanches com Nate Diaz e nas derrotas para Poirier, o tanque de combustível revelou seus limites.
A luta em 170 libras muda os cálculos para os dois lados
A escolha do peso-meio-médio elimina o corte de peso, o que teoricamente beneficia McGregor — um lutador que historicamente sofreu com a reposição de líquidos após pesagens agressivas. Holloway, por sua vez, nunca competiu acima dos 155 libras em nível profissional. Sua única tentativa no peso-leve foi em 2019, contra Poirier, pelo cinturão interino, e terminou em derrota por decisão unânime.
Nas casas de apostas, Holloway figura como leve favorito, refletindo exatamente o que Rogan descreveu: a consistência de quem nunca saiu do ringue versus a incógnita de quem volta após o maior hiato de sua carreira. O havaiano chega afiado. McGregor chega com uma história que precisa ser reescrita dentro do octógono — e não em entrevistas ou redes sociais.
Decidiu. A data está marcada, o adversário está definido e o peso está escolhido. O que ainda não se sabe é qual versão de Conor McGregor vai aparecer em 11 de julho. A última que o público viu estava no chão, com a perna dobrada para o lado errado.








